Morte de Karina Zeviani comove música brasileira
Cantora e compositora de Jaboticabal, ex-The Voice Brasil, morre aos 51 anos vítima de câncer. Velório e sepultamento em sua cidade natal emocionam fãs e amigos.
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Cantora e compositora de Jaboticabal falece aos 51 anos, deixando fãs e amigos em profunda tristeza.
A cantora e compositora Karina Zeviani, 51, ex-participante do The Voice Brasil e nome respeitado na cena independente, morre vítima de câncer em São José do Rio Preto (SP). O corpo é velado em Jaboticabal, sua cidade natal, onde fãs e amigos se despedem nesta sexta-feira.
Despedida em Jaboticabal e luta pública contra o câncer
Karina morre na quinta-feira (1º) no Hospital Beneficência Portuguesa, em São José do Rio Preto, após complicações de um câncer de mama que tratava há pelo menos dois anos. A doença avança para fígado e ossos e agrava o quadro nas últimas semanas.
O velório ocorre no Complexo Funerário Terra Nossa, em Jaboticabal, com início pela manhã e sepultamento às 17h no Cemitério Municipal. Familiares, amigos de infância, colegas de palco e admiradores se reúnem na cidade do interior paulista, onde a artista sempre manteve laços afetivos e referência cultural.
Nas redes sociais, a notícia da morte provoca uma corrente de homenagens. Mensagens falam em “luz”, “estrela” e “brilho”, repetindo palavras associadas à trajetória de Karina. A comoção se espalha entre fãs da música brasileira e de projetos internacionais dos quais ela fez parte.
Carreira internacional, retorno ao Brasil e voz no The Voice
Natural de Jaboticabal, Karina inicia a vida profissional ainda adolescente, como modelo fotográfica. Mora na Alemanha e na França, onde começa a cantar em casas noturnas e a se aproximar de músicos ligados à música eletrônica e à bossa nova.
A carreira na música ganha fôlego em 2005, quando ela passa a integrar o coletivo norte-americano Thievery Corporation, conhecido por misturar sons eletrônicos com influências brasileiras e latinas. Em 2008, torna-se uma das vocalistas do projeto francês Nouvelle Vague, que revisita clássicos do pós-punk em arranjos suaves e climáticos.
Depois de cerca de nove anos vivendo entre Londres, Paris e Nova York, Karina volta ao Brasil e lança, em 2012, o álbum autoral “Amor Inventado”. O disco consolida sua identidade como compositora de MPB com toques de bossa nova e eletrônica alternativa, explorando letras intimistas e arranjos sofisticados.
Em 2020, sua voz chega ao grande público ao participar do The Voice Brasil. Nas audições às cegas, canta “Sonhos”, clássico de Peninha, escolhe o time de Carlinhos Brown e recebe elogios de jurados como Lulu Santos. A passagem pelo programa amplia a base de fãs e reaquece o interesse por sua obra solo.
Luta contra o câncer expõe fragilidade e força de artistas
Há pelo menos dois anos, Karina trava uma batalha aberta contra o câncer de mama. Ela compartilha o tratamento nas redes sociais, detalha efeitos colaterais, crises de saúde e períodos de recuperação, e transforma o próprio perfil em diário de resistência e acolhimento a outros pacientes.
A última publicação, em 20 de setembro, anuncia o início de uma nova quimioterapia intravenosa. Karina relata tristeza por perder novamente os cabelos, mas mantém o tom de gratidão à vida e à rede de apoio. Centenas de mensagens de incentivo e carinho aparecem nos comentários.
O avanço da doença pressiona também o lado financeiro. A cantora organiza uma arrecadação virtual para ajudar a custear medicamentos, deslocamentos e o novo protocolo de quimioterapia. A campanha expõe um drama comum a muitos artistas independentes: a falta de reservas e de políticas de amparo em situações de doença grave.
