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Inteligência Artificial

Tech perde US$ 1 tri em 1 dia com medo de nova crise na IA

As sete maiores empresas de tecnologia dos EUA perderam US$ 1,036 trilhão em um pregão, em meio à desconfiança sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial e ao temor regulatório com data centers.

Tech perde US$ 1 tri em 1 dia com medo de nova crise na IA

Mercado Financeiro

Setor tecnológico enfrenta forte queda devido a incertezas regulatórias e dúvidas sobre investimentos em IA.

Leia também: IA da Pax esclarece 7 mil casos e gera 4,7 mil prisões em 2026

As ações das sete maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, conhecidas como Magnificent Seven, despencam desde quinta-feira (5) e já acumulam uma perda de US$ 1,036 trilhão em valor de mercado, em meio à crescente desconfiança dos investidores com o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial e ao temor de novas barreiras regulatórias para centros de dados.

Queda em tecnologia derruba bolsas nos EUA e na Ásia

O movimento começou no pregão desta quinta-feira nas bolsas americanas. O índice Nasdaq, fortemente concentrado em empresas de tecnologia, caiu 5,52%, enquanto o S&P 500 recuou 4,36%. O tombo se espalhou pela Ásia nesta sexta-feira (6), com bolsas no Japão e na Coreia do Sul em forte baixa.

Entre as Magnificent Seven, a Nvidia concentrou a maior perda em valores absolutos, com US$ 446 bilhões em valor de mercado evaporando em um único dia. Tesla, Broadcom, Micron, Microsoft e AMD também registraram quedas expressivas, numa correção que, somada, supera o valor estimado de todas as empresas listadas na Bolsa brasileira, de US$ 857 bilhões.

Na Coreia do Sul, onde estão algumas das principais fabricantes de chips do mundo, a reação foi imediata. “Na Coreia do Sul, o índice Kospi chegou a cair 8,55% durante o pregão, levando a bolsa a suspender as negociações por 20 minutos”, com a ativação do mecanismo de circuit breaker para conter o pânico.

Entenda o contexto

No centro da turbulência está a corrida global pela inteligência artificial. Investidores passaram a questionar se os gastos acelerados com chips, equipamentos e centros de dados vão, de fato, se traduzir em lucros na mesma velocidade.

“O mercado quer saber quando esses investimentos em chips, equipamentos e centros de dados vão se transformar em lucro”, resumem analistas que acompanham o setor. A pressão atinge especialmente empresas como Nvidia, Tesla, Broadcom, Micron, Microsoft e AMD, que lideram a construção da infraestrutura de IA.

Um levantamento recente mostra o tamanho da aposta. “Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevaram juntas os investimentos em infraestrutura de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em um ano”, sobretudo em novos centros de dados e na compra de chips avançados. As projeções indicam que esses gastos podem chegar a US$ 740 bilhões em 2026.

Outra conta preocupa o mercado: “Cinco gigantes do setor investiram US$ 556,9 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, acima dos US$ 542,9 bilhões gerados por suas operações” no mesmo período. Ou seja, o dinheiro aplicado em expansão já supera o caixa gerado pelos próprios negócios, o que acende o alerta para o risco de uma bolha financeira no segmento.

Pressão regulatória e impacto ambiental dos data centers

A turbulência não é explicada apenas pelos números financeiros. A vitória recente dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos reforçou a expectativa de regras mais duras para a construção de centros de dados, estruturas essenciais para rodar modelos avançados de IA.

Esses complexos consomem grandes volumes de energia e água e enfrentam resistência em comunidades que temem impactos ambientais e sobre a infraestrutura local. O mercado teme que novas normas ambientais e urbanísticas atrasem ou encareçam projetos, limitando a expansão da capacidade computacional necessária para sustentar a onda de investimentos em IA.

A combinação de gastos recordes, retorno ainda tímido e incerteza regulatória alimenta a percepção de que as expectativas com a inteligência artificial podem estar à frente dos resultados concretos. Gestores de fundos e investidores institucionais, que vinham concentrando apostas em tecnologia, agora são pressionados a recalibrar posições e revisar o apetite por risco no setor.

Risco de bolha e próximos passos

A forte correção reacende o debate sobre uma possível bolha da inteligência artificial. A preocupação não recai sobre a viabilidade da tecnologia em si, mas sobre o ritmo e a escala dos investimentos, bem como a capacidade das empresas de mostrar quando e como essa infraestrutura será monetizada.

No curto prazo, a leitura é que gigantes como Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet terão de detalhar melhor ao mercado seus planos para transformar capacidade de computação em receita recorrente, seja em serviços de nuvem, produtos baseados em IA ou ganhos de eficiência interna.

No médio prazo, analistas esperam uma cobrança maior por disciplina de capital, com foco em rentabilidade e em critérios de sustentabilidade ambiental para novos projetos de data centers. Startups e fornecedores de menor porte, que surfaram a euforia da IA, também podem ser atingidos por uma eventual reavaliação dos múltiplos de todo o ecossistema.

Enquanto isso, as bolsas seguem em compasso de espera, testando o apetite dos investidores por tecnologia num momento em que a palavra de ordem passou a ser menos euforia e mais prova concreta de lucro.