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Inteligência Artificial

IA revoluciona 74% dos escritórios de arquitetura no Reino Unido

Relatório do RIBA mostra que 74% dos escritórios de arquitetura no Reino Unido já usam IA em projetos, e 75% dos profissionais que adotaram a tecnologia relatam ganhos de produtividade.

IA revoluciona 74% dos escritórios de arquitetura no Reino Unido

Inteligência Artificial

Uso da IA transforma práticas e aumenta a produtividade em escritórios britânicos de arquitetura.

Leia também: IA redefine 39% das habilidades exigidas até 2030: prepare-se

A inteligência artificial já faz parte da rotina em 74% dos escritórios de arquitetura no Reino Unido e começa a redesenhar a forma como projetos são pensados, desenvolvidos e apresentados, sem substituir o papel central do arquiteto nas decisões técnicas e criativas.

IA acelera visualização e apresentações de projetos

Os dados constam do RIBA AI Report 2026, levantamento do Royal Institute of British Architects que aponta ainda: entre os profissionais que já adotaram ferramentas de IA, 75% relatam ganhos de produtividade em seus escritórios. O avanço é mais visível nas fases de concepção e comunicação com clientes, em que imagens e variações de proposta podem ser testadas em poucos minutos.

Em vez de partir do zero a cada estudo, arquitetos alimentam as plataformas com maquetes digitais, referências ou croquis e recebem de volta séries de possibilidades visuais. Isso encurta o percurso entre a primeira ideia e um conjunto de alternativas apresentáveis, ajudando a alinhar expectativas com clientes e equipes e reduzindo o retrabalho em etapas iniciais.

Segundo o relatório, a tecnologia vem sendo tratada como complemento aos softwares já consolidados no mercado, o que facilita a adoção sem exigir ruptura total nos fluxos de trabalho. A consequência prática é a integração da IA a tarefas específicas, como geração de imagens, testes de linguagem visual e ajustes finos em apresentações.

Ferramentas se acoplam a programas já usados

Um dos caminhos dessa integração é o uso de plugins que se conectam diretamente a programas populares entre arquitetos. No ecossistema da plataforma Redraw, por exemplo, o Capture é um plugin gratuito para SketchUp que prepara imagens para renderização com inteligência artificial.

O Capture ajusta enquadramentos, luz e informações da cena de forma a otimizar o resultado quando a imagem é enviada para um motor de IA. Mesmo profissionais que não utilizam a plataforma completa podem trabalhar com o plugin, exportando os arquivos gerados para outras soluções de renderização baseadas em inteligência artificial.

Esse modelo ilustra a lógica que vem ganhando força nos escritórios britânicos: incorporar a IA como mais uma camada do processo, e não como substituta dos métodos existentes. A tecnologia entra em pontos específicos do fluxo — sobretudo na visualização — enquanto o controle sobre o partido arquitetônico, a coordenação técnica e a compatibilização entre disciplinas permanece com a equipe de projeto.

‘IA amplia exploração visual, mas não decide o projeto’

Para Alexandre Kuhn, CEO e cofundador do Redraw, o impacto mais profundo da inteligência artificial hoje está na forma como os arquitetos exploram e comunicam ideias, e não na automatização integral do projeto.

“A inteligência artificial amplia as possibilidades de exploração visual, mas não substitui o raciocínio do arquiteto. A tecnologia pode ajudar a materializar ideias e testar diferentes caminhos, enquanto a escolha do que faz sentido para o projeto continua dependendo do repertório, da intenção e do conhecimento técnico do profissional”, afirma Kuhn.

Na prática, isso significa que uma imagem gerada por IA, por mais convincente que pareça, não resolve sozinha questões essenciais de projeto. A análise de viabilidade construtiva, a definição de materiais, dimensões, estrutura, o atendimento a normas técnicas e a adaptação às condições do terreno continuam a exigir leitura crítica e responsabilidade profissional.

Kuhn destaca que o ganho real surge quando o arquiteto usa a tecnologia para formular melhores perguntas de projeto e enxergar cenários que talvez não fossem testados nos prazos e orçamentos habituais. A IA, nesse contexto, é um suporte para ampliar o campo de possibilidades, e não um atalho para pular etapas técnicas.

Entenda o contexto

A expansão da IA na arquitetura britânica ocorre em um momento em que setores intensivos em criatividade e precisão técnica buscam ganhos de eficiência sem abrir mão de qualidade. Nos escritórios, a adoção costuma começar por equipes mais jovens ou áreas dedicadas a inovação, e se espalha à medida que os resultados se tornam visíveis em prazos e na qualidade das apresentações.

O movimento também pressiona a indústria de softwares de projeto, que passa a investir em plugins, plataformas de visualização e recursos de automação de tarefas repetitivas. Ao mesmo tempo, abre um fosso potencial entre escritórios que se adaptam rápido e os que resistem à mudança, correndo o risco de perder competitividade em concursos, disputas comerciais e contratações públicas.

Na formação acadêmica e na regulamentação profissional, o tema ganha espaço em debates sobre ética, autoria e responsabilidade técnica. O desafio é garantir que futuros arquitetos aprendam a interpretar e validar resultados gerados por IA, mantendo o controle sobre decisões que afetam segurança, desempenho e impacto urbano dos projetos.

Nesse cenário, especialistas e entidades de classe convergem em um ponto: a tendência de longo prazo é uma relação mais colaborativa entre criatividade humana e recursos digitais. A tecnologia deve seguir avançando nas etapas de estudo e comunicação, enquanto o arquiteto permanece responsável por definir o problema, estabelecer critérios e tomar as decisões que de fato moldam o espaço construído.