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Esporte

Briga com 51 expulsões e título invicto marcam Mineiro Sub-20

Semifinal da 2ª divisão do Mineiro Sub-20 em Uberlândia termina em pancadaria e 51 expulsões, enquanto Atlético conquista Mineiro Feminino Sub-20 invicto com goleada sobre o Cruzeiro.

Briga com 51 expulsões e título invicto marcam Mineiro Sub-20

Campeonato Mineiro

Semifinal da segunda divisão do Sub-20 tem 51 expulsões; Atlético vence Mineiro Feminino Sub-20 sem perder uma partida.

Leia também: Mirassol x Chapecoense: escalações e onde assistir hoje às 19h30

Uma briga generalizada entre Uberlândia e Mamoré na semifinal da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro Sub-20, no Parque do Sabiá, em Uberlândia, terminou com 51 expulsões e registro de boletim de ocorrência, no mesmo dia em que o Atlético conquistou de forma invicta o Campeonato Mineiro Feminino Sub-20 ao golear o Cruzeiro por 5 a 2 na Arena Gregorão, em Contagem.

Como foi o jogo do Mineiro Sub-20 que teve 51 expulsões?

O duelo entre Uberlândia e Mamoré pelo Módulo 2 do Campeonato Mineiro Sub-20 terminou em pancadaria, 51 expulsões e encerramento antecipado por falta de segurança. Em campo, o Mamoré vencia por 3 a 1 quando o caos tomou conta do Parque do Sabiá.

A confusão começa aos 54 minutos do segundo tempo, já nos acréscimos, após o terceiro gol do Mamoré. Na comemoração, o jogador Davi Fernandes Bittencourt se volta para o banco do Uberlândia e provoca com xingamentos pesados: “Aqui é Mamoré, vai tomar no c* por*! Chupa! Vai se fu@!”. A reação é imediata.

De acordo com a súmula, o preparador de goleiros do Uberlândia, Paulo Sérgio Dias dos Santos, invade o gramado e empurra Davi. Em segundos, jogadores das duas equipes, membros das comissões técnicas e até gandulas passam a trocar socos, chutes e empurrões ao lado do banco de reservas do time da casa. Macas, cadeiras e outros objetos são arremessados.

O árbitro Fernando Patrick Drosghic Modesto relata que seis gandulas participam das agressões, inclusive contra atletas e integrantes da comissão técnica do Mamoré. Sem condições de continuar o jogo, ele decide encerrar a partida e registra em súmula 48 expulsões ligadas diretamente à briga generalizada, além de outras três expulsões por lances anteriores, totalizando 51 cartões vermelhos — 22 do Uberlândia e 29 do Mamoré.

Em documento oficial, o árbitro explica: “Informo que, no momento em que faria a apresentação dos cartões vermelhos ao atleta de número 02 do Mamoré e o preparador de goleiros do Uberlândia, aos 54 minutos do segundo tempo, houve início à briga generalizada, impossibilitando a apresentação dos cartões vermelhos e a realização do protocolo de encerramento da partida”.

Com a bola rolando, o Mamoré vence por 3 a 1 e abre vantagem na semifinal, com o segundo jogo marcado para Patos de Minas. A tendência é que o Tribunal de Justiça Desportiva de Minas Gerais e a Federação Mineira de Futebol analisem as imagens, a súmula e os boletins de ocorrência antes de definir possíveis punições e a continuidade do confronto.

O que causou a briga generalizada no jogo do Mineiro Sub-20 da 2ª Divisão?

A origem da briga está no terceiro gol do Mamoré e na provocação feita por Davi Fernandes Bittencourt ao banco do Uberlândia. A partir dali, o jogo se transforma em um caso extremo de indisciplina, envolvendo atletas, comissões e até funcionários de apoio.

O gol que sela o 3 a 1 sai já nos acréscimos. Enquanto os jogadores do Mamoré comemoram, Davi deixa o gramado e se dirige ao banco da equipe rival, com gestos e ofensas. Irritado, o preparador de goleiros do Uberlândia invade o campo, corre em direção a Davi e o empurra, dando o estopim para uma correria generalizada.

Relatos da arbitragem apontam que, além dos atletas que saem do banco de reservas, seis gandulas também entram na confusão, com socos, chutes e objetos arremessados contra jogadores e integrantes da comissão técnica do Mamoré. O tumulto se espalha pelo entorno do banco do Uberlândia e a situação sai do controle.

Antes mesmo da briga final, o clima já era tenso. Aos 8 minutos do segundo tempo, após uma expulsão de jogador do Uberlândia, dirigentes do clube haviam invadido o gramado para reclamar da arbitragem, com ofensas e ameaças, o que prolonga a paralisação da partida por cerca de 40 minutos.

Ameaças ao árbitro e depredação de vestiário

O árbitro Fernando Patrick relata na súmula que dirigentes do Uberlândia invadem o campo em ao menos duas ocasiões. Na primeira, liderados por Fábio Mineiro, eles cercam a equipe de arbitragem após um cartão vermelho aplicado ao time da casa, no início do segundo tempo.

Nesse momento, segundo o relato, Fábio Mineiro se dirige ao árbitro com ameaças diretas: “Você nunca mais vai apitar. Eu vou fazer de tudo para que você não trabalhe mais. Eu posso parar, mas vocês também irão parar”.

