Sócios do Vasco aprovam venda de 90% da SAF a Lamacchia
Sócios do Vasco aprovam a venda de 90% da SAF para a Almirante Participações, de Marcos Lamacchia. Negócio prevê ao menos R$ 500 milhões em cinco anos e ainda depende de Anresf e Cade.

Esportes
Venda da SAF do Vasco a Lamacchia prevê investimento de R$ 500 milhões e aguarda aprovação de órgãos reguladores.
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Os sócios do Vasco aprovaram nesta sexta-feira a venda de 90% das ações da SAF do clube para a Almirante Participações S/A, empresa controlada pelo investidor Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. O acordo, tratado internamente como virada histórica em São Januário, promete ao menos R$ 500 milhões em cinco anos para o futebol e abre caminho para uma mudança profunda na gestão do time, mas ainda depende de aval de órgãos reguladores.
Com a operação, o clube associativo passa a deter apenas 10% da SAF, perdendo o controle direto sobre decisões estratégicas e financeiras do futebol. A antiga parceira, a 777 Partners, que detinha 70% das ações, será substituída pela Almirante, em um modelo considerado mais robusto em garantias financeiras pela atual gestão.
Animado com o resultado, o presidente Pedrinho resumiu o impacto da operação em uma frase: “Acabou o problema das dívidas do Vasco”. A promessa é que os novos recursos ajudem a fechar um déficit projetado em cerca de R$ 1,5 bilhão nos primeiros cinco anos e deem fôlego para reforçar elenco e infraestrutura.
Quais são os próximos passos após a aprovação da venda da SAF do Vasco pelos sócios?
Após a aprovação dos sócios, a venda da SAF do Vasco entra em uma fase de análises regulatórias e de transferência burocrática dos ativos para a nova estrutura controlada pela Almirante Participações. Sem o aval dos órgãos externos, Lamacchia ainda não assume o comando efetivo do futebol.
Do lado esportivo e administrativo, o clube já inicia o processo de migração de contratos de jogadores, comissão técnica, funcionários, patrocínios e demais ativos da atual SAF para a nova sociedade. É essa empresa que passará a responder pela operação do futebol profissional, categorias de base e geração de receitas ligadas ao time.
Paralelamente, a direção vascaína trabalha para cumprir exigências da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Só depois desses pareceres a troca de controle será formalizada em definitivo.
Quando será concluída a venda da SAF do Vasco para Marcos Lamacchia?
A conclusão da venda da SAF do Vasco para Marcos Lamacchia ainda não tem data definida, porque depende de pareceres da Anresf e do Cade e do cumprimento de condições previstas em contrato e no plano de recuperação judicial do clube.
A Anresf analisa se há conflito de interesses na operação, em razão do parentesco de Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A agência não trabalha com prazo público para encerrar a avaliação, mas internamente o discurso no Vasco é de confiança em um desfecho favorável.
Já o Cade, que atua na área de defesa da concorrência, enviou ofício ao clube cobrando detalhes da transação. O Vasco tem até 26 de outubro para informar operações financeiras realizadas com a Almirante, a data de formalização do negócio e o motivo de não ter notificado o órgão antes. A falta ou atraso injustificado nos dados pode gerar multa diária de R$ 5 mil, podendo chegar a R$ 100 mil.
Além da etapa regulatória, o fechamento definitivo do negócio também passa por formalizações judiciais ligadas ao acordo de recuperação das dívidas. O contrato prevê multa de R$ 50 milhões caso obrigações relativas à formalização não sejam cumpridas.
Quanto Marcos Lamacchia pretende investir no Vasco após a compra da SAF?
O contrato prevê que a Almirante Participações aporte pelo menos R$ 500 milhões no Vasco ao longo de cinco anos, em parcelas anuais de R$ 100 milhões corrigidas pelo INPC, com destinação exclusiva ao futebol profissional, incluindo contratações, salários de atletas e comissão técnica.
Além desse aporte direto, a empresa de Lamacchia se compromete a investir um mínimo de R$ 120 milhões no centro de treinamento do time principal em até dez anos e R$ 30 milhões na infraestrutura das categorias de base em dois anos. A meta é modernizar a estrutura de trabalho e tornar o clube mais competitivo a médio prazo.
Outro ponto central do acordo é a obrigação da Almirante de cobrir o déficit de fluxo de caixa projetado da SAF, estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão nos primeiros cinco anos, e de gerar receitas para pagar dívidas tanto da SAF quanto da associação. O contrato também antecipa dois anos de pagamentos previstos no plano de recuperação judicial.
O documento traz mecanismos para garantir esses compromissos: fiança bancária ou seguro-garantia de R$ 324 milhões para o passivo abrangido pela operação, depósito judicial de R$ 27 milhões já realizado, fiança pessoal de Lamacchia e a manutenção de uma conta-reserva com saldo equivalente a três meses de obrigações da recuperação judicial e de dívidas tributárias e extraconcursais.
Entenda o contexto
A aprovação dos sócios encerra a etapa interna do Vasco para a troca de investidor na SAF, após pareceres positivos do Conselho Deliberativo e do Conselho de Beneméritos. Na comparação com a operação anterior, quando a 777 Partners assumiu 70% das ações e o clube manteve 30%, o modelo atual reduz a fatia do associativo para 10%, mas amplia os valores de aporte mínimo e as garantias contratuais.
O desenho, porém, reacende o debate sobre perda de autonomia. Com a participação minoritária, o clube social terá influência limitada nas decisões do futebol, que passam a seguir a estratégia traçada pela Almirante. Áreas como gestão esportiva, financeira e administrativa da SAF serão reestruturadas sob o comando do novo controlador.
Para tentar blindar o processo, o contrato prevê que o investidor não poderá vender suas ações nem distribuir dividendos da SAF por dez anos. Uma eventual mudança de controle só poderá ocorrer depois que as dívidas da recuperação forem quitadas ou que as garantias financeiras sejam substituídas por outras aceitas pelo Vasco.
Como está a situação atual da SAF do Vasco após a aprovação da venda?
Hoje, a SAF do Vasco vive um período de transição: a venda a Marcos Lamacchia está aprovada internamente, o processo de migração de ativos já começa, mas o controle ainda não passa formalmente às mãos da Almirante até o fim das análises de Anresf e Cade e do cumprimento das demais condições contratuais.
Nesse intervalo, o clube segue tocando o dia a dia do futebol enquanto ajusta contratos, estruturas e sistemas para a nova configuração. São Januário permanece como casa prioritária e exclusiva do time profissional até o fim de 2030, com pagamento anual de R$ 3 milhões pela SAF ao associativo — valor que pode cair para R$ 2 milhões se obras impedirem o uso do estádio. O imóvel não entra no negócio e segue pertencendo ao clube social.
Os sócios proprietários mantêm prioridade na primeira leva de venda de ingressos, e o associativo terá licença gratuita e por tempo indeterminado para usar a marca Vasco em suas atividades. A SAF, por sua vez, terá o direito de explorar contratos comerciais, direitos de atletas e propriedade intelectual ligados ao futebol.
Mesmo com as dúvidas sobre o crivo regulatório, o discurso público da Almirante é de confiança. “São processos que estão em andamento. O Cade foi agora recentemente, tem também a Anresf, mas eu estou muito tranquilo. O Almirante é do Marcos Lamacchia e minha, e nós estamos separados de qualquer outro clube. Estamos tranquilos que somos Vasco da Gama e já falei que vou provar isso quando jogarmos contra o Palmeiras e vamos ganhar”, afirmou Mário Junqueira, sócio da empresa.


