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Lançamentos de IA

Dell alerta: usar IA sem mudar gestão pode destruir valor já

Após quase dois anos usando agentes autônomos de IA internamente, Dell afirma que tecnologia sozinha não entrega resultado e que o verdadeiro diferencial é o conhecimento proprietário, que deve ser capturado e protegido.

Dell alerta: usar IA sem mudar gestão pode destruir valor já

Inteligência Artificial

Dell destaca que a simples adoção de IA, sem ajustes na gestão, pode comprometer resultados e destruir valor.

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A Dell Technologies está há quase dois anos operando agentes autônomos de inteligência artificial dentro da própria empresa e usa essa experiência para mandar um recado direto ao mercado: adotar IA sem mudar o modelo operacional tende a dar errado e destruir valor em vez de gerar ganhos.

Dell liga alerta sobre uso de IA sem reorganizar o trabalho

Em apresentação no Dell Technologies New York Symposium, nos Estados Unidos, o diretor global de tecnologia e de IA da companhia, John Roese, disse que muitas empresas tentam plugar modelos de IA aos processos existentes sem mexer na forma como pessoas, processos e tarefas estão organizados.

“Se você adotar tecnologia de IA mas não estiver disposto ou não puder mudar seu modelo operacional, vai administrar seu negócio como antes da IA, mas vai aplicar IA nele — você terá uma experiência ruim porque, ao aplicar agentes na sua empresa, está redistribuindo trabalho entre pessoas e máquinas”, afirmou Roese.

Segundo o executivo, quando agentes assumem uma parte do trabalho que antes era feita apenas por pessoas, toda a lógica de quem decide, quem executa e quem supervisiona precisa ser redesenhada. Sem isso, a empresa só adiciona custo e complexidade tecnológica a processos antigos.

Entenda o contexto

A Dell vem usando agentes autônomos em diferentes frentes internas há quase dois anos e transformou essa prática em vitrine para clientes globais. A experiência é apresentada como prova de que ganhos reais de produtividade, qualidade e inovação não nascem do modelo de IA escolhido, mas de uma mudança estrutural na operação.

Para reduzir a distância entre o discurso sobre IA e os resultados concretos, a companhia estruturou o que chama de AI Factory, uma abordagem que começa em pessoas e processos, e não na escolha de ferramentas. O objetivo é redesenhar fluxos de trabalho, definir onde humanos agregam mais valor e onde agentes podem assumir tarefas com segurança.

Conhecimento proprietário vira “combustível” dos agentes

O coração dessa transformação, de acordo com Roese, é a captura sistemática do conhecimento exclusivo da empresa. Em vez de depender apenas de dados genéricos ou públicos, a Dell mobiliza especialistas internos para traduzir práticas, regras de negócio e forma de trabalhar em arquivos de texto legíveis por máquinas, em formato Markdown.

Esses arquivos funcionam como “fichas de habilidades” que orientam o comportamento dos agentes autônomos em áreas como desenvolvimento de software, precificação de contratos e atendimento ao cliente.

“Quando você adiciona esse conhecimento ao trabalho que um agente está fazendo, em vez de operar genericamente, ele passa a operar com base nos vieses, parâmetros e regras que usamos para nos diferenciar, seja na codificação, precificação ou atendimento ao cliente”, explicou o diretor de IA da Dell.

Na prática, isso significa que dois agentes baseados em um mesmo modelo de IA podem entregar resultados completamente diferentes: o que carrega o “jeito Dell” de fazer as coisas replica decisões e padrões que a empresa considera estratégicos e que não aparecem em ferramentas abertas ou tutoriais públicos.

Agentes que aprendem e ampliam habilidades digitais

Outro ponto destacado por Roese é que os agentes da Dell não são estáticos. Conforme executam tarefas, eles constroem e refinam grafos de conhecimento — estruturas que relacionam informações, contextos e decisões — e, a partir daí, desenvolvem novas habilidades digitais.

Esse ciclo de melhoria contínua faz com que o acervo de conhecimento capturado da empresa fique cada vez mais valioso e sofisticado, porque passa a refletir não só o que os especialistas sabem hoje, mas também as experiências acumuladas pelos próprios agentes ao longo do tempo.

É essa combinação entre conhecimento proprietário e evolução constante que, segundo a Dell, sustenta ganhos duradouros em produtividade e qualidade. Empresas que apenas «plugam» modelos de IA em bases de dados genéricas, sem internalizar e proteger o seu saber específico, tendem a ver resultados superficiais e facilmente copiáveis pela concorrência.

Dell desaconselha terceirizar conhecimento estratégico

Ao mesmo tempo em que defende o uso de modelos de ponta e até de tecnologias abertas, a Dell faz um alerta sobre o risco de “entregar de bandeja” o que torna cada negócio único. A recomendação é clara: o conhecimento que diferencia a empresa precisa ser construído, mantido e governado internamente.

Roese argumenta que esse é o verdadeiro fosso competitivo em uma era em que ferramentas de IA se popularizam rapidamente. “O diferencial não são as ferramentas ou os modelos, mas o conhecimento especial que agora se manifesta em novas formas e captura o que você sabe e faz de diferente dos seus concorrentes”, disse.

Na prática, isso significa cautela ao treinar modelos externos com dados sensíveis, compartilhar detalhes de processos críticos com terceiros ou deixar que parceiros tecnológicos controlem a camada de conhecimento que alimenta os agentes.

Impacto para empresas e próximos passos

As mensagens vindas do simpósio em Nova York miram diretamente empresas que correm para adotar IA em escala, mas ainda operam com estruturas tradicionais. Para a Dell, quem não alinhar tecnologia com uma mudança organizacional profunda deve enfrentar frustração, projetos que não escalam e ceticismo interno em relação à IA.

Por outro lado, companhias que tratarem o conhecimento interno como ativo estratégico — capturando-o de forma estruturada, protegendo-o e usando-o para treinar agentes — tendem a construir vantagens mais difíceis de copiar, especialmente em setores intensivos em tecnologia e serviços personalizados.

A expectativa é que a Dell continue ampliando sua AI Factory e o uso de agentes autônomos em suas próprias operações, enquanto leva esse modelo a clientes globais. Do lado do mercado, as declarações de Roese devem alimentar discussões sobre governança de IA, segurança de dados e novos desenhos de trabalho em que humanos e máquinas dividem responsabilidades de forma planejada, e não improvisada.

Fonte: matéria original