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Economia

Ibovespa bate recorde e dólar desaba após 1º turno de 2026

Ibovespa salta 7,7% e fecha em 206.912 pontos, novo recorde, enquanto dólar recua 4,12% para R$ 5,00 após liderança de Flávio Bolsonaro no 1º turno de 2026.

06/10/2026 06:46 7 min de leitura
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Mercado Financeiro

Mercado reage positivamente ao resultado do primeiro turno das eleições de 2026, com alta no Ibovespa e queda do dólar.

O mercado financeiro brasileiro abre a semana em forte rali nesta segunda-feira (5), um dia após o primeiro turno presidencial. O Ibovespa salta 7,7%, encerra aos 206.912 pontos, no maior nível nominal da história, e o dólar comercial desaba 4,12%, fechando a R$ 5,00.

A disparada da Bolsa e a queda brusca da moeda americana ocorrem na esteira da liderança de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida ao Planalto e da consolidação de um Congresso mais alinhado ao ajuste das contas públicas. Investidores leem o resultado como aumento da probabilidade de mudança na política fiscal a partir de 2027, com impacto imediato sobre juros, câmbio e preços das ações.

Resultado das urnas redefine o humor dos investidores

Flávio Bolsonaro termina o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obtém 45,16%. A diferença de pouco menos de dois pontos percentuais, somada ao avanço da direita no Legislativo, altera a percepção de risco político.

O PL elege 19 senadores e passa a projetar uma bancada de 28 cadeiras a partir de fevereiro de 2027, tornando-se a maior força da Casa. A leitura predominante nas mesas de operação é de que uma base mais ampla no Senado tende a facilitar reformas fiscais consideradas cruciais por investidores.

“O mercado financeiro passa a atribuir uma probabilidade maior de alternância de poder e, junto com ela, uma possibilidade maior de mudança na condução fiscal a partir de 2027”, afirma Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital. A fala ajuda a sintetizar a reação quase instantânea vista desde as primeiras horas de negociação.

Juros futuros desabam e alimentam rali da Bolsa

Os juros futuros, termômetro das expectativas para a Selic e a inflação nos próximos anos, recuam mais de 8% nos vencimentos intermediários e longos. A queda das taxas reduz o chamado custo de oportunidade e a taxa de desconto usada para calcular o valor presente das ações.

“Esta queda nos juros gera uma valorização para a própria Bolsa através do custo de oportunidade e da taxa de desconto dos preços das ações, alimentando um clima de otimismo e um fluxo expressivo para os ativos brasileiros”, diz Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos.

No Tesouro Direto, papéis atrelados à inflação seguem pagando prêmios elevados, mesmo após o rali. O Tesouro IPCA+ 2032 oferece juro real de 7% ao ano, enquanto os vencimentos 2040 e 2050 pagam 6,68% e 6,59%, respectivamente. Entre os prefixados, o Tesouro 2029 remunera 12,62% e o 2032, 12,81% ao ano.

As taxas ainda altas, combinadas com a percepção de melhora fiscal à frente, atraem gestores estrangeiros e locais para a renda fixa e, por tabela, para a renda variável, já que o recuo dos juros sustenta múltiplos mais altos das empresas listadas.

Ibovespa renova máxima e bancos puxam o índice

O Ibovespa chega a bater máxima intradia de 209.606 pontos, em alta de 9,1%, antes de perder um pouco de fôlego. Mesmo assim, a valorização de 7,7% no fechamento é a maior desde 24 de março de 2020, no início da pandemia de covid-19, quando o índice havia subido 9,64%.

As ações de bancos e da própria B3 lideram o movimento. Itaú (ITUB4) avança 10,37%, Banco do Brasil (BBAS3) sobe 11%, e Bradesco (BBDC3 e BBDC4) dispara 15,03% e 13,57%, respectivamente. O BTG Pactual (BPAC11) salta 22,52%, enquanto Santander (SANB11) ganha 2,63%.

A B3 (B3SA3), dona da Bolsa, responde diretamente ao aumento de volumes e ao apetite por risco, com alta de 22,63%. No setor de energia, Petrobras também entra no rali, com PETR3 subindo 6,68% e PETR4 avançando 8,19%.

