Datafolha testa fôlego de Lula e Flávio no 2º turno
Datafolha entrevista 2.520 eleitores entre 13 e 15 de outubro para medir cenário do segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro e avaliar governo, rejeição e temas sensíveis.
Pesquisa Eleitoral
Levantamento revela intenções de voto e avaliação do governo no confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O Datafolha entra em campo nesta semana para testar o fôlego de Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno presidencial, em uma pesquisa que mira o coração da disputa de 2026. O instituto quer medir não só quem lidera a corrida, mas também o humor do país diante de um cenário político cada vez mais polarizado.
Retrato decisivo da eleição de 2026
O levantamento, que prevê 2.520 entrevistas presenciais em todo o Brasil entre os dias 13 e 15 de outubro, tem divulgação marcada para a noite de quinta-feira. A pesquisa é a segunda rodada do Datafolha neste segundo turno e custa R$ 384,5 mil, com margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
O instituto abre o questionário com a principal pergunta da campanha: “Se o segundo turno da eleição fosse hoje, em quem você pretende votar para presidente da República?”. A resposta é espontânea, sem lista de nomes. Em seguida, o pesquisador apresenta Lula e Flávio Bolsonaro, além da opção de voto branco, nulo ou em nenhum dos dois, e pede que o eleitor reafirme sua escolha.
A pesquisa ganha peso político imediato porque acontece em meio a duas forças opostas. De um lado, a campanha de Lula promove um freio de arrumação e muda o tom da comunicação para tentar reduzir a rejeição e recuperar eleitores indecisos. De outro, Flávio Bolsonaro exibe uma sequência de apoios, que inclui Ratinho Jr., candidatos de direita derrotados no primeiro turno e o Centrão, em uma tentativa de consolidar uma frente ampla conservadora.
Voto decidido, rejeição e avaliação do governo
Depois de apurar a intenção de voto, o Datafolha quer saber se o eleitor está convicto. O questionário investiga se a escolha já está decidida ou se ainda pode mudar, além de perguntar os motivos da preferência. O instituto quer saber se o voto em Lula ou em Flávio nasce da confiança no candidato ou da vontade de derrotar o adversário.
Outro bloco mira a rejeição, ponto sensível para as duas campanhas. Os entrevistados respondem se votariam com certeza, talvez votariam ou não votariam de jeito nenhum em cada um dos candidatos. A combinação entre intenção de voto, fidelidade à escolha e rejeição desenha cenários de teto e de potencial de crescimento para Lula e Flávio.
O governo federal também entra no radar. O Datafolha mede a avaliação da gestão Lula, com notas que vão de ótimo a péssimo, e pergunta se o trabalho do presidente é aprovado ou reprovado. O resultado desse recorte é estratégico para os dois lados: para Lula, porque vincula diretamente sua imagem à disputa; para Flávio, porque alimenta o discurso de mudança.
Principais problemas do país e temas sensíveis
A pesquisa mergulha ainda nas preocupações do dia a dia. O instituto pede que o entrevistado aponte o principal problema do Brasil, oferecendo opções como saúde, educação, economia, desemprego, fome e miséria, violência e segurança pública, inflação, salários, habitação, corrupção e questões sociais. A lista serve de termômetro para calibrar promessas e prioridades de campanha.
O Datafolha testa também a temperatura de propostas em discussão no país. O questionário aborda a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, a criação de mandato fixo para ministros do Supremo Tribunal Federal, a exigência de decisões colegiadas em temas importantes do tribunal e a redução do foro privilegiado para autoridades acusadas de crimes. Os entrevistados indicam se são favoráveis, contrários ou indiferentes a cada ponto.
Essas respostas ajudam a mapear onde o eleitorado se alinha mais com a agenda da direita ou da esquerda. Flávio Bolsonaro tende a explorar com mais força pautas punitivistas e de endurecimento institucional; Lula, por sua vez, procura equilibrar o discurso de defesa da democracia com sinais de sensibilidade social, sobretudo em temas como fome, salários e serviços públicos.
Democracia, polarização e memória de voto
O Datafolha também tenta capturar o clima político mais amplo. Os entrevistados respondem se consideram que o Brasil vive uma democracia plena, uma democracia com pequenos ou grandes problemas, ou se o país não é uma democracia. Outra pergunta investiga se o Brasil é visto como uma sociedade politicamente polarizada ou se ainda há espaço para diálogo e respeito entre opiniões diferentes.
O instituto reconstrói a trajetória recente do eleitor. O questionário pergunta o voto no primeiro turno de 2026 e, para quem tem 20 anos ou mais, a escolha no segundo turno presidencial de 2022. Também quer saber se o entrevistado ou alguém da casa recebe o Bolsa Família e em que ponto de uma escala política ele se coloca, entre bolsonarista e petista.
Essas informações permitem cruzar o desempenho atual de Lula e Flávio com a fidelidade de seus redutos tradicionais e com a migração de votos desde o primeiro turno. A análise interessa diretamente a candidatos de direita derrotados e ao próprio Centrão, que aposta em Flávio e observa se sua base de apoio se traduz em intenção de voto real.
Abstenção, mobilização e o tabuleiro até o dia 25
A etapa final da pesquisa olha para a disposição de ir às urnas, um fator decisivo em disputas apertadas. O Datafolha pergunta: “No dia 25 de outubro acontecerá o segundo turno das eleições, você diria que pretende ir votar, não pretende ir votar ou ainda não decidiu?”. Para quem pensa em faltar ou está em dúvida, o questionário investiga os motivos.
Esse dado é disputado voto a voto. A campanha de Flávio Bolsonaro tenta transformar rejeição a Lula em abstenção entre eleitores de esquerda desanimados. A de Lula mira bolsões de baixa participação, onde programas sociais e discurso pró-democracia podem reanimar o comparecimento.
O resultado, previsto para a noite de quinta-feira, deve provocar uma reação em cadeia. QGs de campanha tendem a reescrever roteiros de programas eleitorais, ajustar agendas de rua e redefinir o alvo da propaganda negativa. Líderes do Centrão, governadores aliados e candidatos derrotados recalculam posições à luz dos novos números.
Até o dia 25, quando o país volta às urnas para escolher o próximo presidente, cada ponto percentual medido pelo Datafolha vira insumo para decisões diárias. A pesquisa desta semana não encerra o jogo, mas redesenha o tabuleiro e indica quem entra na reta final em vantagem, quem depende de um último giro de narrativa e até onde o eleitor tolera mais quatro anos de continuidade ou de ruptura.
O que a nova pesquisa Datafolha para presidente 2026 mede?
A pesquisa Datafolha para presidente 2026 mede intenção de voto no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, rejeição aos dois, avaliação do governo Lula, principais problemas do país, opiniões sobre propostas políticas, percepção da democracia, grau de polarização, memória de voto e disposição do eleitor em comparecer às urnas.
Quando sai o resultado da pesquisa Datafolha para o segundo turno?
O resultado da pesquisa Datafolha para o segundo turno presidencial de 2026, com 2.520 entrevistas presenciais feitas entre os dias 13 e 15 de outubro, está previsto para ser divulgado na noite de quinta-feira, 15 de outubro, oferecendo um retrato atualizado da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.


