Pecuarista foge após matar jovem em Rifaina SP no km 463
Empresária de 24 anos foi morta a tiro às margens da SP-334 ao encerrar relação casual com pecuarista de 62 anos. Justiça decretou prisão preventiva; buscas continuam.

Polícia
Homem de 62 anos é procurado após assassinato de jovem empresária na SP-334 em Rifaina.
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A empresária de marketing digital Priscila Lacerda Custodio, de 24 anos, foi morta a tiro pelo pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, durante a devolução de uma caminhonete em Rifaina (SP), na Rodovia Cândido Portinari (SP-334). A Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito, que está foragido e é investigado por feminicídio.
O que aconteceu com a jovem de 24 anos morta em Rifaina?
Priscila foi baleada na noite de 27 de outubro, no quilômetro 463 da SP-334, na entrada de uma propriedade rural em Rifaina, depois de viajar cerca de 100 km a partir de Perdizes (MG) para devolver uma caminhonete Toyota Hilux a João Roberto Bolelli e encerrar o relacionamento casual que mantinham desde julho.
Com medo das ameaças que vinha sofrendo, ela pediu ao irmão, Geovane Santana, e a uma amiga que a acompanhassem na viagem. Na chegada ao local combinado, já na área rural de Rifaina, houve discussão por causa de um celular: o pecuarista exigia a devolução do aparelho que havia dado à jovem, enquanto Priscila pedia de volta o próprio telefone.
Testemunhas relataram que, durante o desentendimento, Bolelli sacou uma arma e atirou contra a empresária, atingindo-a no abdômen. “Foi muito rápido, em uma fração de segundos”, disse o irmão, que presenciou o crime. Em seguida, o suspeito ainda teria apontado o revólver para Geovane antes de fugir na mesma caminhonete que estava sendo devolvida.
Priscila foi socorrida e levada ao hospital de Rifaina, mas não resistiu. A caminhonete usada na fuga foi encontrada abandonada próximo à propriedade rural ligada ao pecuarista.
Quem é o pecuarista suspeito de matar a ex-namorada em Rifaina?
João Roberto Bolelli tem 62 anos, é pecuarista, natural de Rifaina, e conhecido na região por sua atuação na atividade leiteira. Ele é apontado pela Polícia Civil como o autor do disparo que matou Priscila e responde agora a inquérito por feminicídio.
O histórico de Bolelli inclui episódios de violência contra mulheres. Ele já teve prisão preventiva decretada por descumprir medida protetiva em favor de uma ex-companheira e foi condenado em regime aberto por perseguição. Há também registro anterior de agressões enquadradas como contravenção penal.
Além das acusações envolvendo ex-parceiras, o pecuarista trava há pelo menos 15 anos uma disputa judicial com uma meia-irmã por herança relacionada justamente à propriedade rural em Rifaina onde se deu o encontro com Priscila. A área é alvo de um processo que envolve dívida de arrendamento que ultrapassa R$ 540 mil.
Entenda o contexto
Priscila e Bolelli mantinham um relacionamento casual desde julho. Segundo depoimentos colhidos pela polícia, a jovem já havia tentado encerrar o envolvimento, mas o pecuarista não aceitava o término, fazia ameaças e chegou a contratar um detetive particular para monitorar a rotina dela em Minas Gerais.
Uma amiga contou à Polícia Civil que Priscila foi agredida por ele quatro dias antes do assassinato, apresentando marcas visíveis pelo corpo. O suspeito teria dito que daria um tiro na cabeça da empresária e que pagaria para colocarem pessoas vigiando a vítima em Perdizes.
As ameaças e agressões levaram a jovem a não ir sozinha à devolução da caminhonete. Mesmo assim, a presença do irmão e da amiga não impediu o ataque.
Priscila nasceu em Perdizes, trabalhava desde os 16 anos, começou como bartender e construiu carreira como empresária de marketing digital, organizando eventos na região. “Nunca precisou de nada de ninguém”, afirmou o irmão Geovane. A jovem namorava o estudante Samuel Ramos, com quem morava havia cerca de um mês e com quem planejava se mudar para Uberlândia (MG).
Como a polícia está investigando o assassinato em Rifaina?
O caso é apurado pela Polícia Civil de Rifaina como feminicídio, sob coordenação do delegado Fábio Branquinho. Testemunhas que estavam na cena do crime já foram ouvidas, a área às margens da SP-334 passou por perícia e o celular de Priscila foi apreendido para análise, na tentativa de reunir provas sobre as ameaças e o comportamento do suspeito antes do encontro.
A motivação apontada pelos investigadores envolve ciúme e inconformismo de João Roberto Bolelli com o fim da relação. A polícia também apura a participação de outras pessoas que chegaram com o pecuarista em um carro branco até a entrada da fazenda, para entender se houve algum tipo de apoio antes ou depois dos disparos.
Paralelamente à coleta de depoimentos e laudos periciais, equipes seguem em diligências na região de Rifaina e cidades vizinhas em busca do paradeiro do pecuarista.
Por que o pecuarista suspeito de feminicídio em Rifaina está foragido?
João Roberto Bolelli fugiu logo após o disparo que matou Priscila, usando a caminhonete que ela tinha ido devolver. O veículo foi localizado abandonado próximo à propriedade rural, mas o suspeito não foi encontrado e, desde então, é considerado foragido.
No dia 28 de outubro, a Justiça de Pedregulho decretou a prisão preventiva do pecuarista, acolhendo pedido da Polícia Civil. Ao determinar a medida, o juiz Luiz Gustavo Giuntini de Rezende destacou o risco de interferência nas apurações. “A liberdade do suspeito poderia comprometer a investigação, inclusive pela possibilidade de interferência na coleta de depoimentos”, escreveu o magistrado.
Com a ordem de prisão em vigor, a captura do pecuarista é tratada como prioridade pelas forças de segurança da região. A defesa de Bolelli informou que analisa o caso e que ainda não teve contato com ele.
Qual a relação do caso com Rifaina e a região
O crime ocorreu na zona rural de Rifaina, município conhecido pelas praias de água doce formadas pelo reservatório do rio Grande e que costuma aparecer em buscas como “Rifaina praia” e “Rifaina SP onde fica”. O ponto do assassinato fica às margens do quilômetro 463 da SP-334, trecho que dá acesso a propriedades rurais na divisa com Minas Gerais, área de circulação de trabalhadores e turistas que utilizam a rodovia para chegar ao balneário.
A morte de Priscila, uma jovem que cruzou a fronteira estadual para resolver uma pendência pessoal e acabou assassinada, expôs a sensação de insegurança em uma região que costuma ser lembrada pelo turismo e pela tranquilidade. Organizações de defesa da mulher e autoridades locais avaliam ações de conscientização sobre violência de gênero no interior, enquanto familiares da vítima buscam apoio psicológico e jurídico para acompanhar o caso e cobrar responsabilização do suspeito.


