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Economia

Caixa Seguridade CXSE3 sobe 20% com novo preço-alvo da XP

XP eleva preço-alvo de Caixa Seguridade (CXSE3) para R$ 25 até o fim de 2027, projeta dividend yield de 7,6% e lucro de até R$ 5,2 bi, apesar do impacto da greve da Caixa.

Caixa Seguridade CXSE3 sobe 20% com novo preço-alvo da XP

Mercado Financeiro

XP ajusta preço-alvo da Caixa Seguridade, destacando potencial de dividendos e lucro até 2027 mesmo com desafios recentes.

Leia também: R$ 5,79 bi em valores a receber: saiba como resgatar agora

A Caixa Seguridade (CXSE3) atravessa a paralisação da Caixa Econômica Federal e a interrupção temporária do crédito imobiliário mantendo a rota de crescimento: relatório divulgado nesta quinta-feira (15) por analistas da XP Investimentos elevou o preço-alvo da ação de R$ 20 para R$ 25 até o fim de 2027, o que embute potencial de valorização de cerca de 20%, além de dividendos considerados robustos.

Qual o preço-alvo atualizado para as ações da Caixa Seguridade (CXSE3)?

O novo preço-alvo para as ações da Caixa Seguridade (CXSE3) é de R$ 25 ao fim de 2027, o que representa um potencial de alta em torno de 20% sobre a cotação atual de R$ 21,20. A ação acumula valorização de 57,67% nos últimos 12 meses, período em que distribuiu R$ 1,26 em proventos, com dividend yield de 6,47%.

A companhia vale hoje R$ 63,60 bilhões na B3 e tem patrimônio de R$ 13,79 bilhões. Nos últimos 12 meses, lucrou R$ 4,52 bilhões, negocia a um múltiplo preço/lucro (P/L) de 14,06 e preço/valor patrimonial (P/VP) de 4,61, números que ajudam a explicar o interesse de investidores que buscam renda com dividendos.

No relatório, assinado por Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, a XP projeta lucro líquido de R$ 4,6 bilhões em 2026 e R$ 5,2 bilhões em 2027, altas estimadas de 1,8% e 5,1%, respectivamente. Para 2027, o dividend yield esperado é de 7,6%, tomando como base o preço de tela da ação.

Como a greve da Caixa impactou as vendas da Caixa Seguridade?

A paralisação dos funcionários da Caixa Econômica Federal, iniciada em 10 de setembro, e a suspensão temporária do crédito imobiliário no início de julho devem provocar um baque relevante nas vendas da Caixa Seguridade no terceiro trimestre, especialmente no seguro prestamista atrelado aos financiamentos. A projeção é de queda de cerca de 40% nos prêmios desse produto no período.

Mesmo assim, a XP estima que o lucro líquido da holding de seguros some R$ 1,161 bilhão no terceiro trimestre, crescimento de 2% em relação ao mesmo intervalo do ano passado e também frente ao trimestre imediatamente anterior. Segundo os analistas, isso só é possível porque a empresa conta com uma base de prêmios recorrentes cada vez maior e mantém níveis de sinistralidade (percentual de sinistros sobre o prêmio arrecadado) considerados saudáveis. “Ainda assim, uma base crescente de prêmios recorrentes e uma sinistralidade benigna devem manter os lucros em trajetória de alta”, escrevem.

O seguro habitacional, diretamente ligado ao crédito imobiliário, aparece como um dos motores da retomada. A expectativa é de avanço de 14% nos prêmios emitidos nesse segmento, beneficiando-se da normalização gradual das operações do banco estatal e do apetite estrutural por moradia financiada no país.

Entenda o contexto

A Caixa Seguridade é a holding que concentra as operações de seguros, previdência e capitalização da Caixa Econômica Federal. Os produtos – que vão de seguros de vida e habitacional a previdência complementar e títulos de capitalização – são distribuídos pela malha de agências, correspondentes e lotéricas do banco, num modelo de bancassurance que usa a capilaridade da Caixa para alcançar milhões de clientes.

