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r7: empate técnico entre Lula e Flávio agita eleição 2026

Pesquisas Palver e Datafolha mostram empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026, enquanto o TSE começa a analisar ação sobre escola de samba.

21/09/2026 14:01 7 min de leitura
r7: empate técnico entre Lula e Flávio agita eleição 2026
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Eleições 2026

Levantamentos indicam disputa acirrada entre os principais candidatos à presidência do Brasil em 2026.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta atual da disputa presidencial em empate técnico nas principais pesquisas de intenção de voto para o segundo turno. O cenário estatisticamente indefinido se combina à abertura, pela Justiça Eleitoral, de uma ação que mira o presidente por suposto uso irregular de recursos públicos em um desfile de Carnaval.

O quadro reforça a polarização e pressiona as campanhas a mirar segmentos específicos do eleitorado, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passa a arbitrar não só regras, mas também condutas que podem influenciar o rumo da eleição.

Pesquisas revelam país dividido por renda, região e religião

O instituto Palver ouve 5.000 eleitores entre 15 e 20 de setembro, em pesquisa digital registrada no TSE. Em um eventual segundo turno, Flávio Bolsonaro marca 47% e aparece numericamente à frente de Lula, que tem 43%. A diferença está dentro da margem de erro de três pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico.

No mesmo levantamento, Lula também empata tecnicamente com os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). Ambos registram 44% contra 43% do presidente. Em cenários com nomes menos conhecidos nacionalmente, como Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), Lula aparece com 43%, enquanto os adversários ficam em 35% e 34%, respectivamente.

A pesquisa Palver indica ainda um espaço relevante para desengajados. Em vários cenários, a fatia de eleitores que declaram voto em branco, nulo ou que não votariam oscila entre 9% e 21%, enquanto indecisos variam de 1% a 2%. Esses percentuais podem ser decisivos em uma disputa resolvida na casa dos pontos percentuais.

O Datafolha, divulgado na quinta-feira passada, também aponta equilíbrio. Em um segundo turno direto entre Lula e Flávio, o presidente registra 46% e o senador 44%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O empate técnico se repete quando o instituto destrincha o eleitorado por região, renda, escolaridade, idade, religião e cor.

Lula mantém vantagem folgada no Nordeste, onde chega a 62% contra 31% de Flávio. Lidera ainda entre pretos, pessoas com ensino fundamental, quem ganha até dois salários mínimos, católicos e mulheres. Já Flávio se impõe entre evangélicos, eleitores com renda acima de cinco salários mínimos, moradores do Sul e brancos, com diferenças que chegam a 28 pontos nesses segmentos.

Ação sobre escola de samba leva disputa para o TSE

Enquanto as campanhas digerem os números, o embate migra para o campo judicial. Flávio Bolsonaro e seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL-AL), ingressam no TSE com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra Lula e o vice na chapa, Geraldo Alckmin (PSB).

O alvo é o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que leva à avenida um enredo sobre a vida de Lula no Carnaval do Rio. A ação acusa abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação social, com alegação de financiamento público indevido a um evento cultural que, segundo os autores, teria potencial de gerar proveito eleitoral ao presidente.

De acordo com a petição, municípios do Rio de Janeiro e de Niterói, o governo fluminense e a Embratur destinam R$ 9,6 milhões à escola. Flávio e Gaspar apontam ainda supostas receitas privadas não esclarecidas, possivelmente oriundas de empresas com contratos públicos e sem histórico de patrocínio ao Carnaval.

Na última sexta-feira, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira, reconhece que a ação cumpre os requisitos formais para tramitar. Em sua decisão, ele afirma que a petição inicial “relata fatos determinados, aponta o proveito eleitoral que deles teria advindo aos candidatos investigados e vem instruída com os instrumentos de repasse, comprovantes de pagamento, publicações oficiais, expedientes de tribunais de contas e o Livro Abre-Alas do desfile, além de rol de testemunhas com a declaração do objeto de cada depoimento”.

