Brasil fica de fora do acordo EUA para energia de IA em Itaipu
EUA fecham uso de energia de Itaipu com empresa paraguaia para infraestrutura de IA, sem o Brasil. Atraso em data centers e regras trava investimentos e empurra computação para fora.

Inteligência Artificial
Investimentos em IA são impactados pela exclusão do Brasil no acordo energético envolvendo Itaipu e EUA.
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O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou um acordo para usar a energia da usina de Itaipu em infraestrutura de inteligência artificial por meio das empresas Crusoe (americana) e Araico (paraguaia), sem qualquer participação brasileira, num momento em que o Brasil ainda patina para criar condições para atrair grandes data centers e hubs de IA.
Brasil perde espaço na corrida da infraestrutura de IA
A usina de Itaipu, cujo potencial é dividido entre Brasil e Paraguai, passará a abastecer projetos de IA ligados ao acordo entre Crusoe e Araico, formalizado nesta semana e destacado na quarta-feira (21). A nota oficial do governo americano não cita o Brasil, o que especialistas veem como um símbolo do atraso nacional na base física da inteligência artificial.
O país tem uma matriz energética majoritariamente limpa e abundante, justamente o tipo de energia exigida pelos grandes centros de processamento de dados que alimentam modelos de IA. Mas investidores esbarram em insegurança jurídica, demora em licenças e incertezas tributárias. “A diferença entre as condições brasileiras e as de outros países chegou a inviabilizar investimentos”, afirmou Fernando Palamone, CEO da RT-One.
Enquanto o Brasil discute regras, vizinhos como Paraguai, Chile e Colômbia oferecem pacotes de incentivos, previsibilidade e projetos coordenados para atrair data centers. O Paraguai, por exemplo, planeja um hub de grande escala ancorado em energia de Itaipu, justamente o ativo em que o Brasil teria vantagem competitiva natural.
Redata emperra e desestimula novos projetos
O principal instrumento para tentar destravar a infraestrutura, o regime de incentivos para data centers conhecido como Redata, ilustra o compasso lento. A proposta ficou oito meses parada no Senado e só foi sancionada em setembro. Mesmo assim, ainda depende de regulamentação para valer na prática.
Nesse intervalo, empresas globais de tecnologia bateram à porta de outros países latino-americanos para instalar servidores e centros de processamento, deixando o Brasil sobretudo como mercado consumidor de soluções, e não como base física de IA.
Para Márcio Aguiar, diretor da divisão Enterprise da Nvidia na América Latina, a velocidade de reação é parte crucial da disputa. “Estamos perdendo a oportunidade de embarcar nesse trem que está passando”, disse. Segundo ele, países menores da região estão se mexendo mais rápido, com respostas regulatórias mais simples e acordos diplomáticos agressivos para atrair capital.
O alerta não é novo. Em uma coluna publicada ao longo deste ano, o advogado e especialista em tecnologia Ronaldo Lemos já resumia o quadro ao dizer que o Brasil estaria “tomando uma surra do Paraguai em tecnologia”. O acordo em Itaipu é visto como a materialização mais evidente dessa avaliação.
Empresas recorrem à nuvem externa para seguir usando IA
Apesar da escassez de grandes data centers locais, o uso de IA nas empresas brasileiras avança por outro caminho: a compra de poder computacional em nuvens hospedadas no exterior. Bancos, varejistas, fintechs e startups contratam capacidade em estruturas instaladas em outros países e acessam tudo remotamente.
Essa saída mantém as companhias competitivas no curto prazo, mas tem custo macroeconômico. A falta de infraestrutura robusta no Brasil representa menos empregos de alta qualificação, menos impostos arrecadados e menor retenção de talentos de engenharia, que muitas vezes acabam migrando para grupos estrangeiros ou trabalhando de forma remota para empresas lá fora.
O impacto também é estratégico. Sem um ecossistema forte de servidores, provedores de nuvem, fabricantes de chips e operadores de data centers, o país perde a chance de se posicionar como polo regional de IA, papel disputado hoje por vizinhos com energia mais cara e matriz menos limpa, mas ambiente regulatório mais amigável.
Entenda o contexto
Estudos recentes indicam que a inteligência artificial já está disseminada no dia a dia corporativo, mas ainda não se converteu em ganhos de lucro na mesma proporção. Segundo levantamento da consultoria McKinsey, 80% das empresas relatam que a IA aumentou a produtividade das pessoas, mas apenas 37% viram esse avanço aparecer no resultado financeiro.
