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Lançamentos de IA

Google perde 10% em ações após receita de busca crescer só 12%

Google frustra mercado ao crescer 12% em receita de busca, abaixo dos 15% esperados. Consultas com IA rendem menos em anúncios, enquanto nuvem dispara 103% e Gemini chega a 1 bilhão de usuários.

Google perde 10% em ações após receita de busca crescer só 12%

Mercado Financeiro

Investidores reagem negativamente ao desempenho abaixo do esperado na receita de busca do Google.

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O Google informou que a receita de busca cresceu 12% no terceiro trimestre, abaixo dos 15% esperados por analistas, e viu o valor de mercado encolher em até 10%, em meio à confirmação de que as buscas com inteligência artificial, em alta, ainda geram menos dinheiro que a pesquisa tradicional.

Por que as ações do Google caíram após o relatório de lucros?

As ações do Google caem até 10% porque o crescimento de 12% na receita de busca ficou bem abaixo dos 15% esperados e reforçou dúvidas sobre a capacidade da empresa de ganhar dinheiro com buscas alimentadas por IA. O resultado acendeu o alerta sobre o principal motor de receita do grupo justamente no momento em que o Google eleva gastos bilionários com infraestrutura e expansão de modelos de IA.

Apesar de o volume de buscas seguir forte, a monetização ficou aquém do que o mercado esperava. A combinação de ritmo menor de crescimento na publicidade de busca com despesas de capital de US$ 51,4 bilhões no trimestre pressionou a percepção de lucratividade futura e desencadeou a realização de lucros por parte de investidores.

A empresa manteve a previsão de receita total para 2026 entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões e sinalizou expectativa de alta significativa em 2027, mas isso não foi suficiente para acalmar a cautela de acionistas no curto prazo.

Como o problema da IA no Google Search afetou os resultados financeiros da empresa?

O impacto aparece diretamente na linha de busca: o avanço acelerado das consultas com IA puxou o crescimento de 12% na receita, mas essas interações geram, hoje, menos receita publicitária do que as buscas tradicionais. O próprio executivo Philipp Schindler reconheceu o efeito: “O forte crescimento nas consultas em modo IA teve um impacto devido à menor monetização”.

Na prática, o Google está vendo o usuário migrar para experiências mais ricas em IA, que consomem mais computação e exigem respostas mais complexas, mas ainda não carregam o mesmo volume ou preço de anúncios. A empresa anunciou que está ampliando programas de anúncios em chatbots nos Estados Unidos e em outros países, numa tentativa de fechar essa conta.

Ao mesmo tempo, o grupo acelera investimentos para sustentar essa transição. As APIs dos modelos do Google já processam cerca de 32 bilhões de tokens por minuto, mais de quatro vezes o volume de um ano atrás, o que exige centros de dados mais robustos e encarece a operação. Esse salto de uso ainda não se traduz, na mesma proporção, em aumento de receita.

Entenda o contexto

Durante a teleconferência com investidores, o CEO Sundar Pichai buscou destacar o lado positivo da virada para IA. Ele afirmou que “o aplicativo Gemini atingiu um bilhão de usuários, tornando-se o produto de crescimento mais rápido na história da empresa”, impulsionado por ser um complemento direto à busca, que já tem alcance massivo.

O Google também tenta monetizar a onda de IA pelo lado da infraestrutura. A divisão de nuvem, comandada por Thomas Kurian, registrou salto de 103% na comparação anual, chegando a US$ 30,7 bilhões em receita, turbinada pela demanda de empresas por capacidade computacional para rodar agentes de IA. “Agentes de IA devem impulsionar o crescimento da nuvem, pois demandam mais computação, armazenamento e bancos de dados”, disse Kurian.

Nesse modelo, o Google ganha tanto com produtos voltados ao consumidor final quanto ao vender poder de processamento e ferramentas para outras companhias. Pichai revelou que a empresa está criando versões menores e mais rápidas do modelo Carbon para rodar na nuvem e atingir “bilhões” de usuários, enquanto a versão completa será, num primeiro momento, voltada a especialistas em cibersegurança e ao governo dos Estados Unidos. “Estamos construindo versões menores do modelo Carbon para servir bilhões de usuários via nuvem sempre ativa”, afirmou.

Outra aposta é a oferta de infraestrutura de IA baseada nos chips proprietários TPU a clientes externos. A companhia, porém, não abriu qual é a margem de lucro desse negócio, mesmo após questionamentos de investidores durante a apresentação.

Do lado do mercado financeiro, o quadro é de misto de entusiasmo tecnológico com preocupação contábil. De um lado, recordes de uso do Gemini, crescimento da nuvem em três dígitos e volumes gigantescos de processamento de IA. De outro, um negócio de busca pressionado por formatos que ainda não pagam a mesma conta que os links patrocinados tradicionais e um ciclo de investimento pesado que deve continuar pelos próximos anos.

Para os próximos trimestres, o desafio central de Sundar Pichai e sua equipe é convencer investidores de que a transição para a busca com IA e para uma nuvem “turbinada” por agentes inteligentes poderá, em tempo razoável, sustentar margens robustas sem depender apenas da publicidade clássica que fez o Google crescer até aqui.