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Morre Karina Zeviani, ex-The Voice, aos 51 anos após câncer

Cantora e compositora de Jaboticabal, ex-The Voice Brasil e com carreira internacional, morre vítima de câncer de mama. Velório ocorre hoje na cidade natal.

02/10/2026 15:00 6 min de leitura
Morre Karina Zeviani, ex-The Voice, aos 51 anos após câncer
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Cantora de Jaboticabal e ex-participante do The Voice Brasil falece aos 51 anos após batalha contra câncer.

A cantora e compositora Karina Zeviani, 51, ex-participante do The Voice Brasil e com carreira internacional, morre vítima de câncer de mama em São José do Rio Preto (SP). O corpo é velado hoje em Jaboticabal, sua cidade natal, onde será sepultado no fim da tarde.

Luta contra o câncer e despedida em Jaboticabal

Karina estava internada no Hospital Beneficência Portuguesa, em São José do Rio Preto, e morre na quinta-feira (1º) depois de ao menos dois anos de tratamento. O tumor, inicialmente nas mamas, avança para fígado e ossos, agravando o quadro nas últimas semanas.

O velório ocorre nesta sexta-feira (2), das 9h às 17h, no Complexo Funerário Terra Nossa, em Jaboticabal. O sepultamento está marcado para as 17h, no Cemitério Municipal. Fãs, amigos e artistas se organizam para a despedida presencial e em mensagens nas redes sociais.

Nas plataformas digitais, a cantora vinha narrando a rotina de exames, internações e mudanças de protocolos de quimioterapia. Em setembro, anuncia o início de uma nova quimioterapia intravenosa e desabafa sobre a perda dos cabelos, dividindo fragilidades e esperanças com o público.

Trajetória internacional e presença na TV

Natural de Jaboticabal, Karina Stefania Zeviani constrói uma carreira que atravessa fronteiras. Na juventude, trabalha como modelo fotográfica e vive na Alemanha e na França, onde começa a cantar profissionalmente. O caminho como intérprete se abre em palcos europeus antes de ganhar espaço no Brasil.

A projeção internacional se consolida em 2005, quando ela passa a integrar o coletivo norte-americano Thievery Corporation, referência em música eletrônica com forte influência de sons brasileiros. Três anos depois, em 2008, ela se torna uma das vocalistas do projeto francês Nouvelle Vague, conhecido por releituras em clima de bossa nova e pós-punk suave.

Entre turnês e estúdios, Karina vive por cerca de nove anos entre Londres, Paris e Nova York. Em 2012, de volta ao Brasil, lança o álbum solo autoral “Amor Inventado”, em que combina MPB, bossa nova e elementos de música eletrônica alternativa. O disco reforça a imagem de artista versátil, capaz de transitar com naturalidade entre idiomas e cenas musicais.

Em 2020, a cantora volta ao centro das atenções ao participar do The Voice Brasil. Nas audições às cegas, escolhe “Sonhos”, de Peninha, e conquista o público com interpretação suave e precisa. Recebe elogios dos técnicos, integra o time de Carlinhos Brown e consolida o reconhecimento junto a uma audiência ampla da TV aberta.

Brilho, exigência e cuidado com os detalhes

O impacto da morte é sentido sobretudo por quem acompanhou de perto a trajetória desde a infância. O corretor de seguros Rodrigo Villela, amigo de escola, lembra de uma menina que já chamava atenção em sala de aula. “A gente sempre estudou junto, desde criança. Karina, com esse jeito especial, conquistava todo mundo, era destaque na turma. E eu acho que a palavra destaque é o que pautou a vida dela”, afirma.

Ele conta que o perfeccionismo da artista se mantém ao longo da carreira. “Depois disso, veio a fase como modelo, como cantora, e esse destaque sempre trouxe um brilho. Acima de tudo, era engraçada e muito exigente. Dela mesma e com as outras pessoas que trabalhavam com ela. Ela tinha um cuidado aos detalhes, estava sempre preocupada em fazer o melhor”, diz.

Nas redes, as lembranças seguem o mesmo tom. Mensagens de fãs falam em “brilho”, “luz” e “força”, destacam a generosidade com colegas de palco e a capacidade de misturar repertórios brasileiros com influências internacionais sem perder a identidade. A comoção reforça o papel que Karina ocupa como ponte entre a cena autoral do interior paulista e circuitos musicais globais.

Desafios da doença e mobilização por tratamento

O diagnóstico de câncer de mama, feito há cerca de dois anos, transforma a rotina da cantora e expõe as dificuldades de artistas em tratamentos longos. Com agendas instáveis e renda muitas vezes irregular, ela recorre recentemente a uma arrecadação virtual para custear procedimentos e medicamentos, mobilizando fãs e amigos ao redor do mundo.

Em abril, Karina relata nas redes uma crise grave de saúde e o início de um novo protocolo de quimioterapia. A postagem mistura gratidão por estar viva e cansaço diante das internações sucessivas. A transparência com que compartilha exames, medos e pequenas vitórias torna seus perfis um espaço de apoio mútuo sobre câncer e saúde mental.

A evolução da doença para fígado e ossos marca a fase mais dura do tratamento. A possibilidade de retorno pleno aos palcos fica incerta, mas ela continua compondo, planejando projetos e mantendo contato com produtores no Brasil e no exterior. O falecimento interrompe uma produção em curso e deixa em aberto o destino de gravações recentes e de possíveis lançamentos póstumos.

Legado artístico e questões em aberto

A morte de Karina Zeviani representa uma perda para a música brasileira e para a internacionalização de artistas do país. Ela leva para fora um repertório que combina clássicos nacionais, canções autorais e estética eletrônica, ajudando a renovar a imagem da MPB em festivais e clubes estrangeiros.

No interior paulista, Jaboticabal perde uma referência cultural rara: uma artista que sai da cidade pequena, circula por grandes centros globais e retorna com disposição de investir na cena local. O velório e o enterro na cidade reforçam essa ligação afetiva com a comunidade, que se despede hoje de uma de suas vozes mais conhecidas.

A mobilização em torno do tratamento reacende o debate sobre redes de proteção a profissionais da cultura com doenças graves. Casos como o de Karina expõem a fragilidade de políticas públicas e mecanismos privados de apoio em um setor marcado pela informalidade e pela ausência de planos de saúde robustos.

Nas próximas semanas, amigos e parceiros artísticos discutem formas de preservar a obra da cantora, com possíveis tributos, relançamentos e registros ao vivo. O legado, agora, depende de iniciativas que mantenham sua voz em circulação e ampliem o alcance de uma trajetória que, embora interrompida, segue inspirando novos artistas a cruzar fronteiras.

Onde será o velório e o enterro de Karina Zeviani?

O velório de Karina Zeviani ocorre hoje, 2 de outubro, das 9h às 17h, no Complexo Funerário Terra Nossa, em Jaboticabal (SP), e o enterro está marcado para as 17h no Cemitério Municipal da cidade, permitindo que fãs, amigos e familiares se despeçam na terra natal da cantora.

De que doença Karina Zeviani morreu e há quanto tempo tratava?

Karina Zeviani morre em decorrência de um câncer de mama que tratava havia cerca de dois anos, período em que a doença evolui para fígado e ossos, exigindo sucessivos protocolos de quimioterapia e internações, até o agravamento recente que leva à morte no Hospital Beneficência Portuguesa, em São José do Rio Preto.


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