Pesquisa presidente 2026: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 47%
Pesquisas Palver e Datafolha mostram Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico no 2º turno de 2026, enquanto Lula vira alvo de ação no TSE sobre desfile em Niterói.
Eleições 2026
Levantamentos indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro para o segundo turno presidencial.
Pesquisas divulgadas nesta semana apontam empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em cenários de segundo turno para a eleição presidencial de 2026.
Ao mesmo tempo, o Tribunal Superior Eleitoral admite uma ação movida por Flávio contra Lula por suposto financiamento público indevido ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, o que adiciona tensão jurídica a uma disputa já polarizada.
Números apertados e país rachado em nichos
Levantamento do instituto Palver, divulgado hoje, mostra Lula com 43% das intenções de voto, contra 47% de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. Como a pesquisa ouviu 5.000 eleitores entre 15 e 20 de setembro e tem margem de erro de 3 pontos percentuais, o quadro é de empate técnico.
No mesmo estudo, Lula também aparece tecnicamente empatado com outros nomes competitivos da direita e do centro-direita. Em um confronto com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), o petista tem 43%, contra 44% do adversário. Contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o placar se repete: 44% para Zema, 43% para Lula.
A Palver mede ainda cenários em que o presidente enfrenta nomes menos conhecidos nacionalmente. Diante do escritor Augusto Cury (Avante), Lula aparece com 43% a 35%. Contra Renan Santos (Missão), coordenador do MBL, o presidente registra 43% a 34%. Nessas simulações, o percentual de brancos, nulos e abstenções chega a 20% ou mais, sinal de um eleitorado desmobilizado quando a disputa sai do eixo principal.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira confirma o retrato apertado entre os dois principais polos. No cenário de segundo turno, Lula soma 46% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro, 44%. Com margem de erro de 2 pontos percentuais, o resultado também configura empate técnico.
Forças regionais e de classe moldam a disputa
Os dados por segmento ajudam a explicar por que o quadro nacional parece travado. Lula mantém vantagem expressiva no Nordeste, onde chega a 62% contra 31% de Flávio Bolsonaro. Também lidera com folga entre pessoas pretas, com 56% a 33%, entre quem tem ensino fundamental (55% a 37%), quem ganha até dois salários mínimos (53% a 37%), católicos (51% a 39%) e mulheres (50% a 40%).
Flávio Bolsonaro constrói sua força em nichos quase espelhados. Entre evangélicos, alcança 60%, contra 32% de Lula. Repete 60% a 32% no grupo que ganha mais de cinco salários mínimos. No Sul, chega a 57%, enquanto o presidente marca 32%. Também leva vantagem entre eleitores brancos, com 52% a 39%.
O mapa eleitoral detalhado mostra equilíbrio nas demais regiões e faixas. No Sudeste, a disputa é ponto a ponto. Entre jovens, eleitores de meia-idade, quem tem ensino médio ou superior, as curvas se entrelaçam dentro das margens de erro. A pesquisa identifica ainda um grupo de eleitores não alinhados nem ao petismo nem ao bolsonarismo, onde o senador aparece numericamente à frente, mas sem abrir distância confortável.
Esse desenho reforça a necessidade de campanhas segmentadas. O PT tende a concentrar fogo para reduzir a desvantagem entre evangélicos e na faixa de renda mais alta, enquanto o PL mira o Nordeste e o eleitorado feminino, onde ainda enfrenta forte resistência. A presença de Ronaldo Caiado e Romeu Zema como alternativas competitivas indica que parte da direita busca opções fora do sobrenome Bolsonaro, o que pode embaralhar alianças até a reta final.
Ação no TSE leva Carnaval para o centro da campanha
Em meio à batalha de números, Lula precisa agora lidar com um contencioso no Tribunal Superior Eleitoral. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, reconhece os requisitos de admissibilidade de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) apresentada por Flávio Bolsonaro e seu vice de chapa, Alfredo Gaspar (PL-AL), contra o presidente e seu vice, Geraldo Alckmin (PSB).
