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Glória Menezes morre aos 91 anos e deixa legado na TV brasileira

Atriz Glória Menezes morre aos 91 anos no Rio de Janeiro. Pioneira do naturalismo na TV, ela atuou em mais de 40 novelas da Globo e transformou a teledramaturgia.

18/08/2026 22:01 8 min de leitura
Glória Menezes morre aos 91 anos e deixa legado na TV brasileira
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Atriz pioneira na teledramaturgia brasileira, Glória Menezes deixa um legado inesquecível após 91 anos de vida.

Glória Menezes, um dos nomes centrais da teledramaturgia brasileira, morre hoje, aos 91 anos, em sua casa no Rio de Janeiro, cercada pela família. A atriz, nascida Nilcedes Soares Guimarães, deixa mais de 60 anos de carreira e um legado que redefine a forma de atuar na TV, no cinema e no teatro.

Segundo familiares, a morte ocorre de forma tranquila, em casa, sem que a causa específica seja detalhada. A cerimônia de despedida será reservada aos parentes mais próximos, em contraste com a dimensão pública de uma artista que ajudou a moldar a memória afetiva de milhões de brasileiros.

Da jovem Nilcedes à Glória Menezes

Nascida em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 19 de outubro de 1934, ela se muda ainda criança para São Paulo e encontra no teatro o caminho definitivo. Estuda arte dramática, integra grupos amadores e, em 1959, recebe um prêmio de atriz revelação em montagem dirigida por Antunes Filho, marco que a coloca no radar da crítica.

Nesse processo de afirmação, decide abandonar o nome de batismo, que considerava impronunciável. “Tive que trocar. Resolvemos botar Glória, porque Glória é Glória em qualquer idioma. E Menezes, por causa das minhas raízes portuguesas e porque completa 13 letras. Dá sorte”, contava, rindo da própria transformação. Um jornal lembra hoje que “Glória Menezes gostava de brincar que seu nome real não era exatamente ‘um nome, mas uma coisa’”.

A carreira na televisão começa ainda no fim dos anos 1950, em teleteatros da TV Tupi e da TV Excelsior. Ao mesmo tempo, o cinema lhe oferece um papel que se torna histórico: Rosa, em “O Pagador de Promessas”, adaptação da peça de Dias Gomes dirigida por Anselmo Duarte. O filme vence a Palma de Ouro em Cannes e projeta a atriz para além do país.

A revolução silenciosa na TV brasileira

O salto definitivo vem com a primeira novela diária do país, “2-5499 Ocupado”, em 1963, em que interpreta uma presidiária apaixonada pelo personagem de Tarcísio Meira. A trama rende a ela um Troféu Imprensa de melhor atriz e inaugura, ao lado do futuro marido, uma parceria artística e afetiva que se estende por quase seis décadas.

Casados desde 1963, Glória e Tarcísio se tornam o casal-símbolo da TV brasileira, com um filho em comum, o ator Tarcísio Filho. A união resiste a décadas de exposição pública e atravessa gerações de telespectadores. “Glória e Tarcísio conquistaram o público como casal modelo e eternos parceiros de cena em novelas da Globo”, resume um texto que circula hoje entre as homenagens.

A partir de 1967, já na TV Globo, ela se fixa como protagonista de um repertório que soma mais de 40 novelas. Em “Irmãos Coragem”, interpreta três personalidades diferentes, demonstrando um controle raro de nuances. Em “Brega & Chique” e “Rainha da Sucata”, confirma a versatilidade ao transitar da comédia popular à vilã trágica Laurinha Figueroa, dona de uma das mortes mais icônicas da teledramaturgia nacional.

Naturalismo, close-up e a formação de gerações

O impacto de Glória Menezes não se resume à lista de personagens. Ela é reconhecida como pioneira do naturalismo psicológico na televisão aberta, rompendo com o tom declamatório herdado do rádio e dos primeiros anos da TV. Um veículo a define hoje como “figura fundadora da teledramaturgia brasileira e nome determinante na modernização da interpretação audiovisual no país”.

Economia de gestos, voz modulada, uso calculado do silêncio e do close-up viram marcas de sua atuação. Em vez de grandes arroubos, ela aposta no olhar fixo, na pausa, na respiração curta que o telespectador acompanha de perto. Essa gramática íntima, pensada para a câmera, influencia atores e diretores que fariam a novela brasileira se tornar produto central da indústria cultural do país.

