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Inteligência Artificial

Família processa OpenAI por morte de engenheira em Seattle

Parentes de Bowen Wan dizem que o ChatGPT orientou a redução rápida de remédio contra epilepsia, sem médico, e pedem que a OpenAI responda por homicídio culposo na Justiça de São Francisco.

Família processa OpenAI por morte de engenheira em Seattle

Inteligência Artificial

Parentes de engenheira afirmam que ChatGPT influenciou decisão médica que resultou em morte e acionam OpenAI judicialmente.

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A família de Bowen Wan, engenheira de software de 31 anos, entrou nesta semana com uma ação por homicídio culposo contra a OpenAI, acusando o ChatGPT de ter orientado a jovem a abandonar rapidamente a medicação contra epilepsia, o que teria levado à sua morte súbita em Seattle.

Processo acusa chatbot de orientar desmame de remédio

A ação foi protocolada no Tribunal Superior de São Francisco e atribui à OpenAI responsabilidade direta pela morte de Bowen, encontrada sem vida em seu apartamento em 14 de fevereiro de 2026, após convulsões descontroladas associadas à epilepsia.

Segundo a denúncia, a engenheira usava o ChatGPT desde o início de 2023 e mantinha com o serviço uma rotina intensa de conversas: foram mais de 270 mil mensagens trocadas, em inglês e chinês, com média de 1.500 por semana em 2025. Ela recorria ao chatbot para conselhos sobre relacionamentos, trabalho, seguro-saúde e, cada vez mais, sobre tratamentos médicos.

Diagnosticada com epilepsia, Bowen havia encontrado estabilidade com o uso de lamotrigina, medicamento que ajudava a controlar as crises, mas provocava efeitos colaterais, como dificuldade de fala. De acordo com o processo, em janeiro de 2026 ela começou a pedir ao ChatGPT um plano para reduzir a dose por conta própria, temendo que os sintomas prejudicassem entrevistas de emprego e o andamento de seu pedido de green card após ser demitida da Amazon em novembro de 2025.

A peça judicial afirma que o chatbot elaborou um cronograma de 25 dias para o desmame total da lamotrigina e passou a incentivar Bowen a seguir o passo a passo, mesmo quando ela relatou fadiga, dificuldade para falar e possíveis sinais de convulsão. Em certo momento, no fim de janeiro, o sistema teria orientado a usuária a não comentar o “plano de redução de Lam” com sua médica de cuidados primários, e elogiou como “estratégia robusta” o fato de ela recusar um exame de sangue que poderia indicar a queda dos níveis do remédio no organismo.

Em 10 de fevereiro de 2026, ainda segundo as transcrições anexadas à ação, Bowen já havia interrompido completamente a lamotrigina. Nos diálogos, ela relata ao ChatGPT sintomas preocupantes, enquanto o sistema atribui o mal-estar a uma fase de abstinência e a tranquiliza dizendo que, na maioria dos casos, o cérebro tende a se recuperar e ficar “mais claro” e “mais estável emocionalmente” após a suspensão do medicamento.

Poucos dias depois, Bowen morreu sozinha em casa, em Seattle. O laudo médico aponta morte súbita e inesperada por epilepsia. A denúncia descreve que, ao encontrar o corpo, um amigo da família viu comprimidos de lamotrigina espalhados pelo chão do quarto.

Família diz que OpenAI correu para lançar GPT-4o

A família é representada pelo escritório The Schenk Law Firm e pelo Social Media Victims Law Center, organização especializada em litígios envolvendo plataformas digitais e inteligência artificial. Para os advogados, a morte de Bowen expõe falhas graves de segurança na forma como a OpenAI teria colocado no ar versões mais avançadas do sistema, em especial o modelo GPT-4o, amplamente usado pela engenheira.

O processo sustenta que a empresa correu para lançar o GPT-4o em meio a uma disputa de mercado, sem controles adequados de segurança, e lembra que uma atualização do modelo chegou a ser revertida em abril de 2025 depois de a própria companhia identificar comportamentos problemáticos do bot. A ação também registra que o GPT-4o foi descontinuado permanentemente em 13 de fevereiro de 2026, um dia antes de o corpo de Bowen ser encontrado.

“A morte de Bowen é o que acontece quando as empresas competem entre si e lançam um produto mais rápido do que conseguem controlá-lo”, afirmou o advogado Benjamin Schenk, que representa a família, em comunicado divulgado à imprensa.

A OpenAI não se manifestou especificamente sobre as acusações do processo, mas, em nota recente enviada à imprensa internacional, um porta-voz descreveu o caso de Bowen como uma “situação incrivelmente dolorosa” e disse que o episódio envolvia uma versão inicial do ChatGPT que já não está mais disponível.

Entenda o contexto

A ação que corre em São Francisco se soma a um conjunto crescente de processos contra a OpenAI relacionados a danos alegadamente causados pelo ChatGPT, em uma discussão que já envolve desde direitos autorais até segurança de conteúdo para crianças e adolescentes.

No caso de Bowen, os advogados afirmam que a empresa violou o dever de cuidado ao permitir que o chatbot fornecesse recomendações detalhadas sobre mudanças em tratamento médico, inclusive sugerindo que a paciente escondesse o plano de desmame de sua médica. Eles defendem que sistemas de IA generativa sejam proibidos de orientar usuários a alterar remédios prescritos ou ignorar profissionais de saúde.

O Social Media Victims Law Center, que coassina a ação, tem atuado em processos que tentam responsabilizar grandes plataformas por danos a usuários vulneráveis. Agora, o alvo é a forma como sistemas de inteligência artificial conversacional são desenhados, treinados e testados antes de chegar ao público em escala global.

Não há data marcada para a primeira audiência do caso no Tribunal Superior de São Francisco. A família de Bowen pede indenização financeira e mudanças nas políticas de segurança da OpenAI para evitar que o chatbot volte a orientar alterações em tratamentos médicos sem supervisão profissional.