A ação pede que o TSE investigue suposto financiamento público indevido ao desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou a trajetória de Lula no Carnaval do Rio de Janeiro deste ano. Os autores falam em abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação social, além de apontarem possível caixa paralela no patrocínio do desfile.
Segundo a petição, municípios do Rio de Janeiro e de Niterói, o governo do Estado do Rio e a Embratur teriam destinado cerca de R$ 9,6 milhões à escola de samba. Os advogados de Flávio alegam ainda a existência de receitas privadas não esclarecidas, supostamente vindas de empresas com contratos públicos e sem histórico de patrocínio ao Carnaval carioca.
Na decisão em que admite a ação, o ministro Antonio Carlos Ferreira afirma que a peça apresentada pelos autores atende aos requisitos formais e traz elementos iniciais de prova. “A petição inicial relata fatos determinados, aponta o proveito eleitoral que deles teria advindo aos candidatos investigados e vem instruída com os instrumentos de repasse, comprovantes de pagamento, publicações oficiais, expedientes de tribunais de contas e o Livro Abre-Alas do desfile, além de rol de testemunhas com a declaração do objeto de cada depoimento”, escreve o corregedor.
Defesas em cinco dias e desgaste em disputa acirrada
Com a admissibilidade, Lula e Alckmin são citados e têm prazo de cinco dias para apresentar defesa. Só depois dessa etapa, segundo o ministro, o TSE vai decidir que provas serão produzidas, incluindo depoimentos, pedidos de documentos e eventual uso de provas de outros processos. Foram requeridos, entre outros, os depoimentos do ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo, do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), e da primeira-dama Janja da Silva.
A abertura formal da investigação não implica condenação, mas já afeta o clima da campanha. No Planalto, a ordem é tratar o caso como tentativa de “judicializar” o Carnaval e nacionalizar um enredo local. No entorno de Flávio Bolsonaro, aliados falam em “abuso escancarado” de recursos públicos para promover a imagem de Lula às vésperas da eleição.
Em termos eleitorais, o impacto imediato se dá no campo simbólico. A narrativa de abuso de poder tende a mobilizar o eleitorado já antipetista, enquanto simpatizantes de Lula enxergam perseguição judicial. O ponto crítico está no segmento dos eleitores não alinhados, que decide o pleito e pode reagir mal a qualquer indício de uso eleitoral da máquina pública.
Com pesquisas indicando disputa ponto a ponto e uma ação de alto potencial político tramitando no TSE, o cenário para 2026 permanece aberto. As próximas semanas devem testar a capacidade das campanhas de falar para além de suas bolhas e de administrar crises simultâneas de opinião pública e de Justiça Eleitoral.
Se a investigação ganhar corpo, pode reconfigurar estratégias, forçar rearranjos de alianças e até alimentar pedidos de impugnação em caso de vitória apertada. Se for arquivada sem consequências, tende a ser incorporada à longa lista de batalhas jurídicas que cercam eleições recentes no país. Em qualquer hipótese, a combinação de pesquisas apertadas, múltiplos candidatos competitivos e processos em Brasília confirma que a corrida ao Planalto em 2026 se desenha como uma das mais imprevisíveis da década.
O que mostram as pesquisas mais recentes para presidente em 2026?
As pesquisas Palver e Datafolha para a eleição presidencial de 2026 mostram hoje Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico no segundo turno, com resultados de 43% a 47% (Palver) e 46% a 44% (Datafolha), além de empates entre Lula e Ronaldo Caiado e Lula e Romeu Zema em cenários simulados.
O que está em jogo na ação movida por Flávio Bolsonaro contra Lula no TSE?
A Aije apresentada por Flávio Bolsonaro no TSE contra Lula e Geraldo Alckmin pede que a Justiça Eleitoral investigue se cerca de R$ 9,6 milhões em recursos públicos e privados ao desfile da Acadêmicos de Niterói configuram abuso de poder político e econômico, com possível uso eleitoral do Carnaval em favor do presidente.


