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Quaest mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados para 2026

Nova pesquisa Quaest revela empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Levantamento testa forças regionais, impacto das bets e expectativa para o debate.

28/09/2026 10:01 8 min de leitura
Quaest mostra Lula e Flávio Bolsonaro empatados para 2026
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Pesquisa Política

Levantamento aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026.

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam tecnicamente empatados à reta final antes do debate presidencial da Globo, indica pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira. O levantamento nacional mede o humor do eleitorado após a proibição das apostas esportivas e expõe um país rachado em blocos regionais, com independentes no centro da disputa.

Empate no agregado, três Brasis no mapa

A Quaest ouviu 2.004 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 24 e 27 deste mês, em entrevistas presenciais, distribuídas pelos 26 estados e o Distrito Federal. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06520/2026.

No levantamento anterior, divulgado há uma semana, Lula aparecia com 37% das intenções de voto no primeiro turno, Flávio Bolsonaro somava 33% e Augusto Cury (Avante) tinha 6%. Na simulação de segundo turno, Flávio tinha 42% contra 41% de Lula, em empate técnico. O novo retrato mantém o cenário de equilíbrio e reforça que nenhuma das candidaturas consegue se descolar com folga do pelotão.

Os dados estaduais, analisados pelo diretor da Quaest e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Felipe Nunes, mostram um país dividido em três blocos. Lula lidera em 10 estados, concentrado no Nordeste e com avanço no Amapá. Flávio Bolsonaro está à frente em 8, entre eles Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Nove unidades da Federação, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, aparecem empatadas dentro da margem de erro.

Voto calcificado e guerra pelos independentes

O retrato regional sugere que o eleitorado repete, quase milimetricamente, o padrão da última eleição presidencial. “O voto de Lula hoje é quase uma cópia de 2022. A correlação entre a intenção de voto em cada estado e o resultado do 1º turno de 2022 é de 0,98. É a calcificação em números”, afirma Felipe Nunes. Segundo ele, o mesmo fenômeno se observa do outro lado da polarização: o mapa de Flávio imita o desempenho de Jair Bolsonaro, com pequena variação.

Lula aprofunda a vantagem onde já era forte. Cresce principalmente no Nordeste, com saltos de até 7 pontos percentuais em alguns estados, e consolida um cinturão de apoio que também puxa sua força nacional. Flávio Bolsonaro, por sua vez, melhora o desempenho bolsonarista no Norte e no Centro-Oeste e mostra fôlego em redutos conservadores, embora encontre mais concorrência da direita tradicional em locais como Distrito Federal, Goiás e parte do Sul.

A engrenagem eleitoral, porém, não gira apenas com lulistas e bolsonaristas. “O jogo está nos independentes. Eles são de 24% a 36% do eleitorado nos estados e chegam ao pico no RJ (36%), no AM (35%) e em TO, RS e GO (33%)”, diz Nunes. Esses eleitores rejeitam rótulos claros de esquerda ou direita, oscilam mais e tendem a prestar atenção redobrada a debates, escândalos e mudanças na economia.

Aprovação do governo, medo e aposta no favoritismo

A popularidade do governo federal ajuda a desenhar o mapa do voto. O Palácio do Planalto tem saldo positivo de avaliação no Nordeste e em parte da Amazônia, o que impulsiona Lula. No Centro-Sul, a avaliação é predominantemente negativa, ambiente mais favorável a Flávio Bolsonaro. Mesmo assim, a transferência mecânica entre aprovação de governo e intenção de voto não se confirma em todos os estados.

O sentimento de medo funciona como linha invisível dessa divisão. No Nordeste, quase seis em cada dez eleitores dizem recear o retorno da família Bolsonaro ao poder. No Norte e no Sul, o maior temor recai sobre a continuidade de Lula. Em estados-chave como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás, cresce o grupo que declara medo dos dois lados, faixa em que se concentram os independentes de maior peso.

Nesse cenário polarizado, o favoritismo percebido nem sempre acompanha os números frios da intenção de voto. “Mesmo onde está empatado ou atrás, Lula é visto como favorito. Em SP, 50% acham que ele vence (35% Flávio). No RJ, 49% a 37%. No PR, 44% a 40%. Flávio só é apontado como vencedor em 7 estados”, observa Nunes. A percepção de quem “vai ganhar” tende a influenciar o voto útil na reta final, sobretudo entre indecisos.

