Intel despenca 30% em NY após projeção de receita 9% abaixo
Intel projeta receita de até US$ 16 bi para o 4º trimestre, abaixo da expectativa de US$ 17 bi do mercado, e ações desabam 30% em Nova York, arrastando o Nasdaq.

Mercado Financeiro
Ações da Intel caem fortemente após projeção de receita abaixo do esperado para o quarto trimestre.
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A Intel viu suas ações despencarem 30% na Bolsa de Nova York nesta sexta-feira (30), apagando dezenas de bilhões de dólares em valor de mercado após divulgar projeções de receita para o quarto trimestre bem abaixo do que investidores esperavam, em meio a dificuldades no mercado de PCs e limites de produção em chips para inteligência artificial.
Intel frustra previsões e acende alerta em Wall Street
A companhia projeta faturar entre US$ 15 bilhões e US$ 16 bilhões no último trimestre do ano, com ponto médio em US$ 15,5 bilhões. O número fica cerca de US$ 1,5 bilhão abaixo da expectativa média de analistas, de US$ 17 bilhões, uma diferença de 8,8%. Algumas instituições trabalhavam com cenários ainda mais otimistas, acima de US$ 18 bilhões.
A reação foi imediata: os papéis da fabricante americana de semicondutores registram a maior queda em uma única sessão em décadas, em um pregão já negativo para o setor de tecnologia, em que o índice Nasdaq cai perto de 3%. A leitura no mercado é de que a Intel tem dificuldade para transformar o boom da inteligência artificial em crescimento consistente, sem sacrificar os negócios tradicionais.
PCs em queda, IA em alta — mas com gargalos
Os números mostram um cenário dividido dentro da Intel. A divisão responsável por processadores para notebooks e desktops registrou receita de US$ 8,1 bilhões, queda de 5,1% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo reflete a demanda mais fraca por computadores pessoais e o aumento dos custos de componentes eletrônicos, em especial chips de memória.
A alta de preços das memórias coloca fabricantes de PCs diante de um dilema: ou absorvem a pressão nas margens ou repassam o custo ao consumidor final, o que pode reduzir ainda mais as encomendas de processadores da própria Intel.
Na outra ponta, a divisão de centros de dados e inteligência artificial é hoje o motor de crescimento da empresa. A unidade registrou receita de US$ 7,32 bilhões, um avanço de 78% na comparação anual, impulsionada pela corrida global para construir data centers capazes de rodar sistemas avançados de IA.
Mesmo assim, a companhia admite que está deixando dinheiro na mesa. A Intel não consegue atender integralmente às encomendas nessa área, por limitações de capacidade produtiva, o que freia o aproveitamento de um dos mercados mais aquecidos da tecnologia.
“Decepcionado” e preocupado com 2027
Em entrevista, o presidente-executivo da Intel, Lip-Bu Tan, reconheceu os gargalos. “Estou decepcionado com a incapacidade da empresa de atender a todos os pedidos recebidos”, afirmou. Segundo ele, os desafios não se limitam aos chips propriamente ditos, mas envolvem toda a cadeia de suprimentos de semicondutores.
Tan também soou o alarme para o ano que vem, ao destacar o impacto da escalada nos preços das memórias. “O encarecimento das memórias representa um desafio para toda a indústria, e não apenas para nossa companhia”, disse. Fabricantes como Samsung Electronics, SK Hynix e Micron Technology têm redirecionado parte de sua capacidade para componentes usados em servidores avançados, reduzindo a oferta de chips destinados a computadores convencionais.
Com menos oferta, os preços sobem, encarecendo notebooks e desktops e, por tabela, pressionando os volumes de um segmento historicamente central para a Intel. O movimento acentua o paradoxo vivido pela empresa: a mesma onda de investimentos em IA que turbina a demanda por processadores de alto desempenho também eleva custos e fragiliza o mercado de PCs.
Impactos para o mercado e próximos passos
A queda histórica das ações derruba a confiança de investidores e pode encarecer a captação de recursos para ampliar fábricas e atualizar linhas de produção, justamente no momento em que a companhia precisa investir mais para disputar espaço em processadores para data centers e aplicações de inteligência artificial.
Os efeitos se espalham por toda a cadeia. Fabricantes de computadores pessoais lidam com custos de componentes mais altos e risco de falta de peças. Operadores de data centers e empresas que dependem de chips avançados para IA podem enfrentar prazos de entrega maiores e preços mais elevados, à medida que a oferta segue limitada.
Internamente, a Intel tende a concentrar esforços em ampliar sua capacidade produtiva e ajustar a cadeia de suprimentos, buscando responder à demanda de data centers sem abandonar o mercado de PCs. A revisão de projeções e de estratégias de preços também está no radar para tentar conter o impacto financeiro e recuperar a confiança do mercado.
Se não conseguir destravar rapidamente esses gargalos, a empresa corre o risco de perder terreno para concorrentes que consigam entregar mais volume em processadores para inteligência artificial e servidores, em um momento em que a indústria de semicondutores vive uma nova fase marcada pela centralidade da IA nos investimentos globais.
