Brasil e Índia: seleção faz 4 a 0 em amistoso morno em Calcutá
Seleção brasileira goleia a Índia por 4 a 0 em Calcutá, em amistoso nesta Data Fifa, testa jovens como Estêvão e Samuel Lino e expõe desafios táticos do novo ciclo.
Futebol Internacional
Brasil domina amistoso contra a Índia em Calcutá, destacando jovens talentos e desafios táticos para o novo ciclo.
O Brasil vence a Índia por 4 a 0, neste sábado, em Calcutá, no último amistoso da Data Fifa de outubro, em jogo marcado por testes e pouco brilho coletivo.
A seleção de Carlo Ancelotti se impõe pela diferença técnica, mas atua em ritmo baixo diante do time que ocupa a 138ª posição do ranking mundial e transforma o duelo em laboratório para estreantes e jovens em início de ciclo.
Estêvão abre caminho, Pedro desencanta e Lino decide
Ancelotti muda sete peças em relação ao jogo anterior contra a Austrália e escala um Brasil praticamente novo. Pedro Morisco estreia no gol; Arthur Dias ganha espaço na zaga ao lado de Marquinhos; Matheuzinho e Douglas Santos ocupam as laterais. No meio, Danilo, Andrey Santos e Gabriel Bontempo formam o trio responsável por dar equilíbrio a um ataque renovado com Estêvão, Pedro e Vini Júnior.
O desenho oferece controle desde o início, mas sem aceleração. O Brasil roda a bola, ocupa o campo ofensivo e encontra uma defesa indiana recuada, mais preocupada em sobreviver do que em competir de igual para igual. Falta intensidade, sobra previsibilidade. O placar, porém, não demora a refletir a diferença de nível.
Aos 27 minutos, Estêvão recebe em velocidade pela direita, após boa tabela com Matheuzinho. O jovem do Chelsea parte para o duelo individual, corta para dentro e finaliza forte de fora da área. Gurpreet Singh Sandhu falha ao tentar defender rasteiro e deixa a bola passar sob o corpo: 1 a 0.
O gol não desperta a Índia, que segue presa ao próprio campo. O Brasil mantém o controle, mas cria pouco até que, aos 41, Estêvão volta a aparecer. Ele encontra Pedro entre os zagueiros com um passe em profundidade. O centroavante do Flamengo domina com tranquilidade e finaliza cruzado. Sandhu volta a reagir tarde, e o 2 a 0 define o primeiro tempo.
Ancelotti gira elenco e expõe limitações do jogo
O intervalo marca a transição definitiva do amistoso para o papel de laboratório. Ancelotti usa a segunda etapa para mexer em quase tudo que pode. No decorrer do período, promove dez substituições e mantém apenas Pedro Morisco em campo entre os titulares, numa decisão explícita de preservá-lo para avaliação mais longa.
Samuel Lino entra no lugar de Vini Júnior e rapidamente aproveita o cenário frouxo. Aos 12 minutos, recebe na área após erro de saída da defesa indiana e finaliza seco, ampliando para 3 a 0. O gol escancara as fragilidades do sistema defensivo rival, que já vinha sofrendo com cruzamentos e bolas enfiadas.
O Brasil, porém, não embala. A sucessão de trocas quebra o ritmo, e o time passa a administrar o resultado. A posse de bola permanece alta, mas o jogo perde coordenação. Faltam tabelas, infiltrações e aproximação entre linhas. O calor forte em Calcutá e a baixa competitividade do adversário ajudam a empurrar a equipe para uma atuação protocolar.
No fim, quando o apito parece próximo, a Índia volta a se atrapalhar. Em novo erro de posicionamento da zaga, Samuel Lino aparece livre para marcar o quarto, aos 49 do segundo tempo, completando o placar com seu segundo gol na partida. A goleada está construída mais à base de talento individual e falhas rivais do que por um plano ofensivo bem executado.
Renovação em curso, desempenho em xeque
O amistoso fecha uma Data Fifa na qual o Brasil soma um empate por 1 a 1, uma vitória por 4 a 2 sobre a Austrália e agora o 4 a 0 sobre a Índia. Os números sustentam o discurso de resultados positivos, mas o rendimento coletivo alimenta dúvidas. A equipe apresenta oscilações, principalmente na criação pelo meio, e ainda busca uma identidade clara para o novo ciclo até 2030.
