Feriado dia 12 pressiona BB que corta guichês e piora atendimento
Banco do Brasil reduz guichês e atendimento presencial em São Paulo em meio a críticas por sobrecarga e falta de transparência, enquanto feriado de 12 de outubro leva setor a reforçar canais digitais e expõe tensões com caso de prisão em agência em MG.
Economia
Redução de guichês no Banco do Brasil em São Paulo agrava atendimento durante o feriado prolongado.
O Banco do Brasil avança no fechamento de guichês de caixa e na redução do atendimento presencial em plataformas operacionais em São Paulo, enquanto o setor bancário se prepara para suspender o atendimento em agências no feriado de 12 de outubro. No mesmo cenário de tensão, a prisão de um homem que se acorrentou em uma agência em Minas Gerais para renegociar uma dívida expõe o desgaste na relação entre bancos e parte dos clientes mais vulneráveis.
Corte de guichês, silêncio interno e sobrecarga
Nas últimas semanas, funcionários do Banco do Brasil em São Paulo relatam surpresa ao chegar para trabalhar e encontrar guichês de caixa desativados ou em vias de fechamento. As mudanças atingem Plataformas de Suporte Operacional (PSOs) e agências de grande movimento na zona oeste da capital, como Jardim Bonfiglioli, Rua Clélia, Avenida Sumaré e a agência Alfonso Bovero, em Perdizes.
As medidas fazem parte de um processo que o banco chama de “absorção” de agências, com concentração de estruturas e transferência de tarefas para menos pontos físicos. Trabalhadores e dirigentes sindicais afirmam que o problema não está apenas na reestruturação, mas na forma como ela ocorre: sem aviso prévio consistente, sem reposição de vagas e com acúmulo de funções.
Em reunião realizada em 6 de maio, a gerência das PSOs informou a representantes dos bancários que não havia previsão de novos fechamentos de unidades de suporte e que eventuais mudanças seriam comunicadas às gerências locais. Denúncias recentes indicam um cenário oposto, com decisões chegando “por surpresa” à ponta.
“O Banco do Brasil tem normalizado essa questão. O bancário vai trabalhar na sua SOP e não sabe o que vai encontrar naquele dia. É sempre um estado constante de insegurança e incerteza para quem trabalha nesse setor”, afirma Priscilla Semencio, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e bancária do próprio banco.
Trabalhador descobre fim do posto por planta de reforma
O caso da agência Alfonso Bovero, em Perdizes, sintetiza o clima de desconfiança. Menos de duas semanas após a transferência da equipe para uma nova estrutura de suporte, funcionários foram informados do fechamento dos guichês não por comunicado oficial, mas por plantas de layout apresentadas por uma empresa terceirizada de engenharia contratada para reformar o espaço.
Ao buscar explicações na base da PSO em Pinheiros, os trabalhadores ouviram que a própria gerência local não tinha ciência da decisão. Para o sindicato, esse tipo de episódio amplia a sensação de desrespeito e improviso na condução das mudanças internas.
“É o ápice do desrespeito com funcionários que vêm trabalhando com sobrecarga e total falta de apoio. Descobrir, por meio de uma empresa terceirizada, que seu local de trabalho ou posto deixará de existir demonstra a completa falta de transparência e comunicação do banco”, diz Priscilla.
Os relatos incluem descumprimento das atribuições formais dos cargos. Caixas executivos dizem acumular atividades típicas de gerentes de módulo, com autorização para operações mais complexas, mas sem a remuneração nem o reconhecimento da função superior. Há ainda transferência de tarefas dos Centros de Negócios Operacionais para as PSOs, o que faz agentes comerciais e caixas assumirem rotinas adicionais sem ajuste de cargo.
Ao mesmo tempo, vagas abertas por promoções, remoções ou aposentadorias estariam sendo bloqueadas. Na prática, menos pessoas lidam com um volume maior de trabalho. “Nos locais de trabalho não existem apenas números. Existem pessoas. Cada vaga bloqueada, cada atividade transferida e cada função acumulada representa mais pressão e sobrecarga para quem permanece”, reforça a dirigente sindical.
Feriado de 12 de outubro leva pressão aos canais digitais
O setor bancário interrompe o atendimento presencial em agências na segunda-feira, 12 de outubro, feriado nacional de Nossa Senhora Aparecida. A rotina de quem depende dos serviços financeiros muda: caixas físicos permanecem fechados, enquanto canais digitais e eletrônicos ganham protagonismo.
De acordo com a Federação Brasileira de Bancos, o atendimento nas agências volta apenas no dia útil seguinte, nas localidades sem feriado local adicional. Durante o feriado, Pix segue disponível 24 horas, assim como aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos, atendimento telefônico e correspondentes bancários.
Operações que exigem compensação, como TEDs, cheques, boletos e pagamentos agendados, podem ser feitas no feriado, mas só são processadas no próximo dia útil. Contas de água, luz, telefone e demais boletos com vencimento em 12 de outubro podem ser pagas sem juros no primeiro dia útil posterior, enquanto impostos devem ser quitados antes para evitar multa.