A própria Glória reconhecia a origem dessa disciplina: “Me ensinou o que preciso para fazer televisão e cinema”, dizia, ao falar do teatro. A formação rigorosa no palco sustenta o mergulho em personagens que exigem transformações físicas e emocionais, como a monja de cabeça raspada em “Jóia Rara” ou a professora em cena para falar de câncer na peça “Jornada de um Poema”.

Fim de uma era ao lado de Laura Cardoso

A morte de Glória se soma à despedida recente de Laura Cardoso, outra atriz fundamental na construção da TV brasileira. As duas, frequentemente citadas lado a lado, simbolizam uma geração que consolidou um padrão de excelência e abriu espaço para personagens femininas complexas, longe do estereótipo de mocinha decorativa.

Um texto de homenagem descreve a saída de cena das duas como se fosse um último ato no palco: “Glória e Laura se despedem dos palcos da vida da mesma maneira. Como aquelas personagens que se dirigem ao fundo do palco enquanto as luzes vão se apagando, bem aos poucos, aos pouquinhos, sem nem nos darmos conta. As luzes se apagando e os aplausos aumentando. O nome disso é emoção”.

Na indústria, a sensação é de ruptura simbólica. Produtores, roteiristas e atores perdem uma referência viva, alguém que atravessa linguagens e formatos sem ceder à caricatura. O público, por sua vez, se vê órfão de uma presença que acompanhou a rotina doméstica ao longo de décadas, da TV em preto e branco ao streaming.

Legado, família e o que vem depois

Além de Tarcísio Filho, Glória deixa outros dois filhos, Maria Amélia e João Paulo, de casamento anterior, além de netos e uma geração ampliada de artistas que a tratam como mestra. Tarcísio Meira, morto em 2021 aos 85 anos, vítima de Covid-19, já havia inaugurado esse luto de uma era para o público. A morte de Glória encerra também a imagem do casal que atravessou quase toda a história da novela brasileira.

Nos bastidores, colegas defendem que seu legado seja preservado em projetos de memória audiovisual, cursos de interpretação e retrospectivas em TV aberta e plataformas digitais. A emissora com a qual manteve vínculo por mais de 50 anos já prepara homenagens especiais, enquanto cinematecas e centros culturais estudam mostras com seus trabalhos no cinema e no teatro.

O impacto prático dessa despedida aparece na forma como o mercado olha para sua própria história. A ausência de Glória reforça a urgência de valorizar as pioneiras ainda em vida, registrar processos de criação e refletir sobre a continuidade de um modelo de atuação que ela ajudou a consolidar. O futuro da teledramaturgia brasileira passa, inevitavelmente, por revisitar a trajetória dessa atriz que transformou o close de novela em grande arte.

O que houve com Glória Menezes?

Glória Menezes morre hoje, aos 91 anos, em sua casa no Rio de Janeiro, de forma tranquila, segundo a família, que não informa a causa exata da morte; a atriz, uma das maiores da televisão brasileira, deixa mais de seis décadas de carreira e terá uma cerimônia de despedida reservada aos parentes.

Quantos anos tinha Glória Menezes quando faleceu?

Glória Menezes morre aos 91 anos, idade alcançada após uma trajetória de mais de 60 anos de atuação em teatro, cinema e televisão; nascida em 19 de outubro de 1934, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, a atriz atravessa gerações como referência técnica e emocional da teledramaturgia brasileira.

Quais foram os principais trabalhos de Glória Menezes na televisão?

Glória Menezes soma mais de 40 novelas na Globo, com destaque para “Irmãos Coragem”, “Brega & Chique”, “Rainha da Sucata”, “Senhora do Destino” e “Totalmente Demais”; antes, protagoniza “2-5499 Ocupado”, a primeira novela diária do país, consolidando-se como um dos rostos centrais da TV brasileira.

Qual a relação entre Glória Menezes e Laura Cardoso?

Glória Menezes e Laura Cardoso são vistas como atrizes-irmãs de geração, pioneiras da teledramaturgia que ajudam a construir a linguagem moderna da novela; as duas interpretam mulheres complexas, rompem estereótipos e se tornam referências afetivas para o público, passando hoje a simbolizar, juntas, o fim de uma era na televisão.

Quem são os filhos de Glória Menezes?

Glória Menezes deixa três filhos: o ator Tarcísio Filho, fruto do casamento com Tarcísio Meira, e Maria Amélia e João Paulo, de uma união anterior; ao lado dos netos, eles formam o núcleo familiar que acompanha de perto os últimos anos da atriz e organiza agora uma despedida reservada em sua memória.


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