O dia em Calcutá, no entanto, deixa pistas relevantes para Ancelotti. Estêvão responde com protagonismo ao ganhar espaço entre os titulares, participa de dois gols e confirma a expectativa de ser peça importante na renovação. Samuel Lino aproveita ao máximo os minutos recebidos, com dois gols e presença constante na área. Pedro Morisco mostra segurança nas intervenções, mesmo pouco exigido.
O treinador faz questão de afastar o rótulo de prova de fogo para os novatos. “Os mais jovens devem aproveitar os amistosos, não encará-los como prova”, afirma o técnico da seleção brasileira. Em seguida, reforça a ideia de observação contínua: “Para eles não é um teste. É uma oportunidade para eles de mostrar a qualidade que podem ter. Então, tomar tudo isso com muita tranquilidade, porque não é um teste para eles”.
Para a Índia, o placar confirma o abismo em relação à elite. O time de Khalid Jamil, que mantém a base do empate recente com o Panamá, quase não chega à área brasileira e sofre para sair da pressão. Gurpreet Singh Sandhu alterna boas defesas com falhas decisivas, e a defesa comete erros de posicionamento que se repetem ao longo dos 90 minutos.
Próxima parada: Japão e Singapura em novembro
A vitória em Calcutá encerra a Data Fifa de outubro com sensação ambígua. O Brasil amplia o leque de opções e dá minutagem a jogadores em início de trajetória com a camisa amarelinha, mas ainda não apresenta padrão de atuação à altura das metas traçadas para o ciclo até 2030. O saldo das três partidas aponta um time eficiente no placar, mas previsível com a bola.
O calendário reserva agora uma nova janela de amistosos, marcada para os dias 14 e 17 de novembro, contra Japão e Singapura, ambos em Singapura. A expectativa na comissão técnica é de crescimento coletivo, com parte dos testes já realizados e maior repetição na escalação. O desempenho nesses duelos deve orientar convocações futuras e trazer respostas mais claras sobre quais jovens se consolidam na seleção principal.
Até lá, o 4 a 0 sobre a Índia entra na conta como fotografia fiel do momento: renovação em curso, talentos individuais à mostra, mas um time que ainda precisa acelerar, combinar intensidade com controle e transformar o laboratório em ensaio convincente para competições mais exigentes.
Quando será o jogo amistoso entre Índia e Brasil?
O amistoso entre Índia e Brasil acontece neste sábado, às 11h (horário de Brasília), no Salt Lake Stadium, em Calcutá, dentro da Data Fifa de outubro, encerrando a série de três partidas programadas para este período preparatório da seleção brasileira principal.
Onde assistir ao vivo o jogo Índia x Brasil?
O jogo Índia x Brasil tem transmissão ao vivo em TV aberta e por canais esportivos de TV por assinatura, além de plataformas digitais que exibem a partida com narração, comentários e acompanhamento em tempo real dos principais lances diretamente de Calcutá.
Quais são as escalações da Seleção Brasileira para o amistoso contra a Índia?
A Seleção Brasileira entra em campo com Pedro Morisco; Matheuzinho, Marquinhos, Arthur Dias e Douglas Santos; Danilo, Andrey Santos e Gabriel Bontempo; Estêvão, Pedro e Vini Júnior, formação com sete mudanças em relação ao amistoso anterior e desenho tático com três jogadores no meio-campo.
Qual foi o placar da partida entre Brasil e Índia?
O placar da partida entre Brasil e Índia termina em 4 a 0 para a Seleção Brasileira, com dois gols de Samuel Lino, um gol de Estêvão e um gol de Pedro, consolidando a superioridade técnica do time de Carlo Ancelotti no amistoso em Calcutá.
Quem marcou os gols na vitória do Brasil contra a Índia?
Os gols da vitória do Brasil por 4 a 0 contra a Índia são marcados por Estêvão, que abre o placar no primeiro tempo, por Pedro, que amplia antes do intervalo, e por Samuel Lino, autor de dois gols na etapa final, aproveitando falhas recorrentes da defesa indiana.
Como foi a atuação do Brasil no amistoso contra a Índia?
A atuação do Brasil no amistoso contra a Índia é segura no placar, mas morna em desempenho, com domínio territorial e técnico, pouco ritmo, brilho pontual de jovens como Estêvão e Samuel Lino e um segundo tempo marcado por dez substituições que reforçam o caráter de laboratório do jogo.


