NAT type: como ele afeta seus jogos online em casa
NAT type define o nível de restrição entre seu console ou PC e a internet. Veja como ele impacta Xbox, PS5, Switch e PC, e o que fazer se o jogo vive dando erro.

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Entenda como o tipo de NAT influencia a conexão dos seus dispositivos e afeta a experiência nos games.
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O tipo de NAT na rede doméstica virou peça-chave para quem joga online em Xbox, PlayStation, Nintendo Switch ou PC: ele define se o console consegue se conectar sem barreiras a outros jogadores ou se vai encarar erros de lobby, chat de voz mudo e dificuldade para achar partidas.
Qual o melhor tipo de NAT para jogos online?
Para jogar sem dor de cabeça, o cenário ideal é ter NAT aberto ou equivalente — Open no Xbox/PC, Type 2 no PS5 e NAT A ou B no Switch — porque essas configurações permitem que o console converse com a maior quantidade possível de outros jogadores.
Na prática, o NAT type mede o quão “presa” está a comunicação entre o seu videogame e a internet. Como explica a definição técnica, “NAT stands for network address translation and is a key part of how the internet has worked for some time”. No padrão IPv4, ainda dominante, cada casa costuma ter um único endereço IP público, e o roteador faz a tradução para os vários dispositivos internos.
Nos consoles e em muitos jogos, isso aparece em faixas diferentes:
No Xbox e no PC, o teste de rede exibe três categorias: Open, Moderate e Strict. No PlayStation, elas aparecem como Type 1, Type 2 e Type 3. No Nintendo Switch, a escala vai de NAT type A, B e C, com D para conexões muito limitadas e F quando o console nem consegue se conectar.
As descrições usadas pela indústria são claras: “An Open NAT means your gaming console or PC is directly connected to the internet and has no restrictions on what it can communicate with”. Já o modo mais fechado, segundo a mesma explicação, é aquele em que “Strict means your system has necessary ports blocked and can’t communicate normally”.
Em termos de compatibilidade, vale a regra resumida assim: “With an Open NAT type, you can connect to anyone else; and with Moderate you can connect to other Moderate or Open players”. Quem está em Strict só consegue jogar com quem está em Open, o que na prática significa mais erros de matchmaking e dificuldade para entrar na sala de amigos.
Apesar disso, ligar o console direto no modem buscando um Open “puro” não é a solução mágica. Deixar o videogame exposto à internet, sem passar por um roteador com firewall, aumenta riscos de segurança e complica a conexão de outros aparelhos da casa.
O que é NAT tipo C e como afeta o jogo online?
No Nintendo Switch, NAT type C indica uma rede mais restrita, equivalente a um NAT Strict ou Type 3 em outros sistemas, e isso pode causar problemas para encontrar partidas e usar recursos online com amigos.
No portátil da Nintendo, a escala oficial vai de A a F. NAT A e B são considerados bons para multiplayer, enquanto C já indica portas importantes bloqueadas no roteador. D aponta uma conexão muito limitada e F significa que o console não consegue concluir a conexão.
Com NAT C, o jogador costuma sofrer em jogos que usam conexão peer-to-peer (P2P), em que a própria máquina de um dos participantes atua como servidor. Nesses casos, o Switch com NAT C pode até se conectar a lobbies mais abertos, mas terá limitações para criar salas, falar em voz com todos ou participar de sessões privadas com amigos com NAT também restrito.
Importante: o tipo de NAT não mexe na velocidade da banda larga nem no ping. Como definem os manuais técnicos, “NAT type doesn’t change your network speed or ping; it only affects who your console can talk to”. Ou seja, ele não deixa a internet mais rápida ou lenta — só define com quem o console consegue falar.
O que significa ter NAT tipo B no Nintendo Switch 2?
No Switch ou Switch 2, NAT type B é considerado um bom cenário para jogos online, porque indica que o console está atrás de um roteador, mas consegue se comunicar normalmente com a maioria dos jogadores.
Na nomenclatura da Nintendo, B é o equivalente prático a Moderate ou Type 2 em outras plataformas. O videogame reconhece que há um roteador no caminho, mas as portas usadas pelos jogos conseguem ser abertas quando necessário. Para o jogador, isso costuma significar matchmaking funcionando, chat de voz estável e criação de lobbies sem grandes entraves.
Problemas mais sérios aparecem quando o NAT cai para C, D ou F. Nessas situações, jogos com dependência forte de P2P podem falhar na conexão com amigos, principalmente se eles também não estiverem em A ou B.
Como fazer o teste do tipo de NAT?
O próprio console ou PC faz o teste de NAT type, e o caminho passa sempre pelo menu de rede e pela opção de testar a conexão com a internet.
