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Economia

Como está a Avibras hoje após compra total dos irmãos Batista

Globe Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, adquire 100% da Nova AVB, dona dos ativos da Avibras, e leva grupo J&F ao coração da defesa brasileira.

22/08/2026 13:01 8 min de leitura
Como está a Avibras hoje após compra total dos irmãos Batista
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Globe Investimentos assume controle total da Nova AVB, fortalecendo a presença dos irmãos Batista no setor de defesa.

Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS e do grupo J&F, entram de vez na indústria de defesa ao comprar 100% da Nova AVB, holding que reúne os ativos industriais e tecnológicos da Avibras, em Jacareí, no interior de São Paulo. A operação, feita pela Globe Investimentos, ainda depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para ser concluída.

Indústria bélica ganha novo gigante financeiro

A aquisição coloca um dos grupos empresariais mais capitalizados do país no comando de uma empresa estratégica de defesa, que passou mais de três anos com atividades paralisadas e vive hoje uma retomada delicada. A Avibras não registrou qualquer faturamento em 2025, estava em recuperação judicial desde 2022 e só reabre a fábrica de Jacareí em maio deste ano.

No formulário apresentado ao Cade, a Globe define a compra como chance de entrar em um novo tabuleiro. “A aquisição da Avibras é uma oportunidade para o grupo entrar nos setores de defesa nacional e aeroespacial”, afirma a empresa. O documento acrescenta que “a operação representa uma oportunidade de ingressar nos setores de defesa nacional e aeroespacial e deve contribuir para a reestruturação e o fortalecimento dessas atividades no Brasil”.

O negócio envolve a integralidade das ações da Nova AVB, criada na reestruturação da companhia para concentrar fábricas, laboratórios e propriedade intelectual, enquanto a antiga estrutura societária permanece com dívidas na recuperação judicial. O valor pago não é divulgado, mas a transação é enquadrada como aquisição de controle e passa por análise concorrencial.

Da recuperação judicial à retomada em Jacareí

A entrada dos irmãos Batista no capital da Avibras não começa com a assinatura dessa compra. Antes de assumir o controle, Joesley participa de uma captação de R$ 300 milhões para financiar a retomada da empresa, coordenada pelo Fundo Brasil Crédito com investidores privados. Segundo o g1, “a captação ajudou a financiar a retomada das atividades da empresa após anos de dificuldades financeiras”.

Esse dinheiro permite religar parte da operação e preparar a volta da produção em Jacareí, no Vale do Paraíba. A unidade da Avibras Aeroco retoma as atividades em maio, recolocando em funcionamento uma indústria que fabrica o sistema de foguetes Astros e desenvolve o míssil tático de cruzeiro MTC-300, dois dos programas mais sensíveis da defesa brasileira.

A reabertura ocorre depois de uma greve de mais de três anos, que acompanha a crise de caixa e a judicialização das dívidas. Em 2025, o faturamento é zero. A criação da Nova AVB funciona como um “pára-raios” societário: os ativos industriais e tecnológicos migram para a nova empresa; os passivos permanecem na estrutura antiga, vinculada ao processo de recuperação.

Estratégia nacional e pressão por encomendas

A Avibras é classificada pelo governo como Empresa Estratégica de Defesa e participa de programas de interesse direto das Forças Armadas. A situação da companhia preocupa Brasília, que vê risco de perda de capacidade tecnológica caso a cadeia produtiva se desmonte. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita a fábrica em julho, promete ampliar encomendas e sinaliza apoio político à reestruturação. O vice-presidente Geraldo Alckmin fala em reabrir a unidade de Lorena, também no Vale do Paraíba.

O movimento do governo anima fornecedores e empregados, mas também expõe a dependência de contratos públicos para sustentar a produção. A entrada da J&F, com histórico de investimentos em setores intensivos em capital, como energia e mineração, surge como alternativa para reduzir a fragilidade financeira da companhia. No Cade, a Globe argumenta que a compra busca “preservar a capacidade tecnológica e industrial” e criar condições para o crescimento da Avibras no Brasil e no exterior.

O Parlamento acompanha a operação. A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara aprova requerimento para obter informações do Ministério da Defesa sobre a venda, a situação da empresa e as garantias de manutenção de empregos e tecnologia em território nacional. A preocupação é evitar desmonte de ativos estratégicos ou dependência de decisões de um único grupo privado.

Empregos, concorrência e impacto regional

Na prática, a presença dos irmãos Batista tende a acelerar a retomada de vagas em Jacareí e, se confirmada, a reabertura da planta em Lorena. A região do Vale do Paraíba vive expectativa de aquecimento em segmentos ligados à indústria bélica, como usinagem de precisão, eletrônica embarcada, logística e serviços de engenharia. A volta da Avibras também promete puxar a demanda de pequenos fornecedores, que sofrem diretamente com a paralisação prolongada.