A leitura feita por analistas da StartSe é que a diferença está menos na tecnologia em si e mais na forma de implementá-la. Organizações que apenas liberam ferramentas de IA para os times tendem a ter ganhos difusos e difíceis de medir. Já as que desenham processos claros, com agentes de IA encaixados em etapas específicas e métricas de desempenho associadas, conseguem capturar retorno direto no caixa.
No varejo, o Brasil aparece em posição de destaque em uma dessas aplicações: a venda por conversa. O WhatsApp da Lu, assistente virtual do Magalu, já ultrapassou R$ 100 milhões em vendas, com taxa de conversão três vezes maior que outros canais da empresa, embora esse volume represente menos de 1% da receita total. No sistema financeiro, Itaú e Nubank permitem fazer Pix dentro da própria conversa, aproximando atendimento, recomendação e transação em uma única experiência.
Esses exemplos mostram que a camada de aplicação da IA avança independentemente do atraso em infraestrutura física. Mas, sem o alicerce local de data centers e energia dedicada, parte relevante da riqueza gerada por essas inovações continua ancorada em outros países.
Como a StartSe está democratizando o acesso à inteligência artificial?
A StartSe aposta em conteúdo, formação prática e compartilhamento de casos reais para ampliar o acesso à inteligência artificial no Brasil, mesmo em um cenário de limitações na infraestrutura física. A estratégia passa por levar às empresas um “radar de sinais” da IA, conectando o que já foi observado em hubs como China, Vale do Silício e no próprio mercado brasileiro.
Ao acompanhar de perto a adoção de IA em diferentes setores, a StartSe identifica padrões que se repetem: projetos que ficam presos em pilotos intermináveis, iniciativas que distribuem ferramentas sem processo definido e casos em que a integração da IA em fluxos medidos gera ganho direto de margem e receita. A curadoria desses aprendizados busca encurtar o caminho de quem está começando ou quer escalar.
Nesse esforço, a empresa coloca foco em agentes de IA dedicados a tarefas específicas – como prospecção de clientes, atendimento, backoffice financeiro ou suporte a times internos – sempre amarrados a indicadores de desempenho. A lógica é mostrar, de forma acessível, como qualquer organização pode estruturar projetos que vão além do hype e tenham impacto mensurável.
Como participar dos cursos gratuitos de IA da StartSe?
A porta de entrada para os conteúdos de IA da StartSe são eventos online e abertos, como master talks e experiências digitais focadas em casos práticos. Para participar dos programas gratuitos, o caminho é se inscrever nas páginas oficiais da empresa, que concentram inscrições com data e horário definidos.
No caso do Master Talk de inteligência artificial promovido agora, a participação é 100% gratuita e sem replay. A proposta é reunir, em uma única sessão, os sinais mais importantes que a IA já deixou nas empresas em 2026, o que deve chegar ao dia a dia dos negócios em 2027 e por onde começar a implementação de forma pragmática.
Empresários, executivos e profissionais interessados em IA podem se registrar antecipadamente, garantir o acesso ao encontro ao vivo e receber o material de apoio, que inclui o tal radar de sinais e orientações para montar, dentro da própria empresa, processos em que agentes de IA atuem com metas claras e indicadores de resultado.
Infraestrutura depende de Brasília, processo depende da empresa
Especialistas ouvidos pelo mercado são unânimes em apontar que a infraestrutura de IA no Brasil está condicionada a fatores fora do alcance das empresas: regulamentação do Redata, linhas de crédito competitivas para data centers e acordos diplomáticos capazes de atrair investimentos globais de computação em nuvem.
Por outro lado, o desenho de processos internos é completamente controlável pelos negócios. A avaliação é que, até 2027, quem ficar esperando uma solução pronta de Brasília corre o risco de acumular dois tipos de atraso: o de infraestrutura do país e o de execução dentro de casa.
Nesse cenário, iniciativas como o Master Talk gratuito da StartSe tentam acelerar a parte que depende de decisão empresarial, ao mesmo tempo em que cresce a pressão para que o governo dê previsibilidade regulatória e transforme a vantagem energética brasileira em protagonismo na economia digital, e não em mais um trem perdido.

