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Vorcaro revela plano para evitar sanção de Moraes por Trump

Conversas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam que o advogado Walfrido Warde ofereceu acionar corte internacional contra Trump para contestar sanções a Moraes e citou presente a Lula.

23/09/2026 21:01 10 min de leitura
Vorcaro revela plano para evitar sanção de Moraes por Trump
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Diplomacia Internacional

Ex-banqueiro expõe estratégia jurídica para impedir sanções contra Moraes envolvendo Trump e Lula.

Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam que o advogado Walfrido Warde ofereceu uma estratégia para contestar, em instâncias internacionais, as sanções da Lei Magnitsky aplicadas ao ministro Alexandre de Moraes pelo governo Donald Trump. No mesmo conjunto de diálogos, Warde afirma a Vorcaro que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradece um whisky supostamente enviado pelo banqueiro e manda um abraço.

Plano internacional para blindar Moraes

As conversas, hoje sob análise do Supremo Tribunal Federal, mostram que Warde se oferece para atuar em defesa de Moraes, apresentado ali como “amigo” de Vorcaro. Em uma das mensagens, o advogado diz: “Acho que nós deveríamos ajudar na defesa do seu amigo Alexandre lá nos EUA. Eu, além das relações, tenho uma estratégia matadora para ajudá-lo na corte de direitos humanos”.

O alvo de Warde são as sanções impostas a Moraes com base na Lei Magnitsky, instrumento americano que permite punir autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos, com bloqueio de bens e restrições financeiras. Moraes permanece seis meses sob essas restrições, até ser retirado da lista em meio à distensão entre Brasília e Washington.

No diálogo, o advogado afirma que pretende acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos contra Trump, responsabilizando o ex-presidente na esfera pessoal. “O presidente americano está atacando, com uso da lei e dos seus poderes de presidente, um juiz togado brasileiro para viabilizar a eleição, no Brasil, de um seu subordinado, que é Jair Bolsonaro”, escreve Warde. Ele promete reunir cerca de dez juristas para sustentar a tese de que Moraes é “vítima do manejo da Lei Magnitsky” contra seus direitos fundamentais e insiste: “Quero nada em troca. Só ajudar mesmo”.

Vorcaro, STF e o fio das mensagens

As tratativas aparecem enquanto a relação entre o dono do Banco Master e o ministro do STF já chama a atenção da Polícia Federal. Relatório submetido ao tribunal registra 52 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro em pouco mais de um ano. O banqueiro adiciona o contato do ministro em 26 de dezembro de 2023, e, semanas depois, a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, envia a Vorcaro a minuta de um contrato de consultoria milionário.

O documento prevê pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos e, segundo a PF, recebe edições feitas pelo próprio Moraes. O caso integra o inquérito sobre o Banco Master e a teia de relações do ex-banqueiro com figuras centrais do Judiciário. A discussão sobre a validade do relatório policial está paralisada no plenário do Supremo após pedido de vista do ministro Flávio Dino, que retém a análise enquanto cresce a pressão por transparência sobre as relações entre magistrados e o setor financeiro.

O pano de fundo é o avanço das investigações sobre a trama golpista e a responsabilização de Jair Bolsonaro, já condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão. A ofensiva de Trump contra Moraes, que se torna alvo da Lei Magnitsky, é lida em Brasília como tentativa de intimidar o Supremo e favorecer o campo bolsonarista na disputa eleitoral de 2026.

Do whisky a Lula aos bastidores do Planalto

As mensagens de Warde a Vorcaro não se limitam à estratégia internacional. O advogado aparece como ponte entre o ex-banqueiro e o Planalto. Em áudio de abril, ele relata ter recebido ligação de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de Gabinete de Lula, cobrando um e-mail com os temas que Vorcaro gostaria de tratar em eventual reunião com o presidente.

Warde orienta o cliente a listar, por escrito, “os interesses do grupo” para formalizar o pedido de audiência. “Eu mesmo mando do meu endereço eletrônico, dizendo, ‘olha, na qualidade de advogado do doutor Daniel Vorcaro, eu gostaria de pedir uma reunião com o presidente da República sobre tais e quais assuntos’”, afirma no áudio. A assessoria de Marcola reage e nega qualquer atuação em nome do banco. “Marco Aurélio Santana Ribeiro jamais procurou Walfrido Warde ou qualquer outro representante do Banco Master. Como então chefe de gabinete da presidência, Marco Aurélio Ribeiro procedeu conforme as suas atribuições e requereu que o pedido de agenda fosse formalizado por e-mail, assim como fazia com todas as solicitações de audiência”, diz nota enviada pela equipe do ex-chefe de Gabinete.

O encontro de Lula com Vorcaro acaba ocorrendo no Palácio do Planalto, em dezembro de 2024, mediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. O ex-banqueiro reclama da concentração do sistema bancário e do peso dos grandes conglomerados financeiros. Lula ouve, mas ressalta que questões concorrenciais e de regulação cabem ao Banco Central, e orienta que eventuais denúncias sejam encaminhadas à autoridade monetária.

Whisky, versões conflitantes e dano político

Menos de dois meses depois da reunião, em mensagem de 22 de janeiro, Warde relata a Vorcaro um novo encontro com Lula e narra uma cena que hoje expõe o Planalto a desgaste. “Querido, estive com o PR hoje. Ele me perguntou se você estava bem e mais tranquilo. Eu lhe disse que sim. Ele agradeceu mais uma vez o whisky e mandou um abraço. Outros detalhes eu conto pessoalmente”, escreve o advogado. Vorcaro responde com um emoji de coração.