No PS5, o caminho padrão é ir em Settings, depois Network, entrar em Connection Status e tocar em Test Internet Connection. O relatório mostra o tipo de NAT na mesma tela em que informa IP, velocidade de download e upload.
No Xbox Series X|S, o processo começa em Settings. Em seguida, o jogador entra em General, depois em Network Settings e confere o campo Current Network Status, onde aparece o NAT type do momento.
No Nintendo Switch, o teste é feito abrindo Settings, escolhendo Internet e tocando em Test Connection. Ao final, o console exibe o resultado com o rótulo NAT Type e uma das letras A, B, C, D ou F.
No PC, muitos jogos de tiro e títulos focados em multiplayer trazem o tipo de NAT em um canto do menu de rede ou de opções online. Algumas lojas e plataformas também exibem se as portas necessárias para matchmaking estão abertas.
Como mudar o tipo de NAT no Xbox?
Não existe um botão único para mudar o NAT type no Xbox, mas ajustes no roteador — como evitar double NAT, ativar UPnP ou fazer port forwarding — costumam resolver a maior parte dos problemas.
O primeiro passo é checar se há dois roteadores ativos na rede, um do provedor e outro próprio. Nesse cenário, a casa entra em double NAT, com duas camadas de tradução diferentes. O ideal é deixar o equipamento da operadora em modo bridge ou transformar o segundo aparelho em ponto de acesso (AP), para que só um deles faça a função de roteador.
Se o NAT continuar Strict, uma abordagem comum é ligar o UPnP (Universal Plug and Play) no roteador, recurso que permite que o Xbox peça automaticamente a abertura de portas quando precisa. Essa solução é prática, mas traz risco: um dispositivo mal-intencionado dentro da rede também poderia abusar do UPnP para abrir portas indesejadas.
Uma alternativa mais trabalhosa, porém mais segura, é configurar manualmente o redirecionamento de portas (port forwarding) para o Xbox, informando o IP do console no painel do roteador e abrindo as portas usadas pelos serviços online. Em casos extremos, alguns jogadores colocam o videogame em DMZ, área do roteador com menos filtros, mas isso expõe mais o aparelho à internet.
Quando o problema é NAT aplicado pelo próprio provedor a um grupo de clientes (o chamado CGNAT), a solução pode envolver ativar IPv6 no roteador ou pedir um IP público dedicado à operadora.
Como mudar o tipo de NAT no PS5?
No PS5, o caminho para melhorar um NAT Type 3 passa pelos mesmos ajustes de rede usados no Xbox: corrigir double NAT, ativar UPnP com cautela ou recorrer ao encaminhamento de portas e à negociação com o provedor de internet.
Depois de rodar o teste em Settings > Network > Connection Status, se o resultado mostrar Type 3, o console está com portas importantes bloqueadas. A primeira medida é garantir que só um roteador esteja em modo roteador na rede doméstica. O equipamento extra deve ser colocado em bridge ou AP, evitando camadas duplicadas de tradução.
Com a topologia ajustada, o jogador pode testar o UPnP no roteador principal para permitir que o PS5 solicite automaticamente as portas necessárias. Se a preocupação com segurança for maior, o caminho é criar regras de port forwarding específicas para o IP do console, abrindo apenas o mínimo necessário.
Se nem isso resolver, vale investigar se a operadora usa CGNAT, prática comum em planos residenciais. Nesse caso, ativar IPv6 — já suportado pelo PS5, ainda que em modo híbrido com IPv4 — pode aliviar parte das restrições. Quando não for suficiente, a saída costuma ser negociar com o provedor um IP público individual.
Entenda o contexto
O NAT nasceu como resposta a uma limitação matemática. O IPv4, padrão de endereços da internet ainda amplamente usado, consegue gerar cerca de quatro bilhões de números únicos. Esse universo, que parecia enorme quando foi criado, ficou pequeno diante de uma realidade em que uma única casa pode ter dezenas de dispositivos conectados.
Para contornar a escassez, operadoras adotaram o Network Address Translation nos roteadores domésticos. Em vez de entregar um endereço público para cada aparelho, a empresa fornece um só IP para toda a casa, e o roteador traduz o tráfego de entrada e saída para os dispositivos internos.
Na maior parte do tempo, essa engenharia é invisível. Mas, em jogos online que dependem de conexões P2P, qualquer restrição nas portas e camadas extras de NAT se traduzem em lobbies que não abrem, convites de amigos que falham e voz que não conecta.
A transição em curso para o IPv6, padrão que tem endereços suficientes para que praticamente qualquer objeto conectado tenha seu próprio IP, tende a eliminar a necessidade de NAT no futuro. Até lá, a combinação de IPv4 com redes domésticas cheias de roteadores mantém o tipo de NAT no centro da experiência de quem joga online.