Proibição das bets, debate da Globo e volatilidade

A pesquisa desta segunda-feira é a primeira após o anúncio da proibição das apostas esportivas no país, decisão tomada por Lula na sexta-feira. A medida mexe com um mercado bilionário, afeta clubes de futebol e casas de apostas e pode alterar o ambiente político, sobretudo entre jovens que se aproximaram da política via influenciadores ligados ao tema. O levantamento ainda não captura de forma direta o impacto da decisão na intenção de voto, mas registra o clima em meio ao início da discussão.

O estudo também é o último termômetro antes do debate presidencial da Globo, marcado para quinta-feira. Flávio Bolsonaro confirma participação e deve enfrentar Lula em rede nacional. Em vários estados, entre 11% e 23% dos eleitores que já declaram um candidato admitem que ainda podem mudar de escolha. Paraná, Amapá, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Distrito Federal aparecem entre os mais voláteis.

Sete estados já têm hoje um candidato com vantagem considerada difícil de reverter no primeiro turno da eleição presidencial local, segundo o critério da Quaest, que exige liderança acima da soma dos adversários e fora da margem de erro. Outros 14 permanecem na margem de decisão, campo fértil para mudanças após o debate e a intensificação da propaganda.

O que está em jogo até a próxima pesquisa

As preocupações do eleitor ajudam a orientar o discurso das campanhas. Violência é o principal problema apontado no Rio de Janeiro, Ceará e Bahia. Saúde lidera em grande parte do país, chegando a 60% no Distrito Federal, enquanto enchentes ainda aparecem com peso relevante no Rio Grande do Sul. Segurança pública, sistema de saúde e gestão de desastres tendem a dominar a pauta dos próximos dias.

Lula e Flávio Bolsonaro ajustam estratégias a partir desse mapa. A campanha petista tenta ampliar a vantagem no Nordeste e reduzir danos no Centro-Sul, apostando na imagem de experiência e na defesa de políticas sociais. O campo bolsonarista busca unificar a direita em torno de Flávio, converter desaprovações ao governo em voto consolidado e explorar o desgaste econômico e moral do Planalto.

Uma nova rodada da Quaest está marcada para os dias 2 e 3 de outubro, com 3.702 entrevistas planejadas e registro no TSE sob o número BR-02197/2026. O foco será medir o efeito do debate da Globo, testar novamente o cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro e avaliar quão firmes estão as intenções de voto. A combinação de eleitorado calcificado, contingente expressivo de independentes e ambiente econômico incerto indica que a disputa segue aberta, com espaço para movimentos bruscos até a abertura das urnas.

O que mostra a nova pesquisa Quaest para presidente?

A nova pesquisa Quaest, com 2.004 entrevistas presenciais e margem de erro de 2 pontos percentuais, mostra Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) tecnicamente empatados na corrida presidencial, com Lula liderando em 10 estados, Flávio à frente em 8 e outros 9 empatados, num cenário nacional marcado por forte polarização e disputa pelos eleitores independentes.

Qual o papel dos eleitores independentes na eleição de 2026?

Os eleitores independentes, que variam de 24% a 36% do eleitorado conforme o estado, tornam-se o principal fiel da balança em 2026 porque não se reconhecem nem como lulistas nem como bolsonaristas, concentram-se em regiões decisivas como Sudeste e Centro-Oeste e mantêm alta disposição para rever o voto até a reta final da campanha.

Como a proibição das apostas esportivas entra no cenário eleitoral?

A proibição recente das apostas esportivas, anunciada pelo presidente Lula poucos dias antes da divulgação da pesquisa, insere no cenário eleitoral um tema econômico e culturalmente sensível, com impacto sobre jovens, clubes e casas de apostas, podendo influenciar a avaliação do governo e o humor do eleitor, embora seus efeitos diretos ainda não apareçam claramente na intenção de voto.

O debate da Globo pode mudar o quadro entre Lula e Flávio Bolsonaro?

O debate presidencial da Globo, marcado para 1º de outubro e com participação confirmada de Lula e Flávio Bolsonaro, pode alterar o quadro porque entre 11% e 23% dos eleitores que já escolheram candidato ainda admitem mudar de voto, sobretudo em estados decisivos como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Distrito Federal.


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