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Esporte

Muslera defende 3 pênaltis e elimina Flamengo no Maracanã hoje

Aos 40 anos, Fernando Muslera defende três pênaltis, elimina o Flamengo no Maracanã e leva o Estudiantes à final da Libertadores, coroando uma reconstrução após trauma no Mundial de Seleções.

Muslera defende 3 pênaltis e elimina Flamengo no Maracanã hoje

Libertadores

Aos 40 anos, Muslera brilha ao defender três pênaltis e garante vaga do Estudiantes na final contra o Flamengo no Maracanã.

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Fernando Muslera, goleiro uruguaio de 40 anos, virou herói no Maracanã ao defender três pênaltis na disputa que classificou o Estudiantes à final da Copa Libertadores contra o Flamengo, depois de dois empates sem gols, coroando uma reconstrução emocional iniciada após o trauma vivido no Mundial de Seleções deste ano.

Muslera decide nos pênaltis e leva Estudiantes à final

Noite de quinta-feira no Maracanã, semifinal da Libertadores em jogo. Depois de dois confrontos travados, sem gols, Flamengo e Estudiantes foram para os pênaltis. Foi ali que Muslera transformou um drama recente em redenção: ele pegou as cobranças de Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique, garantindo o 3 a 2 argentino nas penalidades e a vaga na final.

Durante os 90 minutos no Rio, o uruguaio já tinha feito defesas importantes, especialmente depois que o Estudiantes ficou com um jogador a menos no início do segundo tempo. Nas penalidades, exibiu calma, leitura dos batedores e explosão mesmo aos 40 anos. Cada defesa era seguida de festa dos companheiros, que o cercaram ao fim da série como se comemorassem não só a classificação, mas a história de recuperação do goleiro.

O clube de La Plata chega à decisão tendo em Muslera um protagonista incontornável da campanha. Além da classificação em pleno Maracanã, o veterano reforça sua imagem de especialista em jogos grandes, agora vestindo a camisa do Estudiantes.

Entenda o contexto

A noite de glória no Rio contrasta com o que Muslera viveu há poucos meses. No Mundial de Seleções disputado em junho, ele chegou à quinta participação na competição como titular do Uruguai de Marcelo Bielsa e saiu apontado como um dos principais responsáveis pela eliminação ainda na fase de grupos, depois de falhar nos três jogos da equipe.

O episódio mais duro veio na partida decisiva contra a Espanha, quando levou o gol em um chute defensável que selou a derrota por 1 a 0. No intervalo, pediu para deixar o campo. Mais tarde, Bielsa revelaria que o goleiro “pediu para ser substituído no intervalo por não estar em condições psicológicas” de seguir em campo, abrindo mão da vaga para Sergio Rochet. Era o retrato de um atleta experiente, com currículo pesado, mas sem a peça-chave para um goleiro: a confiança.

Abalado, Muslera pediu desculpas aos companheiros e à torcida uruguaia e passou a tratar publicamente o período como o momento mais difícil da carreira. Era o ponto mais baixo de uma trajetória que inclui 14 temporadas no Galatasaray, com oito campeonatos turcos conquistados, além de títulos e campanhas marcantes por clubes e seleção.

Qual foi o pior momento da carreira de Muslera antes do jogo contra o Flamengo?

O pior momento da carreira de Muslera antes da semifinal contra o Flamengo foi a eliminação do Uruguai na fase de grupos do Mundial de Seleções em junho, quando ele falhou nos três jogos e acabou pedindo para ser substituído no intervalo da partida decisiva contra a Espanha por não suportar o abalo psicológico.

Naquele jogo, um chute que normalmente seria rotineiro entrou e selou a derrota por 1 a 0. O pedido para sair, relatado depois por Marcelo Bielsa, escancarou a crise interna do goleiro. Foram três partidas ruins em sequência, críticas pesadas no país e a sensação de que toda a preparação havia desmoronado em poucos dias.

Muslera, que já tinha vivido eliminações dolorosas em outros Mundiais, descreveu depois um sofrimento inédito, chegando a dizer que jamais imaginou sofrer tanto com o futebol. A imagem do veterano deixando o gramado naquele intervalo virou símbolo de fragilidade, e não de liderança.