Em seguida, o gerente de futebol Willer Francisco Silva adota tom ainda mais agressivo: “Vou te socar, você não vai sair daqui. Quero ver se você vai sair escoltado. Vem pra mão, vou pegar você lá fora, vai ser só eu e você, filho da puta, vontade de te matar, seu merda”.

Diante das ameaças, Fernando Patrick deixa registrado que faz um boletim de ocorrência contra Willer. A Polícia Militar é acionada para garantir a saída da equipe de arbitragem do estádio e conter os ânimos nos bastidores.

Após o jogo, o diretor de futebol do Uberlândia, Bernardo Lage, informa à arbitragem que o vestiário ocupado pelo Mamoré é depredado. O relatório descreve danos a 14 portas, pias, torneiras, vasos sanitários, chuveiros, instalações elétricas, móveis e duas banheiras de hidromassagem. A PM constata os estragos e um novo boletim de ocorrência é registrado.

Consequências e impacto no futebol de base mineiro

O episódio com 51 expulsões supera, em número, o jogo listado como recorde em livros de registros, que apontam 36 cartões vermelhos em uma única partida. Embora o reconhecimento oficial desse novo marco dependa de critérios externos, o fato já entra para a história como um dos casos mais graves de indisciplina em competições de base.

Na prática, Uberlândia e Mamoré podem sofrer punições pesadas do Tribunal de Justiça Desportiva, que vão de suspensões individuais de atletas e dirigentes a multas, perda de mando de campo e até possível alteração do resultado ou da continuidade da semifinal da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro Sub-20.

O caso expõe um problema crônico na formação de jovens jogadores e comissões técnicas: a repetição de comportamentos violentos e de intimidação contra árbitros, inclusive com participação de dirigentes, em um ambiente que deveria ser pedagógico. Árbitros e assistentes, por sua vez, relatam sensação de insegurança para trabalhar em jogos da base, mesmo com presença policial.

A Federação Mineira de Futebol deve reforçar protocolos de segurança para os próximos jogos do Campeonato Mineiro Sub-20, com atenção especial ao confronto de volta da semifinal em Patos de Minas. A discussão sobre educação, controle emocional e responsabilidade de adultos na formação de atletas volta ao centro do debate.

Atlético é campeão mineiro feminino sub-20 com goleada e campanha perfeita

Enquanto o futebol de base masculino convive com um episódio de extrema violência, o futebol feminino vive um momento oposto em Minas. No mesmo domingo, o Atlético conquista o Campeonato Mineiro Feminino Sub-20 com uma campanha impecável e goleada sobre o Cruzeiro por 5 a 2, na Arena Gregorão, em Contagem.

As Vingadoras fecham o torneio com 6 vitórias em 6 jogos, 100% de aproveitamento, 37 gols marcados e apenas 2 sofridos. A equipe ainda soma 5 partidas sem levar gols e atinge média de 6,17 gols marcados por jogo, um domínio raro em competições estaduais de base. A artilheira do campeonato é Amaral, com 7 gols.

Na final, o Atlético vai para o intervalo em desvantagem, perdendo por 2 a 1, mas volta avassalador no segundo tempo. Ludy, Kailaine (Kaká), Emylle, Shay e Vitória Rocha marcam os gols que viram o placar e garantem a taça para o time alvinegro.

O técnico Leandro Formigoni destaca o peso da conquista para o projeto de base do clube. “Estou muito feliz com esse título. Acho que não podia ser diferente. De ponta a ponta, desde a primeira rodada, fizemos a melhor campanha. Jogar em nossa casa, no Gregorão, fez a diferença, principalmente pela presença da torcida. As atletas se entregaram em um jogo difícil. Fomos para o intervalo perdendo por 2 a 1 e conseguimos ajustar a equipe. Mas acho que o principal foi que não faltaram vontade e luta. Graças a Deus, conquistamos mais esse título para o Galo”, afirma.

Formigoni também projeta o impacto direto no time profissional. “Esse título é muito importante para o Galo. Com essa volta da base, além de formar, precisamos vencer. Com certeza, vamos contribuir para fortalecer o profissional, para que algumas meninas possam subir no ano que vem e ajudar ainda mais o nosso futebol feminino”, diz o treinador.

Entenda o contexto

Os dois cenários em Minas Gerais expõem caminhos opostos do futebol de base. De um lado, o Campeonato Mineiro Sub-20 da Segunda Divisão vira símbolo de crise disciplinar, com pancadaria, 51 expulsões, vestiário depredado e ameaças a árbitro, episódio que pode gerar punições duras a Uberlândia e Mamoré e colocar em xeque a imagem da competição masculina.

De outro, o Campeonato Mineiro Feminino Sub-20 consolida o Atlético como referência na formação de jogadoras, com desempenho avassalador, estrutura e investimento, o que tende a atrair mais apoio para o futebol feminino e ampliar a ponte entre a base e o time principal. Entre a violência em Uberlândia e a festa em Contagem, o recado é claro: a forma como clubes, dirigentes e comissões técnicas conduzem a base hoje define o futuro do futebol mineiro nas próximas gerações.