Quaest pesquisa revela empate técnico entre Lula e Flávio em 2026
Levantamento Quaest divulgado hoje mostra Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 33% no 1º turno, empate técnico no 2º e disputa aberta às vésperas do debate da Globo.
Eleições 2026
Nova pesquisa Quaest aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno presidencial.
A nova pesquisa Quaest para presidente, divulgada hoje, mantém a eleição de 2026 em aberto: Lula (PT) aparece com 37% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro (PL) com 33% no primeiro turno, dentro de um cenário de forte polarização e alta incerteza entre os eleitores.
Na simulação de segundo turno, o quadro é ainda mais apertado. Flávio Bolsonaro registra 42%, Lula tem 41%, diferença que fica dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, o que configura empate técnico e reforça a sensação de país dividido.
País rachado em três mapas eleitorais
A Quaest ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 24 e 27 de setembro, em entrevistas presenciais e domiciliares realizadas em 26 estados e no Distrito Federal. O levantamento tem nível de confiança de 95% e usa sorteio de municípios e setores censitários, com cotas de sexo, idade, renda e escolaridade.
Os números divulgados hoje são o último retrato nacional do instituto antes do debate presidencial da Globo, marcado para quinta-feira. O encontro ganha peso especial porque ocorre em um ambiente de empate técnico no país e forte divisão regional, descrita pelo diretor da Quaest, Felipe Nunes, como “três Brasis” distintos.
Segundo a leitura de Nunes, Lula lidera em 10 estados, concentrado no Nordeste e no Amapá. Flávio Bolsonaro está à frente em 8 unidades da federação, entre elas Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Outros 9 estados, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, aparecem empatados dentro da margem de erro, o que transforma esses colégios eleitorais em terreno decisivo para a reta final.
Os dados indicam uma forte repetição do mapa da eleição passada. “O voto de Lula hoje é quase uma cópia de 2022. A correlação entre a intenção de voto em cada estado e o resultado do 1º turno de 2022 é de 0,98. É a calcificação em números”, diz Felipe Nunes, que também é professor da Fundação Getulio Vargas.
Ele afirma que o mesmo vale para o campo adversário. “O voto em Flávio repete o de Jair em 2022, com correlação de 0,95. Trocou o nome, o eleitorado ficou.” A fotografia reforça uma campanha em que os dois polos mobilizam bases consolidadas, mas ainda dependem de quem não se identifica plenamente com nenhum dos lados.
Independentes decidem disputa e testam efeito das bets
O grupo dos eleitores independentes é o principal alvo das campanhas e pode definir o resultado em estados-chave. De acordo com a análise da Quaest, esse segmento varia de 24% a 36% do eleitorado, com picos no Rio de Janeiro, onde chega a 36%, no Amazonas, com 35%, e em Tocantins, Rio Grande do Sul e Goiás, em torno de 33%.
Nesses locais, o voto ainda é mais volátil. Em alguns estados, entre 11% e 23% dos eleitores que já declararam preferência admitem que podem mudar de escolha até a votação. Paraná, Amapá, São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e o Distrito Federal estão entre as unidades com maior instabilidade.
A aprovação do governo federal ajuda a desenhar o mapa da disputa. O saldo é positivo no Nordeste e em parte do Norte, como Amazonas e Pará, zonas em que Lula se fortalece e aprofunda vantagens. No Centro-Sul, incluindo boa parte do Sudeste e do Centro-Oeste, o saldo é negativo, ambiente mais favorável para Flávio Bolsonaro.
O medo funciona como organizador silencioso do voto. No Nordeste, cerca de 60% dos eleitores afirmam temer a volta da família Bolsonaro ao poder. No Norte e no Sul, por outro lado, até 64% dizem ter medo de mais um mandato de Lula. Em estados como Minas, São Paulo, Rio, Distrito Federal e Goiás, cresce o grupo que teme ambos, faixa em que se concentra o eleitor realmente em disputa.
A pesquisa divulgada hoje também é a primeira após o anúncio da proibição das apostas esportivas no país, medida comunicada por Lula na sexta-feira. O levantamento cobre o período imediatamente posterior ao anúncio, o que permite medir reações iniciais, mas ainda não registra um impacto brusco nas intenções de voto. Por ora, o tema entra mais como ruído na campanha do que como fator de virada.
Debate da Globo e nova pesquisa podem redesenhar campanha
O debate de quinta-feira, organizado pela Globo, se torna o próximo grande teste da corrida presidencial. Flávio Bolsonaro já confirmou participação e diz esperar enfrentar Lula em um confronto direto em rede nacional. O encontro acontece com a disputa empacada numericamente e forte expectativa de que desempenhos individuais possam deslocar parte do eleitorado independente.
Analistas avaliam que, com tamanha divisão regional e alta correlação com o voto passado, o espaço de crescimento está menos em “roubar” votos do adversário e mais em ativar quem ainda está desmobilizado. A possibilidade de abstenção e o nível de interesse na eleição entram no radar das campanhas como variáveis tão importantes quanto a própria intenção de voto.
A Quaest já programa uma nova rodada nacional para os dias 2 e 3 de outubro, véspera do primeiro turno, com 3.702 entrevistas presenciais e domiciliares em todo o país. O instituto pretende medir não apenas a evolução das intenções de voto após o debate, mas também a firmeza das escolhas e o medo em relação aos candidatos.
O questionário inclui ainda avaliação do governo, posicionamento ideológico, percepção sobre quem é favorito para vencer e intenção de comparecimento às urnas. A expectativa é que, mantido o padrão atual, o país chegue à votação com cenário extremamente competitivo, campanhas mais agressivas e discursos voltados a mobilizar medos e esperanças de um eleitorado ainda dividido.
Mesmo em estados em que Lula está empatado ou atrás, os dados da Quaest mostram que ele segue sendo visto como favorito nacional em boa parte do país. Em São Paulo, por exemplo, metade do eleitorado acredita que o presidente vence a eleição. No Rio, quase metade também aposta em Lula. Flávio Bolsonaro é apontado como provável vencedor em um número menor de estados.
Felipe Nunes resume o quadro ao afirmar que “a eleição presidencial está empatada no agregado”, mas esconde sob esse empate um país rígido nas bases e um centro móvel que ainda pode se deslocar. A nova pesquisa da próxima semana deve indicar se o debate e os últimos dias de campanha conseguem quebrar essa calcificação ou se o Brasil caminha para um segundo turno tão tenso quanto indefinido.
Quais são os principais números da pesquisa Quaest de hoje?
A pesquisa Quaest divulgada hoje mostra Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 33% no primeiro turno, em amostra de 2.004 entrevistas presenciais, margem de erro de 2 pontos e confiança de 95%. No segundo turno, Flávio aparece com 42% e Lula com 41%, configurando empate técnico na disputa presidencial.
Quando saem os próximos dados da Quaest para presidente em 2026?
A próxima pesquisa nacional da Quaest para a eleição presidencial de 2026 está prevista para os dias 2 e 3 de outubro, com 3.702 entrevistas presenciais em todo o país, e deve medir o impacto direto do debate da Globo sobre Lula e Flávio Bolsonaro, além da firmeza do voto e do medo em relação aos candidatos.


