Colóquio em SP debate soberania digital e futuro da IA até 28/10
Encontro de 3 dias da Cátedra Danilo Doneda reúne especialistas no IDP São Paulo para discutir soberania digital, inteligência artificial, proteção de direitos e disputas geopolíticas.
Inteligência Artificial
Especialistas se reúnem em São Paulo para discutir desafios e oportunidades da soberania digital e da inteligência artificial.
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O Colóquio Internacional da Cátedra Danilo Doneda 2026 — Soberania Digital começou nesta segunda-feira (26) no IDP São Paulo, reunindo especialistas brasileiros e estrangeiros para discutir como o controle das infraestruturas digitais e o avanço da inteligência artificial impactam direitos fundamentais, democracia, economia e meio ambiente.
Evento foca em autonomia tecnológica e direitos
Ao longo de três dias, até quarta-feira (28), o encontro promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) discute soberania digital, disputas geopolíticas da tecnologia e caminhos para fortalecer a autonomia dos países diante de grandes plataformas e serviços em nuvem.
A abertura do colóquio tem a participação de Laura Schertel Mendes, Renata Mielli e Rodolfo Avelino, que conduzem os primeiros debates sobre controle de infraestrutura, regulação da inteligência artificial e proteção de direitos no ambiente online.
Entenda o contexto
O conceito de soberania digital ganha peso em meio à dependência crescente de serviços estrangeiros de computação em nuvem, redes de telecomunicações e grandes plataformas digitais. No centro da discussão estão temas como controle sobre dados pessoais, transparência de algoritmos, concentração econômica e riscos de que decisões tecnológicas estratégicas fiquem nas mãos de poucas empresas globais.
O colóquio busca justamente aproximar pesquisadores, formuladores de políticas públicas e sociedade civil para discutir modelos de governança que preservem direitos fundamentais, reduzam assimetrias de poder e considerem os impactos ambientais das infraestruturas digitais.
Quais são os destaques da programação?
Um dos principais nomes da programação é o professor Edoardo Celeste, da Dublin City University, na Irlanda. Ele ministra duas aulas magnas ao longo do evento: “Em Busca da Soberania: Constitucionalismo Digital e Desafios Geopolíticos” e “Soberania Digital Sustentável? O Impacto Ambiental das Estratégias Tecnológicas”.
Nas apresentações, Celeste discute os desafios jurídicos e políticos da autonomia tecnológica, o papel das constituições na era digital e os custos ambientais de data centers, redes e serviços baseados em computação em nuvem. A proposta é refletir sobre como países e instituições podem ampliar sua capacidade de decisão sobre tecnologias, dados e serviços digitais sem abrir mão da proteção de direitos e da sustentabilidade.
O professor também participa do painel “Caminhos para a Soberania Digital: IA, Data Centers e Infraestrutura”, que reúne Samara Castro, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom); Carlos Affonso Souza, do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio); Rodolfo Avelino, do CGI.br; e Tica Moreno, da Marcha Mundial das Mulheres, com mediação de Cynthia Picolo, do Laboratório de Pesquisa em Políticas Públicas e Internet (Lapin).
Outro debate coloca em foco a relação entre soberania digital, inteligência artificial e proteção de dados pessoais, com Laura Schertel Mendes e Bruno Bioni discutindo desafios regulatórios, riscos de vigilância e uso massivo de dados para treinar sistemas de IA.
A programação inclui ainda uma mesa sobre capitalismo digital e os impactos do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) no Brasil, conduzida por Rodolfo Avelino e Mônica Fujimoto, abordando proteção de crianças e adolescentes em plataformas, publicidade direcionada e responsabilização de empresas.
Pesquisas tratam de nuvem, plataformas e comunidades
O colóquio abre espaço para a apresentação de trabalhos selecionados por edital da Cátedra Danilo Doneda, cobrindo temas que vão da infraestrutura digital pública à realidade de comunidades ribeirinhas.
Entre os assuntos abordados estão dependência tecnológica em contratos de computação em nuvem, modelos de responsabilização de plataformas, iniciativas de protagonismo tecnológico em territórios tradicionais, governança da inteligência artificial e o uso de obras literárias no treinamento de modelos generativos.
Outros estudos tratam de combate à desinformação e integridade eleitoral, em um momento em que a circulação de conteúdos manipulados e o uso político de algoritmos preocupam tribunais eleitorais, órgãos de comunicação e pesquisadores de democracia digital.
As sessões de apresentação são mediadas por Paula Pedigoni Ponce, Ramon Costa, Andrea Gobbato e Juliana Oms, que ajudam a conectar os achados acadêmicos a desafios concretos de formulação de políticas públicas e regulação.
Impactos esperados e próximos passos
Embora seja um evento acadêmico em formato fechado, com participação gratuita, o colóquio mira desdobramentos práticos. A expectativa entre organizadores e participantes é que as discussões sobre soberania digital, IA e infraestruturas críticas alimentem propostas de regulação da inteligência artificial, estratégias de computação em nuvem no setor público, políticas de dados pessoais e iniciativas de sustentabilidade ambiental no setor de tecnologia.
A presença de especialistas como Edoardo Celeste e de representantes de governo, academia e sociedade civil tende a fortalecer a articulação internacional do debate, abrindo espaço para cooperação entre instituições brasileiras e estrangeiras.
As recomendações e diagnósticos produzidos ao longo dos três dias devem servir de insumo para órgãos públicos, reguladores e pesquisadores interessados em equilibrar autonomia tecnológica, proteção de direitos fundamentais e redução de impactos ambientais nas próximas etapas da agenda digital brasileira.
