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Esporte

TSE dá 12h para Meta detalhar alcance de Nikolas no Instagram

Corregedor do TSE cobra em 12 horas dados técnicos do Instagram sobre alcance de publicações de Nikolas Ferreira, sob multa de R$ 100 mil por hora, após suspeita de favorecimento algorítmico.

TSE dá 12h para Meta detalhar alcance de Nikolas no Instagram

Justiça Eleitoral

TSE exige informações detalhadas sobre o alcance das publicações de Nikolas Ferreira no Instagram em prazo curto.

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta entregue em até 12 horas dados técnicos detalhados sobre o alcance das publicações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) no Instagram, sob pena de multa de R$ 100 mil por hora de atraso. A ordem, assinada pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, atende a uma ação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que suspeita de favorecimento algorítmico ao perfil do parlamentar às vésperas do segundo turno presidencial deste domingo.

O que o TSE quer do Instagram de Nikolas Ferreira

A decisão obriga a Meta a fornecer relatórios com visualizações brutas, número de contas alcançadas, reproduções repetidas e, principalmente, a divisão entre seguidores e não seguidores que receberam os conteúdos de Nikolas, além das chamadas “superfícies” em que os vídeos foram exibidos, como feed, reels e área de recomendações.

O objetivo é medir se a distribuição das postagens foi orgânica ou impulsionada pelo sistema de recomendação da plataforma. “É necessário compreender as métricas de distribuição do alcance, especialmente a origem das visualizações, a participação de seguidores e não seguidores e as superfícies pelas quais os conteúdos foram disponibilizados aos usuários, de modo a distinguir, na medida tecnicamente possível, a circulação decorrente de recomendações daquela resultante de outras formas de acesso e compartilhamento”, escreveu Cueva.

A Meta já havia pedido mais tempo para responder, alegando complexidade técnica na extração das informações e entregou apenas esclarecimentos gerais, sem os números exigidos. Agora, com o segundo turno batendo à porta, o ministro endureceu o prazo e vinculou a análise de medidas mais duras — como suspender a recomendação automática do perfil do deputado e do empresário Pablo Marçal — à chegada dos dados.

Entenda o contexto

A ofensiva da campanha de Lula se concentra em um reel publicado por Nikolas em 20 de outubro, intitulado “O Nordeste que foi esquecido”. O vídeo reúne depoimentos de moradores da região criticando o governo federal e declarando apoio a Flávio Bolsonaro (PL). Com um perfil que soma 25 milhões de seguidores, o deputado alcançou números considerados atípicos: 12 milhões de visualizações em 30 minutos, 50 milhões em três horas, 103,2 milhões em nove horas e mais de 160 milhões no total.

Esses índices superam, segundo a ação, postagens de celebridades globais como Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo e até conteúdos do próprio perfil oficial do Instagram. Para a coligação “Brasil Pronto pra Mais”, os dados indicam possível amplificação algorítmica irregular em um conteúdo eleitoral decisivo, às vésperas da votação.

Em outra frente do mesmo processo, o X (antigo Twitter) já enviou ao TSE um relatório sobre o comportamento da conta de Nikolas. No documento, a plataforma informou que, no período em que manteve ativo um filtro interno batizado de Brazil2026ElectionFilter, de 25 de agosto a 14 de outubro, entre 80% e 91% das impressões da conta vinham dos próprios seguidores. Após a desativação do filtro, entre 14 e 18 de outubro, a parcela de impressões geradas por seguidores caiu para uma faixa de 28% a 41%, indicando que a maior parte das visualizações passou a ser impulsionada pela distribuição algorítmica para não seguidores.

Com os dados do Instagram, o TSE quer verificar se houve comportamento semelhante na plataforma da Meta e, a partir daí, decidir sobre pedidos de restrição à recomendação dos perfis de Nikolas e de Pablo Marçal para usuários que não os seguem.

O que diz a Meta sobre alcance e favorecimento político

Em nota, a Meta contestou a tese de que o desempenho do deputado no Instagram só poderia ser explicado por favorecimento político do algoritmo. A empresa afirma que “o número de seguidores não determina o alcance” e diz que vai contestar “alegações enganosas de que contas de políticos não podem superar o desempenho de celebridades globais simplesmente por terem menos seguidores”.

Segundo a plataforma, “é o engajamento, e não o número de seguidores, que impulsiona o alcance e o desempenho de um conteúdo”. A empresa argumenta que vídeos com grande volume de visualizações, curtidas, comentários e compartilhamentos em pouco tempo tendem a ser mostrados para mais pessoas, inclusive fora da base original de seguidores.

A Meta reforça ainda que aplica as mesmas regras a todos os usuários: “A Meta não classifica nem distribui conteúdo com base em posicionamentos políticos. Diferenças de alcance não são prova de favoritismo de qualquer tipo”. A companhia, porém, não divulgou até agora as métricas internas específicas do perfil de Nikolas, alvo direto da ordem do TSE.

Áudio derrubado por direitos autorais acirra disputa

Em paralelo à briga sobre o algoritmo, o próprio vídeo “O Nordeste que foi esquecido” virou pivô de outra polêmica. O Instagram retirou o áudio original da publicação após uma solicitação de direitos autorais sobre a música “Grão de Areia”, de Rubel em parceria com Xande de Pilares, usada como trilha da peça.

Em nota, a Meta informou apenas que “o áudio da publicação foi indisponibilizado em razão de uma solicitação de direitos autorais sobre a música utilizada”, sem revelar quem fez o pedido. Mesmo sem som, o vídeo seguiu no ar e acumula 137 milhões de visualizações, mais de 6,9 milhões de curtidas e 1,2 milhão de comentários.

Nas redes, Nikolas acusou o cantor Rubel, que declarou apoio a Lula, de ser o responsável por acionar a gravadora. “A Sony foi acionada pelo o Rubel para derrubar o som. Ninguém mais pediu, só ele […] No fim, um petista calou a voz dos nordestinos”, escreveu o deputado.

A versão foi contestada por Xande de Pilares, parceiro de Rubel na canção. Em nota divulgada nas redes sociais, ele afirmou: “O cantor esclarece que, como intérprete, não cabe a ele autorizar o uso da composição ‘Grão de Areia’ em conteúdos digitais. Essa autorização cabe aos titulares dos direitos autorais da obra”. Os detentores desses direitos não se manifestaram publicamente até o momento.

Próximos passos no TSE

Depois de receber os relatórios da Meta, o TSE dará 24 horas para manifestação da coligação de Lula. Só então o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva deve decidir se atende ou não ao pedido de bloqueio da recomendação dos perfis de Nikolas Ferreira e de Pablo Marçal para não seguidores no Instagram, medida que, na prática, reduziria a capacidade de ambos de alcançar novos públicos na reta final da campanha.

A análise das métricas também pode alimentar discussões mais amplas sobre transparência de algoritmos e regulação da propaganda eleitoral nas redes. A forma como o TSE enquadrar o papel das plataformas digitais neste segundo turno tende a servir de referência para futuras disputas eleitorais.