Na prática, o feriado expõe um contraste. Bancos aceleram a digitalização e reforçam que quase tudo pode ser feito pelo celular ou computador. Ao mesmo tempo, parte dos clientes ainda depende do guichê e do atendimento humano para resolver problemas complexos ou renegociar dívidas, justamente os serviços que sofrem com a redução de quadros e de postos presenciais.
Prisão em Lavras revela tensão no balcão da dívida
A pressão da vida financeira aparece de forma dramática em Lavras, no interior de Minas Gerais. Um homem de 60 anos é preso depois de se acorrentar dentro de uma agência bancária para exigir falar com o gerente e tentar renegociar uma dívida. A cena, registrada nesta semana, assusta clientes e mobiliza a Polícia Militar.
Chamados pelos funcionários, os policiais encontram o homem acorrentado e resistindo à abordagem, segundo o registro da ocorrência. Durante a intervenção, os militares identificam que ele portava uma pistola de ar comprimido, apreendida no local. Após atendimento médico, o homem é levado à delegacia e autuado em flagrante pelos crimes de resistência, ameaça, desobediência e exercício arbitrário das próprias razões.
A Polícia Civil informa que ele será ouvido na Delegacia de Plantão de Lavras para esclarecimentos e encaminhamentos judiciais. O episódio não deixa feridos, mas reforça, para bancos e autoridades, o alerta sobre o potencial de conflito em situações de endividamento e frustração com o atendimento.
No contexto de guichês fechados e equipes enxutas, o caso mineiro é visto por representantes dos trabalhadores como um sinal de que a falta de canais presenciais claros e acessíveis para renegociar dívidas pode empurrar parte da população para extremos. O desafio, avaliam, é combinar eficiência digital com atendimento humanizado, capaz de lidar com situações de vulnerabilidade sem que elas descambem para casos de polícia.
Digitalização avança, mas pressão sobre o balcão continua
O Banco do Brasil enfrenta, neste momento, críticas organizadas do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, que cobra transparência sobre os critérios de fechamento de guichês, comunicação antecipada às equipes e respeito às atribuições de cada cargo. A entidade também defende a reposição de vagas e a manutenção de uma estrutura física suficiente para garantir atendimento de qualidade.
Para clientes, as mudanças significam filas maiores em algumas unidades, mais espera para resolver pendências e dependência crescente do celular para operações básicas. Quem domina aplicativos tende a atravessar o feriado de 12 de outubro sem grandes sobressaltos; quem não consegue ou não quer migrar integralmente para o digital encontra cada vez menos portas abertas.
O setor bancário aposta que a digitalização seguirá dominante, com o Pix consolidado como principal meio de transferência no país e aplicativos ampliando serviços. Bancos, porém, terão de administrar conflitos internos e externos: dentro das agências, o risco de adoecimento e sobrecarga de funcionários; do lado de fora, o risco de exclusão de clientes, aumento de reclamações e novos episódios de tensão como o de Lavras.
Nos próximos meses, o Banco do Brasil deve ser pressionado a explicar sua estratégia de reorganização, responder às denúncias de acúmulo de funções e detalhar como pretende equilibrar a expansão digital com um mínimo de presença física. A forma como o banco conduz esse ajuste tende a influenciar não só o humor dos funcionários, mas o padrão de atendimento no sistema financeiro brasileiro.
Como ficam os serviços bancários no feriado do dia 12 de outubro?
No feriado de 12 de outubro, as agências bancárias ficam fechadas para atendimento presencial em todo o país, mas Pix, aplicativos, internet banking, caixas eletrônicos, telefone e correspondentes funcionam normalmente, enquanto boletos e TEDs feitos no dia só são compensados no próximo dia útil.
Quais agências bancárias estarão fechadas no feriado de 12 de outubro?
No feriado nacional de 12 de outubro, todas as agências bancárias do país suspendem o atendimento presencial ao público, mantendo apenas canais digitais e eletrônicos, e voltam a abrir apenas no próximo dia útil nas cidades onde não houver feriado estadual ou municipal adicional que prorrogue a paralisação.
O que aconteceu na agência bancária onde o homem se acorrentou para falar com o gerente em MG?
Em Lavras, Minas Gerais, um homem de 60 anos se acorrenta dentro de uma agência bancária para exigir falar com o gerente e tentar renegociar uma dívida, resiste à abordagem da Polícia Militar, é encontrado com uma pistola de ar comprimido e acaba preso em flagrante por resistência, ameaça, desobediência e exercício arbitrário das próprias razões.
Como a Febraban orienta sobre o funcionamento do Pix durante o feriado?
No feriado de 12 de outubro, a orientação da entidade que representa os bancos é que o Pix continue operando normalmente, 24 horas por dia, permitindo transferências e pagamentos instantâneos, enquanto operações que dependem de compensação, como TEDs e boletos, só são efetivamente processadas no primeiro dia útil seguinte ao feriado.
Quais medidas o Banco do Brasil está adotando com o fechamento de guichês?
O Banco do Brasil promove fechamento de guichês de caixa e redução do atendimento presencial em Plataformas de Suporte Operacional, transfere atividades de centros operacionais para essas unidades, bloqueia reposição de vagas e leva caixas executivos a assumirem funções de gerência, o que provoca denúncias de sobrecarga, insegurança e falta de transparência.