Concorrentes nacionais e estrangeiros, por outro lado, passam a enfrentar um rival respaldado por capital abundante e acesso a crédito. A J&F já opera em alimentos, energia, mineração e serviços financeiros. Com a Avibras, amplia o alcance para um setor em que contratos costumam ser de longo prazo e valores bilionários, sempre atrelados a decisões de Estado.

A Avibras, em comunicado, adota tom de cautela e evita triunfalismo. “A Avibras continuará comunicando eventuais novos desdobramentos da operação”, informa a empresa, ao ressaltar que a transferência de controle ainda depende da aprovação do Cade. Internamente, o desafio é reconstruir confiança da base de funcionários após anos de greve, atrasos salariais e incertezas sobre o futuro.

O que vem agora para Avibras e J&F

A análise do Cade é o próximo marco. O órgão verifica se a entrada do grupo J&F na defesa pode afetar a concorrência em nichos como sistemas de artilharia e mísseis, embora hoje a presença da própria J&F nesse mercado seja nula. A expectativa, entre fontes do setor, é de um exame detalhado, mas sem grandes indícios de concentração, já que o principal efeito é a substituição de controle de uma companhia em recuperação.

Se o negócio for aprovado sem restrições, a Nova AVB passa oficialmente ao comando de Joesley e Wesley. A partir daí, o grupo precisará honrar promessas de investimento, recompor quadros, destravar projetos de pesquisa e desenvolvimento e negociar com o governo um cronograma previsível de encomendas. O sucesso da operação pode transformar a Avibras em plataforma de expansão internacional da J&F em defesa e aeroespaço. Um fracasso recolocaria a empresa no limbo, com custos políticos elevados para Brasília e para os novos donos.

No curto prazo, a retomada em Jacareí já muda a fotografia da indústria de defesa brasileira, que ganha um novo protagonista com caixa robusto. A pergunta que passa a dominar os bastidores não é mais se a Avibras sobrevive, mas que tamanho ela terá — e até onde os irmãos Batista querem ir em um setor que mistura negócio, geopolítica e soberania nacional.

Quem são os irmãos Batista que compraram a Avibras?

Joesley Batista e Wesley Batista são empresários que controlam o grupo J&F, dono da JBS, maior processadora de carnes do mundo, e atuam também em energia, mineração e serviços financeiros; agora, com a compra da Nova AVB via Globe Investimentos, ingressam diretamente no setor de defesa e aeroespacial.

Qual a importância da Avibras no setor de defesa brasileiro?

A Avibras é uma Empresa Estratégica de Defesa, sediada em Jacareí, responsável por sistemas como o lançador de foguetes Astros e o míssil tático de cruzeiro MTC-300, projetos centrais para a capacidade de artilharia e dissuasão do Exército brasileiro e para a autonomia tecnológica do país em defesa.

O que muda para a Avibras após a compra pelo grupo J&F?

A compra de 100% da Nova AVB pela Globe Investimentos, da J&F, troca o controlador da Avibras e adiciona um grupo com forte capacidade financeira, o que tende a consolidar a retomada das fábricas, acelerar investimentos em tecnologia, destravar encomendas governamentais e facilitar a reabertura de unidades como a de Lorena, ainda sujeita ao aval do Cade.

Quais produtos da Avibras estão envolvidos na aquisição pelos irmãos Batista?

A aquisição da Nova AVB leva para o controle dos irmãos Batista a estrutura industrial e tecnológica ligada a produtos como o sistema de foguetes Astros e o míssil tático de cruzeiro MTC-300, além de outros projetos de defesa de alta complexidade desenvolvidos nos laboratórios e plantas de Jacareí, considerados sensíveis pelas Forças Armadas.

Como o Cade avalia a compra da Avibras pelos irmãos Batista?

A operação de compra de 100% da Nova AVB pela Globe Investimentos está em análise no Cade, que examina o negócio como aquisição de controle, avaliando possíveis impactos concorrenciais na indústria de defesa, embora a J&F não atue hoje nesse mercado, o que reduz a probabilidade de concentração horizontal relevante.

Onde fica a sede da Avibras, empresa adquirida pelos irmãos Batista?

A sede industrial da Avibras fica em Jacareí, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, onde funciona a unidade Avibras Aeroco; a empresa também possui estrutura em Lorena, na mesma região, cuja possível reabertura é mencionada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin como parte do plano de retomada após a entrada do grupo J&F.


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