Empresas ligadas ao consumo e à economia doméstica, mais sensíveis aos juros, também disparam. Magazine Luiza (MGLU3) sobe 24,18%, Cosan (CSAN3) valoriza 23,79%, Cyrela (CYRE3) ganha 18,40% e Localiza (RENT3) avança 20,68%.

Nem todos surfam a onda. Apenas oito papéis do índice fecham no vermelho. Entre eles, Suzano (SUZB3) recua 5,39%, e Vale (VALE3) cai 0,97%, em movimento associado mais a dinâmicas setoriais e expectativas de demanda externa do que ao quadro eleitoral doméstico.

Dólar derrete e real lidera ganhos globais

No câmbio, o real tem a melhor performance entre 31 moedas mais negociadas no mundo. O dólar comercial, que havia fechado a R$ 5,21 na sexta-feira, toca mínima intradia de R$ 4,95 e encerra o dia a R$ 5,00, na maior queda diária desde 8 de junho de 2018.

A leitura é de que um ajuste fiscal mais duro pode reduzir o prêmio de risco embutido nos ativos brasileiros e aliviar pressões futuras sobre a taxa básica de juros. Com expectativa de trajetória mais benigna para a dívida pública, investidores globais ampliam posições no país, fortalecendo o real.

O efeito transborda para o exterior. O principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, o ETF EWZ, salta 13,35%, um sinal de entrada forte de capital estrangeiro. Lá fora, o ambiente também ajuda, com S&P 500 em alta de 0,74%, Nasdaq subindo 1,08% e Dow Jones avançando 0,26%.

Expectativa para o segundo turno e próximos pregões

Analistas veem espaço para que o chamado “trade eleitoral” continue nos próximos dias, ainda que com mais volatilidade. “Ainda pode ter algum ajuste, dado que, para muitos investidores grandes, é difícil ajustar toda a posição em um dia. Não seria surpresa se observássemos mais altas nos próximos pregões”, afirma Fernando Siqueira, head de Research da Eleven.

O segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula mantém o mercado em alerta para sinalizações de equipe econômica e compromissos com o teto de gastos ou eventuais âncoras fiscais alternativas. A força do PL no Senado é percebida como um ativo político importante, mas o desenho final da coalizão de governo segue em aberto.

Na prática, setores ligados ao crédito, ao consumo das famílias e a serviços financeiros aparecem entre os prováveis beneficiados caso o cenário de juros mais baixos se confirme. Já exportadoras de commodities podem enfrentar um ambiente mais desafiador com real mais forte, ainda que a demanda global siga como principal determinante de seus resultados.

A euforia desta segunda-feira não encerra o debate sobre a sustentabilidade das contas públicas nem garante um ciclo longo de alta na Bolsa. O comportamento de dólar, juros e Ibovespa nas próximas semanas dependerá do desenrolar da campanha, da qualidade das propostas para o Orçamento de 2027 e da capacidade do próximo governo de negociar reformas estruturais com um Congresso mais fragmentado, porém hoje mais conservador.

Investidores entram no segundo turno com otimismo renovado, mas também com a memória recente de frustrações fiscais. O veredito definitivo não virá das urnas sozinho, e sim da forma como o futuro governo transformará discurso em regra clara para o gasto público e para a trajetória da dívida.

Por que o Ibovespa subiu tanto depois do 1º turno?

A combinação de expectativa de ajuste fiscal mais rígido, queda de mais de 8% nos juros futuros e entrada de capital estrangeiro elevou o apetite por risco e valorizou ações, sobretudo de bancos, varejo e empresas ligadas à economia doméstica.

Por que o dólar caiu para R$ 5,00 em um único dia?

O resultado eleitoral reduziu a percepção de risco fiscal futuro e aumentou a procura por ativos brasileiros. Com ingresso de dólares no país, a oferta da moeda sobe, o que pressiona a cotação para baixo.

Quem mais se beneficia desse movimento de mercado?

Empresas de setores sensíveis aos juros, como bancos, varejo, construção e serviços financeiros, tendem a se beneficiar de juros futuros menores e de um ambiente de crédito mais favorável, caso a trajetória de ajuste fiscal se confirme.


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