Do fundo do poço ao abraço em La Plata

A reconstrução começou no fim de julho, quando ele voltou ao Estudiantes em busca de um ambiente menos hostil. O que encontrou em La Plata foi uma torcida disposta a abraçá-lo. Ainda no aquecimento, o nome de Muslera passou a ser cantado, mesmo após novas falhas.

Logo no retorno, uma falha de comunicação com o zagueiro Ramiro Funes Mori terminou em gol do Independiente na derrota por 2 a 0. Em outros cenários, o erro poderia aprofundar o buraco. No Estudiantes, gerou apoio. Emocionado, o goleiro contou ter “sentir uma mistura de dor e alegria com a recepção e as mensagens que recebera dos companheiros”.

Em agosto, contra o Defensa y Justicia, viveu um dos momentos-chave desse processo. Espalmou mal uma bola, que só não virou gol porque Gastón Benedetti salvou em cima da linha. Depois, desabafou com o colega, dizendo que, sem aquela intervenção, poderia voltar a um “poço” do qual talvez não conseguisse sair. No mesmo jogo, porém, defendeu um pênalti de David Barbona na vitória por 3 a 0 e foi ovacionado. Tiago Palacios resumiu o clima: “Muslera precisava daquele reconhecimento depois de tudo o que sofrera na Copa”.

O Estudiantes ofereceu algo raro no futebol de alto nível: espaço para errar sem ser condenado. A comissão técnica reforçou a confiança, o vestiário o tratou como líder e, nas arquibancadas, o apoio se manteve nos dias bons e ruins.

Campanha segura até o Maracanã

Na Libertadores, essa base emocional se traduziu em desempenho. Nas oitavas de final, contra a Universidad Católica, Muslera acumulou intervenções importantes e saiu sem sofrer gols na partida decisiva. Nas quartas, diante do Corinthians, apareceu com uma defesa difícil em chute de Matheus Bidu, ajudando a sustentar a classificação.

A cada jogo, o goleiro mostrava menos hesitação e mais automatismo de quem se sente de novo capaz de decidir. A experiência de cinco participações em Mundial de Seleções, mais 14 anos como referência em um gigante europeu, voltava a pesar a favor.

O Estudiantes, que já havia conquistado dois títulos argentinos com o uruguaio no elenco, via seu goleiro retomar o protagonismo. A sequência de boas atuações pavimentou o caminho para o que aconteceria no Maracanã.

Qual foi a importância do jogo contra o Flamengo para a carreira de Muslera?

O jogo contra o Flamengo representa, até agora, o ponto mais alto da reconstrução de Muslera, consolidando sua recuperação emocional e técnica e recolocando seu nome no centro do futebol sul-americano como símbolo de resiliência.

Aos 40 anos, depois de falhar em três partidas de Mundial e confessar não ter condições psicológicas de seguir em campo pela seleção, o uruguaio volta ao mesmo país onde foi duramente questionado para, no Maracanã, decidir uma semifinal de Libertadores com três pênaltis defendidos. A cena contrasta com a do intervalo em que pediu substituição e ressignifica sua relação com grandes palcos.

Para o Estudiantes, o efeito é imediato: o clube ganha um líder incontestável na reta final da temporada, com moral elevado no vestiário e nas arquibancadas. Muslera vira referência não só técnica, mas emocional, especialmente para jogadores mais jovens.

Para o Flamengo, a derrota nos pênaltis expõe o peso da pressão em decisões. Ver jogadores como Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique terem suas cobranças defendidas acende o debate sobre preparação mental e treino específico para momentos decisivos.

No cenário mais amplo, o caso de Muslera reforça a importância do suporte psicológico e da gestão de crises em seleções e clubes. A forma como o Estudiantes o acolheu, permitindo que ele errasse e se reconstruísse, tende a servir de exemplo para outros projetos que lidam com atletas veteranos ou em queda de rendimento.

A idade avançada também desafia preconceitos. Com 40 anos, depois de 14 temporadas de alto nível no Galatasaray e oito campeonatos nacionais no currículo, Muslera mostra que longevidade esportiva não se limita ao físico: depende de ambiente, confiança e capacidade de lidar com fracassos. A final da Libertadores, na qual ele chega como potencial protagonista, será mais um capítulo dessa história de segunda chance.

Fonte: matéria original