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Lançamentos de IA

Boston consolida liderança em robótica e IA física nos EUA

Concentração de talentos, clientes e investimentos em Boston impulsiona robótica e IA física. Aquisição da RealSense pela Cognex por US$ 500 milhões reforça polo tecnológico.

Boston consolida liderança em robótica e IA física nos EUA

Tecnologia

Boston destaca-se como polo tecnológico nos EUA, atraindo investimentos e talentos em robótica e inteligência artificial física.

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Boston se firma como principal polo de robótica e inteligência artificial física dos Estados Unidos ao concentrar talentos, grandes clientes industriais e investimentos bilionários, em um movimento que ganha força com a compra da RealSense pela Cognex por US$ 500 milhões e reposiciona a região como centro da tecnologia que dá “olhos” e cérebro aos robôs.

Boston se torna polo de robótica e IA física

Na região metropolitana da cidade, empresas como Boston Dynamics, Amazon Robotics e, mais recentemente, uma unidade de desenvolvimento da Google DeepMind trabalham lado a lado em robôs industriais e domésticos. Ao redor delas, cresce uma malha de fornecedores de tecnologia de percepção, startups de software e grupos acadêmicos que abastecem esse mercado com engenheiros altamente especializados.

Esse ecossistema acaba de ganhar um reforço de peso: a Cognex, gigante de visão computacional sediada em Natick, incorporou a RealSense, spinoff da Intel focada em câmeras 3D para robótica. Com o negócio, a RealSense passa a ancorar uma nova divisão de robótica da Cognex, comandada pelo atual CEO da empresa, Nadav Orbach.

“Se você olhar para a robótica hoje, eu diria que a Bay Area e Boston são os dois maiores polos nos EUA”, afirma Orbach. Segundo ele, o diferencial local nasceu nas universidades e se consolidou na forma de um ciclo virtuoso de startups, laboratórios e grandes companhias que se retroalimentam.

Por que as câmeras 3D viram peça-chave da robótica

No centro dessa transformação está a tecnologia de percepção em 3D, que permite aos robôs entenderem a geometria do ambiente, condição básica para operar com segurança em fábricas, armazéns e até casas.

“Uma câmera convencional captura pixels representando cores, enquanto uma câmera 3D também mede a distância de cada ponto, dando a geometria do ambiente. Isso é importante para a percepção robótica porque, se um robô precisa pegar algo ou evitar bater em uma parede, ele precisa entender a totalidade física do seu entorno”, explica Orbach.

As câmeras da RealSense se espalharam por diferentes tipos de máquinas autônomas. Cerca de 40% do negócio está hoje em robótica industrial e de armazéns, em equipamentos como robôs móveis, empilhadeiras automáticas e sistemas de gestão de estoque. Outros 25% aproximadamente atendem robôs humanoides e quadrúpedes, segmento que cresce na esteira de testes de robôs para logística, inspeção e até aplicações de serviço.

Para Orbach, a visão segue como a principal tecnologia de percepção, mesmo com alternativas como radares e sensores de proximidade. “A autonomia é construída sobre duas coisas: percepção e raciocínio. Os sensores lidam com a percepção, enquanto a IA em um processador de uso geral lida com o raciocínio”, resume.

Entenda o contexto

O fortalecimento de Boston acontece em um momento em que os Estados Unidos buscam reduzir a dependência de cadeias de suprimentos externas e, ao mesmo tempo, acelerar o desenvolvimento interno de tecnologias estratégicas, como sistemas autônomos e robótica avançada.

Empresas de software como OpenMind, Skild AI e Field AI, também presentes no ecossistema norte-americano, focam justamente no que Orbach chama de “cérebro” dos robôs: plataformas de IA que tomam decisões a partir dos dados coletados por sensores como as câmeras 3D. A parte mecânica, por sua vez, segue em grande parte concentrada em fabricantes asiáticos, um arranjo que tende a se manter à medida que estruturas e atuadores se tornam mais padronizados e fáceis de terceirizar.

Ao mesmo tempo, tarifas, restrições regulatórias e a preocupação com a origem de componentes vêm incentivando empresas a reverem onde produzem seus robôs completos, o que amplia a importância de hubs considerados estratégicos, como Boston.

Talento como ativo que não se muda de lugar

Na avaliação de Orbach, o segredo da região está menos nas fábricas e mais nas pessoas. “O que não se pode mover facilmente é o pool de talentos. Esse é o verdadeiro diferencial de um lugar como Boston”, diz.

Ele descreve um caminho típico: pesquisadores em universidades de ponta criam tecnologias, que dão origem a startups. Essas empresas atraem engenheiros e cientistas interessados em robótica. Com o tempo, a massa crítica de profissionais e projetos passa a atrair filiais de gigantes globais e novos investimentos, num círculo difícil de replicar em outros lugares sem a mesma base acadêmica.

Em Boston, esse movimento é visível na proximidade entre os campi, pequenos escritórios de startups e centros de P&D de multinacionais, todos disputando o mesmo talento especializado em robótica, visão computacional e IA.

Impacto econômico e disputa global

A concentração de inteligência em robótica na região tem efeitos diretos sobre setores como automação industrial, logística e manufatura avançada. Clientes locais ganham acesso mais rápido a soluções de visão 3D, navegação autônoma e manipulação precisa de objetos, o que pode se traduzir em ganhos de produtividade e em cadeias de produção mais flexíveis.

Ao reforçar a parte do “cérebro” e da percepção, menos sujeita à terceirização, Boston também se torna peça-chave da estratégia dos EUA para manter soberania tecnológica em áreas sensíveis, mesmo que boa parte das carcaças mecânicas dos robôs siga sendo produzida na Ásia.

Por outro lado, a mesma concentração cria um desafio para outras regiões dentro e fora do país, que enfrentam dificuldade para competir por talentos e capital de risco. Sem um ecossistema robusto, torna-se mais árduo atrair empresas âncora ou desenvolver tecnologias próprias em ritmo semelhante.

Para startups e universidades de Boston, o momento é de oportunidade: com a integração da RealSense à Cognex e a expansão de empresas já instaladas, a expectativa é de aumento de investimentos em pesquisa, novos laboratórios e mais parcerias entre academia e indústria para acelerar a próxima geração de robôs autônomos.

Fonte: matéria original