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Nilton Travesso morre aos 92 e deixa escola de atores referência

Diretor Nilton Travesso morre aos 92 anos em São Paulo. Corpo será velado neste sábado (7), na Bela Vista. Pioneiro da TV, ele deixa legado em programas e na formação de atores.

Nilton Travesso morre aos 92 e deixa escola de atores referência

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Diretor pioneiro da TV e referência na formação de atores falece aos 92 anos em São Paulo.

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O diretor de televisão Nilton Travesso, um dos nomes mais influentes da história da TV brasileira, morreu nesta sexta-feira (6), aos 92 anos, em São Paulo. Pioneiro na direção de programas e na formação de artistas, ele deixa um legado que atravessa gerações, da TV Record dos anos 1950 à criação da própria escola de atores.

O corpo será velado neste sábado (7), das 10h às 17h, na Funeral Home, na Bela Vista, região central da capital paulista. A causa da morte não foi informada.

Qual foi a contribuição de Nilton Travesso para a televisão brasileira?

Nilton Travesso foi um dos arquitetos da televisão brasileira ao longo de mais de 70 anos de trabalho, ajudando a criar formatos, programas e equipes que marcaram época.

Ele começou a carreira em 1953, ano de fundação da TV Record, onde foi um dos primeiros profissionais da emissora. Na prática, acompanhou o nascimento da TV no país e participou da consolidação da linguagem televisiva ao dirigir atrações ao vivo, musicais e programas de variedades.

Em meados da década de 1970, foi convidado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, para trabalhar na Globo, onde ajudou a estruturar um dos carros-chefe do entretenimento dominical: o Fantástico. Ali, atuou tanto na criação quanto na definição de formato, num momento em que a TV brasileira passava a apostar em grandes revistas eletrônicas semanais.

Travesso também se destacou pela capacidade de montar núcleos de dramaturgia e liderar equipes multidisciplinares, transitando por novelas, humorísticos, programas femininos, infantis e musicais. Colegas o viam como um diretor rigoroso, mas atento à formação dos mais jovens, algo que mais tarde ele levaria para sua própria escola.

Ao longo da carreira, trabalhou em emissoras como Globo, Record, Bandeirantes, Manchete e SBT, sempre em posições de criação, direção ou coordenação de projetos. Foi lembrado por profissionais de diferentes gerações como um formador de elenco, de diretores e de equipes técnicas.

Em uma participação no programa Mais Você, Ana Maria Braga resumiu a importância do colega: “Ele ajudou a construir a televisão brasileira”, disse a apresentadora. Em outra homenagem, o jornalista Pedro Bial afirmou que “Nilton Travesso foi uma figura importante para a televisão brasileira”, destacando a influência dele nos bastidores e no desenvolvimento de formatos consagrados.

Quais programas Nilton Travesso ajudou a criar?

Nilton Travesso esteve por trás de alguns dos programas mais emblemáticos da TV brasileira, em diferentes fases da carreira.

Depois do início na TV Record, ele foi para a Globo em 1974 para integrar a criação do Fantástico. O programa se tornaria uma referência em jornalismo e entretenimento dominical, misturando reportagens, quadros de humor, música e dramaturgia.

No ano seguinte, produziu América do Sul, com Ney Matogrosso, gravação feita em meio à floresta e frequentemente citada como o primeiro videoclipe da televisão brasileira, por unir linguagem musical, filmagem externa e narrativa visual num formato inédito para a época.

Nos anos 1980, participou da criação de Som Brasil, dedicado à música brasileira, e de TV Mulher, programa que abriu espaço para temas ligados ao cotidiano e aos direitos das mulheres, em um período em que esse debate ainda engatinhava na televisão aberta.

O diretor comandou ainda o infantil Balão Mágico, sucesso entre crianças, e foi diretor executivo do humorístico Chico Anysio Show em 1986, trabalhando diretamente com um dos maiores nomes do humor brasileiro. Mais tarde, assumiu a direção do Mais Você, aproximando-se do público matinal e reforçando sua versatilidade.

Além desses, trabalhou em novelas e em diferentes formatos, construindo uma trajetória que atravessou entretenimento, humor, jornalismo e programas femininos, sempre com forte atuação na formação de elenco e equipes.

O que foi a Oficina de Atores Nilton Travesso?

A Nilton Travesso Oficina de Atores é a escola de formação artística criada pelo diretor em 2001, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, com foco em artes cênicas e audiovisual.

O objetivo da instituição sempre foi preparar artistas para o mercado de trabalho sem abrir mão da base teatral. O próprio Travesso resumia a proposta dizendo: “Mantemos a valorização da formação teatral na escola”, em referência ao compromisso com a interpretação no palco como base para atuação em TV, cinema e streaming.

A escola oferece cursos de interpretação, mas vai além da frente de atores. A grade inclui conteúdos de produção executiva e artística, operação técnica, cenografia e figurino, formando profissionais para diferentes funções do mercado audiovisual.

Entre os diferenciais da Oficina de Atores Nilton Travesso está justamente a ponte com o universo profissional da TV, algo que o diretor levava da experiência de décadas em emissoras de grande porte. A escola se consolidou como espaço de formação para jovens artistas — muitas vezes o primeiro contato de quem via em Nilton Travesso jovem um modelo de trajetória na televisão.

Entenda o contexto

Ao longo da vida, Nilton Travesso cultivou amizades e parcerias com nomes como Jô Soares, com quem dividiu bastidores de programas e momentos importantes da TV brasileira. Em entrevistas, ele costumava dizer que a televisão era sua grande paixão e que não se via fazendo outra coisa. Em uma participação no Mais Você, resumiu o sentimento em duas palavras: “É fascinante”.

As homenagens à morte do diretor ressaltam justamente esse vínculo afetivo com a TV e com as equipes que comandou, a influência sobre diferentes gerações de profissionais e o legado da Nilton Travesso Oficina de Atores, que deve seguir como guardiã de sua visão de formação artística.

O velório deste sábado (7), na Bela Vista, será a oportunidade para que familiares, amigos, ex-alunos e colegas de profissão se despeçam de um dos principais diretores da história da televisão brasileira.