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Jorge & Mateus viram alvo de boicote em Réveillons no Nordeste

Confirmação de Jorge & Mateus nos Réveillons de Recife e Fortaleza gera onda de críticas, pedidos de cancelamento e boicote após apoio de Jorge a Flávio Bolsonaro.

Jorge & Mateus viram alvo de boicote em Réveillons no Nordeste

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Artistas enfrentam reações negativas após manifestação política, afetando shows em festas de Ano Novo no Nordeste.

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A confirmação de Jorge & Mateus como atrações dos Réveillons de Recife (PE) e Fortaleza (CE) desencadeia, nesta semana, uma onda de críticas e pedidos de boicote nas redes sociais, puxada por fãs nordestinos e influenciadores que rejeitam o apoio público de Jorge à candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Qual é a polêmica envolvendo Jorge & Mateus no Nordeste?

A polêmica começa depois que o vídeo de Jorge em um ato de apoio a Flávio Bolsonaro volta a circular, com o cantor dizendo: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”. A partir daí, internautas passaram a questionar a presença da dupla nos Réveillons de Recife e Fortaleza, associando o posicionamento do artista a um discurso que chamam de “fascista”.

Os ataques se concentram principalmente nas páginas oficiais de Jorge & Mateus. Entre os comentários, se repetem frases como “Não venham para o Ceará”, “Não são bem-vindos no Recife. Respeitem o Nordeste e os nordestinos” e “Nordeste não é quintal de fascista”. Parte do público afirma que a contratação da dupla contrasta com os valores da região e com o apoio majoritário a adversários de Bolsonaro nas urnas.

Enquanto críticos pedem o cancelamento dos shows, defensores da dupla alegam que Jorge tem direito de se posicionar politicamente e dizem que seguirão acompanhando o trabalho dos sertanejos. A divisão se transforma em embate diário nos comentários, com ataques, defesas e até ameaças de protestos durante as apresentações da virada.

Quem está liderando a campanha de boicote contra Jorge & Mateus no Nordeste?

À frente da campanha de boicote está a influenciadora Liah Bracho, que publica vídeos convocando seguidores a pressionar os Réveillons de Recife e Fortaleza. Ela chama Jorge & Mateus de “fanfarrões” e pede que o público não compareça aos shows — e, se as apresentações forem mantidas, que vaie a dupla em pleno palco.

“Porque eu repito o que eu falei no vídeo anterior, o Nordeste não é quintal para fascista, não é”, afirma Liah em um dos vídeos. Para a influenciadora, houve desrespeito à região durante a campanha eleitoral. Ela argumenta que não se trata apenas de “democracia e voto livre”, mas de uma postura que teria debochado dos nordestinos. “Se a gente não se impor, fica nessa coisa de paz e amor, foi nessa coisa de paz e amor que a gente quase perdeu no primeiro turno”, acrescenta.

Outros perfis repercutem a fala de Liah e repetem o slogan “Nordeste não é quintal de fascista” em posts e comentários. A mobilização tenta pressionar não só a dupla, mas também as prefeituras e empresas envolvidas na organização dos Réveillons, para que reconsiderem a escalação dos sertanejos.

Entenda o contexto

A reação surge em um momento de transição na carreira de Jorge & Mateus. Após celebrar 21 anos de estrada em turnê comemorativa, a dupla reduziu o ritmo de shows e anunciou uma espécie de pausa parcial na agenda ao longo deste ano. Mesmo assim, manteve lançamentos e projetos de estúdio, como o single “Primavera”, divulgado em 22 de outubro, apontado por eles como o início de um novo ciclo artístico.

Justamente por isso, as datas de fim de ano no Nordeste eram tratadas como estratégicas: Réveillons de grande porte em Recife e Fortaleza são vitrine importante para o mercado de entretenimento e costumam lotar com atrações populares do sertanejo e de outros ritmos. A crise política em torno do nome de Jorge, porém, ameaça esvaziar esses palcos e desgastar a imagem da dupla em uma das regiões mais disputadas por artistas nacionais.

Produtores e organizadores, que costumam planejar esses eventos com meses de antecedência, agora enfrentam pressão tanto de quem pede a manutenção dos contratos quanto de quem exige substituições. A possibilidade de cancelamentos, renegociações ou mudanças de grade passou a ser discutida nos bastidores, em meio ao temor de prejuízo financeiro e de um Réveillon marcado mais por protestos do que por festa.

No setor de shows, o caso reacende o debate sobre até que ponto o posicionamento político de artistas interfere na bilheteria e na relação com o público. No Nordeste, onde a identidade política é fortemente marcada e a rejeição a Bolsonaro é alta, o apoio de Jorge a Flávio Bolsonaro tende a ser lido não só como escolha pessoal de voto, mas como alinhamento com um projeto visto por muitos como hostil à região.

Para a carreira de Jorge & Mateus, o episódio chega exatamente quando a dupla tenta inaugurar um “novo ciclo” com “Primavera”. A repercussão negativa, porém, pode respingar em futuras turnês, especialmente em cidades nordestinas, e pesar na decisão de contratantes que miram um público avesso à polarização nos palcos.

Até a publicação desta reportagem, Jorge & Mateus não haviam se pronunciado sobre os pedidos de boicote, assim como não houve manifestação oficial das equipes responsáveis pelos Réveillons de Recife e Fortaleza a respeito de possíveis mudanças na programação.