Ao tornar pública a rotina de hospital, exames e frustrações, Karina ajuda a humanizar a discussão sobre câncer de mama. Sua história reforça a urgência de diagnóstico precoce, acompanhamento contínuo e acesso a tratamentos modernos, ainda distantes da realidade de boa parte das mulheres brasileiras.
Brilho, exigência e legado para a música independente
Entre os amigos de infância, a lembrança é de uma menina que chamava atenção em qualquer sala de aula. O corretor de seguros Rodrigo Villela, que cresce ao lado da cantora em Jaboticabal, resume a marca que ela deixa.
“A gente sempre estudou junto, desde criança. Karina, com esse jeito especial, conquistava todo mundo, era destaque na turma. E eu acho que a palavra destaque é o que pautou a vida dela”, diz. “Depois disso, veio a fase como modelo, como cantora, e esse destaque sempre trouxe um brilho.”
Villela descreve também o rigor profissional que molda a carreira de Karina. “Acima de tudo, era engraçada e muito exigente. Dela mesma e com as outras pessoas que trabalhavam com ela. Ela tinha um cuidado aos detalhes, estava sempre preocupada em fazer o melhor”, afirma.
Na prática, sua morte interrompe projetos artísticos em andamento e esvazia uma ponte rara entre a cena independente brasileira e circuitos internacionais. Karina simboliza a geração de músicos que transitam entre palcos de clubes europeus, coletivos eletrônicos e programas de TV aberta no Brasil.
Em Jaboticabal, a perda é também cultural. A cidade perde uma de suas vozes mais conhecidas no mundo, referência para jovens artistas que viam em Karina a prova concreta de que é possível sair do interior paulista e alcançar festivais e estúdios em outros países sem abrir mão das raízes.
Impacto e o que pode vir depois da despedida
A morte de Karina Zeviani abre espaço para uma provável redescoberta de sua obra. Gravações com o Thievery Corporation, o Nouvelle Vague e o álbum “Amor Inventado” tendem a ganhar novo fôlego nas plataformas de música, impulsionadas pela curiosidade de quem só a conhece pelo The Voice Brasil.
Críticos e pesquisadores da música brasileira devem revisitar sua trajetória, que costura MPB, bossa, eletrônica e influências internacionais. É provável que coletâneas, playlists e tributos ao vivo surjam como forma de preservar sua memória artística.
A visibilidade da sua luta contra o câncer também pode servir de combustível para campanhas de conscientização, especialmente no meio cultural. Movimentos por mais apoio financeiro e institucional a artistas em tratamento de doenças graves ganham argumentos concretos no caso de Karina.
Enquanto a família enfrenta o luto, amigos e colegas já falam em homenagens futuras, de shows beneficentes a projetos educativos na área de saúde da mulher. O desfecho precoce, aos 51 anos, transforma a história da cantora em alerta coletivo sobre prevenção, acesso a tratamento e proteção social para quem vive de arte no Brasil.
Quem foi Karina Zeviani?
Karina Zeviani, 51 anos, foi uma cantora e compositora de Jaboticabal (SP) com carreira internacional, passagem por grupos como Thievery Corporation e Nouvelle Vague, álbum solo autoral e participação no The Voice Brasil, onde ampliou seu público ao levar sua voz e estética refinada para a TV aberta.
De que doença Karina Zeviani tratava?
Karina Zeviani tratava um câncer de mama há pelo menos dois anos, doença que começou nas mamas e depois avançou para o fígado e os ossos, exigindo novos protocolos de quimioterapia intravenosa e internações recorrentes, até que o agravamento do quadro levou à morte da cantora em hospital de São José do Rio Preto.
Quando e onde ocorreram velório e sepultamento?
O velório de Karina Zeviani ocorre nesta sexta-feira, 2 de outubro, no Complexo Funerário Terra Nossa, em Jaboticabal (SP), ao longo do dia, e o sepultamento acontece às 17h no Cemitério Municipal da cidade, reunindo familiares, amigos de infância, colegas de música e fãs da artista.