Esse desenho torna a companhia diretamente exposta ao dia a dia operacional da Caixa. Greves prolongadas ou mudanças na política de crédito, como a interrupção temporária nas concessões imobiliárias em julho, reduzem o fluxo de novas vendas de seguros atrelados aos financiamentos, caso do prestamista e do habitacional. Ao mesmo tempo, a grande base de clientes e contratos recorrentes suaviza os solavancos de curto prazo.

Como a greve da Caixa afetou a perspectiva para as ações?

Para a XP, os efeitos da greve e da pausa no crédito imobiliário são relevantes, mas concentrados no curto prazo e não mudam a fotografia estrutural da Caixa Seguridade. A avaliação é que, depois de um terceiro trimestre mais fraco em volumes, a companhia deve retomar a trajetória de crescimento, apoiada principalmente no crédito imobiliário e na maior contribuição das operações de seguros e previdência contabilizadas por equivalência patrimonial.

Os analistas também chamam atenção para o peso da carteira de títulos prefixados da empresa. “A carteira de títulos prefixados da companhia, com rendimento de aproximadamente 13% ao ano, deve apresentar desempenho superior ao CDI em um cenário de queda dos juros”, afirmam. Essa renda financeira tende a compensar parte da perda temporária de corretagem e reforçar o resultado financeiro em um ambiente de Selic em queda.

A eventual continuidade do ciclo de cortes na taxa básica abre espaço adicional para o seguro prestamista. A XP trabalha com a possibilidade de a penetração desse produto, hoje em torno de 25% das operações elegíveis, subir para um patamar entre 40% e 50% nos próximos anos, à medida que o crédito imobiliário fique mais barato e o volume de contratações cresça.

Quais meses a Caixa Seguridade (CXSE3) paga dividendos?

No último ano, a Caixa Seguridade pagou dividendos em quatro meses: janeiro, maio, agosto e novembro, somando R$ 1,26 por ação e resultando em um dividend yield de 6,47% no período de 12 meses. A empresa é vista no mercado como um papel de perfil pagador de proventos, o que atrai investidores de renda.

Para frente, a XP projeta manutenção de um patamar elevado de distribuição, com dividend yield estimado em 7,6% em 2027, caso as premissas de lucro de R$ 5,2 bilhões se confirmem. Essa combinação de crescimento moderado de lucro com payout robusto está no centro da tese de investimento apresentada pela corretora.

Modelo de negócios e diferencial da rede Caixa

A Caixa Seguridade opera como uma empresa de médio porte na bolsa, mas com um canal de vendas de gigante. A rede da Caixa – que inclui agências, lotéricas e correspondentes – é tratada por analistas como um dos principais diferenciais competitivos da holding, por permitir distribuição em massa de produtos de seguros e previdência a um público amplo, inclusive de baixa renda.

Para a XP, essa estrutura continuará sustentando a originação de produtos ligados ao crédito imobiliário mesmo após o fim da paralisação. “Combinada à exigência de entrevistas presenciais, essa dinâmica deve continuar sustentando a originação de produtos relacionados ao crédito imobiliário”, escrevem os analistas, em referência ao modelo de atendimento que favorece a oferta cruzada de seguros.

No relatório, a corretora destaca ainda que a Caixa Seguridade se consolida como uma das principais empresas do setor de seguros, previdência e capitalização no país, aliando eficiência operacional, diversificação de receitas e forte geração de caixa. A tese é de que, superado o choque da greve, a companhia deve seguir ampliando sua base de prêmios e lucros.

Projeções e próximos passos

O cenário traçado pela XP para os próximos anos é de crescimento gradual, com lucros projetados de R$ 4,6 bilhões em 2026 e R$ 5,2 bilhões em 2027, além de retorno consistente ao acionista via dividendos. “A paralisação dos funcionários da Caixa Econômica Federal perdura desde o último dia 10 de setembro”, registram os analistas, mas sem mudar a recomendação otimista sobre o papel.

Do lado operacional, a expectativa é que, passada a paralisação, a Caixa Seguridade volte a intensificar a oferta de produtos pela rede da Caixa e aproveite a melhora das condições de crédito num ambiente de juros menores. Do lado do mercado, a reação tende a acompanhar a confirmação das projeções de lucro e dividendos, reforçando a posição de CXSE3 como um ativo estratégico dentro do setor financeiro brasileiro.

Fontes: Investidor10 · Money Times · Suno – Investimentos Inteligentes