A versão entra em choque com a nota oficial divulgada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência. “Não houve nenhum outro contato entre o presidente e Daniel Vorcaro. O presidente não tem conhecimento da suposta articulação, não recebeu presente e tampouco enviou recado ou comentou festas promovidas pelo banqueiro”, afirma a Secom. O governo reconhece apenas a reunião de dezembro, nega ter havido presente e tenta isolar Lula de qualquer gesto de cordialidade extra protocolar com o ex-banqueiro.

A divergência ganha peso porque ocorre em meio às investigações sobre o Banco Master e às suspeitas de que o banqueiro buscava influência junto a autoridades dos três Poderes. A atuação de Warde, que se apresenta como alguém “sem querer nada em troca” ao propor a defesa de Moraes e, ao mesmo tempo, abre portas no Planalto para seu cliente, reforça questionamentos sobre conflitos de interesse e sobre a zona cinzenta entre advocacia de alto nível, lobby e articulação política.

Rede de influência e efeito institucional

Warde constrói há anos uma trajetória que combina academia, grandes causas empresariais e presença intensa no debate público. Formado pela USP, com passagem por universidade americana e doutorado em direito comercial, ele ganha visibilidade ao defender banqueiros, conglomerados privados e ao fundar o Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), que reúne figuras do Judiciário, da política e do mercado em debates sobre regulação e economia.

Seu protagonismo recente no Supremo, em ações contra emendas parlamentares e temas de grande impacto fiscal, confirma a proximidade com o topo do sistema político. As mensagens com Vorcaro escancaram como essa rede de relações se converte em ativo para um cliente envolvido em inquéritos sensíveis, em um momento em que o STF enfrenta questionamentos sobre sua própria blindagem e transparência.

No tribunal, o pedido de vista de Flávio Dino congela a decisão sobre o relatório da PF que mapeia as interações entre Moraes e Vorcaro. O desfecho pode fixar balizas para a atuação de ministros em casos que envolvem relações pessoais e financeiras com investigados, além de influenciar a disposição da corte em lidar com sanções e pressões externas, como as impostas pela Lei Magnitsky.

No plano internacional, a ofensiva sugerida por Warde na Corte Interamericana carrega potencial de precedente. Se levada adiante, pode inaugurar um contencioso em que um Estado recorre a um tribunal de direitos humanos para questionar o uso de um instrumento de sanções de outro país. Diplomatas já admitem, em privado, que qualquer escalada nesse campo tende a contaminar as relações entre Brasil e Estados Unidos, justamente em um ciclo de eleições polarizadas em ambos os lados.

Enquanto isso, a Polícia Federal aprofunda as apurações sobre o Banco Master, o Supremo calibra sua reação às revelações e o Planalto tenta conter o dano político das mensagens sobre o whisky. A forma como essas peças se encaixarem dirá até que ponto o país aceita, ou rejeita, a promiscuidade entre finanças, toga e poder político em disputas que hoje extrapolam fronteiras nacionais.

Quem é Walfrido Warde e qual seu papel na estratégia para livrar Moraes da sanção de Trump?

Walfrido Warde é advogado com formação na USP, atuação em grandes causas empresariais e influência no debate público, que, segundo mensagens de Daniel Vorcaro, propõe acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos para contestar as sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e mobilizar um grupo de juristas em defesa do ministro.

Qual foi a proposta ‘matadora’ feita por Walfrido Warde para ajudar Moraes?

A proposta “matadora” de Walfrido Warde, registrada em mensagens a Daniel Vorcaro, consiste em levar o caso de Alexandre de Moraes à Corte Interamericana de Direitos Humanos contra Donald Trump na esfera pessoal, argumentando que a Lei Magnitsky foi usada de forma indevida e politicamente motivada, com apoio de cerca de dez juristas.

Como Walfrido Warde articulou a aproximação de Daniel Vorcaro com o governo Lula?

Walfrido Warde atua como intermediário ao relatar a Daniel Vorcaro uma ligação do então chefe de Gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, cobrando um e-mail com temas para uma reunião, sugerir ele próprio enviar o pedido formal de audiência e, depois, descrever encontros em que diz ter levado ao presidente informações sobre o ex-banqueiro.

Qual a relação entre Walfrido Warde, Daniel Vorcaro e o presidente Lula?

A relação se estrutura em três eixos: Warde é advogado de Daniel Vorcaro e o ajuda a buscar espaço político; Vorcaro encontra Lula no Planalto para discutir o sistema bancário; e Warde afirma, em mensagens, ter voltado a se reunir com o presidente, levando recados e relatos sobre o ex-banqueiro, embora o Planalto negue presentes ou contatos adicionais.

O que dizem as mensagens trocadas entre Walfrido Warde e Daniel Vorcaro sobre o presente de uísque a Lula?

As mensagens mostram Walfrido Warde informando a Daniel Vorcaro que esteve com o “PR”, que Lula perguntou se o ex-banqueiro estava mais tranquilo, agradeceu “mais uma vez o whisky” e mandou um abraço, relato que sugere a entrega de um presente ao presidente, o que é posteriormente desmentido em nota oficial pelo governo.

Qual foi a reação de Lula ao presente de uísque enviado por Vorcaro, segundo Walfrido Warde?

Segundo mensagem de Walfrido Warde a Daniel Vorcaro, Lula agradece “mais uma vez o whisky”, pergunta sobre o estado de espírito do ex-banqueiro e envia um abraço, mas a Secretaria de Comunicação da Presidência nega que o presidente tenha recebido qualquer presente ou enviado recados ao fundador do Banco Master.


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