Convocado por Ancelotti, Alisson Santana leva Nação Araquari à vitrine
Atacante do Shakhtar Donetsk, revelado no modesto e itinerante Nação Araquari, vira símbolo da força dos pequenos na formação ao ser chamado por Ancelotti para a Seleção Brasileira.

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Alisson Santana destaca a importância das bases modestas ao ser convocado para a Seleção Brasileira por Ancelotti.
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Convocado nesta semana por Ancelotti para a Seleção Brasileira, o atacante Alisson Santana, do Shakhtar Donetsk, recoloca o modesto e itinerante Nação Araquari, de Santa Catarina, no mapa do futebol nacional e reforça o peso dos pequenos na revelação de talentos.
De Cachoeirinha ao Shakhtar: a rota nada óbvia até a Seleção
Gaúcho de Cachoeirinha e hoje com 21 anos, Alisson Santana recebeu a primeira grande chance nas categorias de base do Nação Araquari, ainda no sub-15. O clube nasceu em 1º de setembro de 2018, em Joinville, com foco declarado na formação de jovens, e desde então já migrou entre Joinville, Canoinhas e Araquari, modelo que lhe rendeu o rótulo de clube itinerante.
Revelado aos 13 anos pelo Nação, Alisson chamou atenção ao conquistar a Copa Santa Catarina Sub-15 em 2019. A boa campanha abriu portas na base do Atlético-MG, onde o ponta se consolidou até ser negociado, aos 19 anos, com o Shakhtar Donetsk, em 2024, por cerca de 14 milhões de euros — algo em torno de 88 milhões de reais na época, em uma das maiores vendas da história do clube mineiro.
No Shakhtar, o brasileiro virou peça-chave. Na temporada passada, somou 26 jogos, 7 gols e 8 assistências, participando diretamente de 15 gols. Na atual, já acumula 12 partidas, com 3 gols e 4 assistências, desempenho que pesou na convocação para a próxima Data Fifa.
Entenda o contexto
A lista de Ancelotti para os próximos compromissos da Seleção Brasileira inclui Alisson como uma das novidades. O atacante já havia vestido a camisa amarelinha no Sul-Americano Sub-20, em 2025, quando marcou um gol, mas agora chega ao grupo principal impulsionado pelos jogos de destaque na Champions League e pelo protagonismo no futebol ucraniano.
O currículo do jovem inclui ainda o título da Copa da Ucrânia na temporada 2024/25, dois Campeonatos Mineiros, além de vice-campeonatos na Libertadores e na Copa do Brasil. Com a chamada de Ancelotti, Alisson ganha a chance de transformar o status de promessa em realidade na Seleção principal.
Nação Araquari ganha vitrine nacional
A convocação tem impacto direto em Santa Catarina. Fundado há poucos anos, com orçamento enxuto e estrutura modesta, o Nação Araquari vê o nome rodar o país como clube formador de um atacante da Seleção. A agremiação, que já disputou a elite do Campeonato Catarinense e hoje está na segunda divisão estadual, ostenta o selo de “Clube Formador da CBF” e passou recentemente por turbulências em campo, com campanhas discretas na Segundona e na Copa Santa Catarina.
Agora, o discurso interno é de aproveitar o momento para atrair investimento, patrocínios e novos talentos para a base. A história de Alisson funciona como vitrine e argumento para convencer famílias e jovens jogadores de que é possível sair de um clube itinerante e chegar à Europa e à Seleção.
O modelo do Nação, que treina em Joinville e tem projeto administrativo sediado em Araquari após rodar pelo interior catarinense, foge do padrão dos grandes centros, mas ganha peso com o sucesso de seu principal egresso.
Visita na férias e gratidão ao clube que revelou
Durante as férias europeias deste ano, antes da convocação de Ancelotti, Alisson voltou ao Nação para rever a comissão técnica e conversar com os meninos da base. O reencontro reforçou o vínculo afetivo com o clube que o lançou.
“Eu era muito novo, desfrutei de cada momento que eu tive aqui. Vim eu e alguns amigos da minha cidade também, fomos vitoriosos aqui. Fiz muitos amigos por aqui, tenho muita gratidão com o clube”, afirmou o atacante do Shakhtar Donetsk em visita recente à estrutura do Nação.
No dia a dia do clube catarinense, o nome de Alisson é usado como exemplo em palestras e treinos. Garotos que hoje sonham em repetir o caminho do ídolo veem na convocação a prova prática de que uma carreira pode começar longe dos grandes centros, em campos compartilhados e estruturas simples.
Convocação muda o jogo para clubes formadores
No cenário nacional, a presença de Alisson na lista da Seleção pressiona, na prática, a forma como os grandes clubes olham para a base. A ascensão de um jogador vindo de um projeto pequeno e itinerante tende a estimular olheiros a ampliar o mapa de observação para além dos tradicionais polos de Rio, São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul.
Para clubes como o Nação Araquari, o ganho é duplo: prestígio esportivo e potencial financeiro. Vendas futuras de atletas formados no clube podem incluir mecanismos de solidariedade e percentuais de revenda, fortalecendo o caixa a cada transferência internacional. A história de Alisson, negociado por cifras milionárias e agora na Seleção, eleva a percepção de valor sobre jogadores vindos de contextos semelhantes.
Do outro lado, instituições tradicionais se veem desafiadas a qualificar ainda mais os departamentos de captação para não perder talentos que despontam em mercados periféricos. A tendência é de maior competição por jovens promessas e de um debate renovado sobre o papel dos clubes formadores na cadeia do futebol brasileiro.
Enquanto isso, Alisson entra na primeira convocação com a missão de transformar números de destaque no Shakhtar em minutos consistentes com a camisa da Seleção — e, se confirmar o potencial, pavimentar o caminho para voos ainda mais altos no futebol europeu.