O ministro determina a citação de Lula e Alckmin para apresentarem defesa em cinco dias. Só depois, segundo Ferreira, o TSE decide sobre depoimentos, requisição de novos documentos e uso de provas já existentes em outros processos. A ação pede oitiva do ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo, do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), e da primeira-dama Janja da Silva.

Campanhas ajustam rota em meio à sombra da Justiça

Os dados de intenção de voto e o avanço da Aije empurram as duas campanhas para movimentos calculados. Lula precisa ampliar sua presença em áreas onde enfrenta maior resistência, como o Sul, o Centro-Oeste e segmentos de renda mais alta e escolaridade superior, hoje mais inclinados a Flávio Bolsonaro.

A estratégia tende a combinar a defesa do legado social e econômico com discurso de responsabilidade fiscal, mirando o eleitor do Sudeste, que aparece dividido, e os chamados não alinhados, que não se declaram nem lulistas nem bolsonaristas. Esses grupos se tornam o fiel da balança em uma disputa em que a diferença entre os dois principais nomes não ultrapassa a margem de erro.

Flávio, por sua vez, aposta na força entre evangélicos e no eleitorado de maior renda para tentar romper o empate. A campanha deve explorar a narrativa de que Lula representa continuidade de um modelo de Estado visto como pesado por parte do empresariado e do mercado financeiro, enquanto se apresenta como opção de mudança mais liberal na economia.

A ação sobre a Acadêmicos de Niterói entra nessa equação como munição política e risco jurídico. Se ganhar tração, pode desgastar Lula entre eleitores sensíveis ao tema do uso de verbas públicas, em especial no Centro-Sul urbano. Se for arquivada ou considerada frágil, pode alimentar o discurso petista de perseguição judicial e mobilizar a base progressista.

O setor cultural observa o caso com atenção. Escolas de samba dependem historicamente de verbas públicas e de patrocinadores privados, e o processo no TSE coloca sob holofotes a linha tênue entre fomento cultural legítimo e promoção política disfarçada. Prefeituras, governos estaduais e empresas com contratos públicos tendem a rever protocolos de patrocínio em ano eleitoral para reduzir riscos.

Mundial de Seleções e estabilidade política no radar

A reta final da eleição se aproxima de outro evento de alta visibilidade: o Mundial de Seleções de 2026. Embora o torneio não tenha relação direta com o pleito, a coincidência de calendários aumenta a preocupação com o ambiente institucional e a imagem do país no exterior.

Decisões do TSE que afetem diretamente a elegibilidade ou a campanha de um dos favoritos, especialmente se proferidas perto do segundo turno, podem reacender discursos de questionamento da legitimidade do resultado. A memória recente de contestação de urnas eletrônicas, embora hoje minoritária, permanece viva em parte do eleitorado e de lideranças políticas.

Os próximos passos estão claros: Lula e Alckmin apresentam defesa na Aije, o corregedor define a produção de provas e as campanhas mergulham em ajustes finos de comunicação para grupos específicos de eleitores. Pesquisas adicionais devem mostrar se o processo judicial desloca preferências ou se o eleitorado permanece mais atento a temas clássicos, como emprego, inflação, violência e serviços públicos.

O desfecho da ação sobre a Acadêmicos de Niterói e a evolução das pesquisas até a véspera do pleito vão ajudar a responder a pergunta que hoje ronda Brasília, mercados e movimentos sociais: a sociedade manterá a polarização atual ou abrirá espaço, ainda que estreito, para rearranjos de última hora no mapa eleitoral brasileiro?

O que as pesquisas Palver e Datafolha mostram sobre Lula e Flávio Bolsonaro hoje?

As pesquisas Palver e Datafolha mais recentes mostram hoje empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno: o Palver registra 47% para Flávio e 43% para Lula, com margem de erro de três pontos, enquanto o Datafolha aponta 46% para Lula e 44% para Flávio, com margem de erro de dois pontos.

O que exatamente está sendo investigado pelo TSE no caso da Acadêmicos de Niterói?

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral em análise no TSE apura suposto abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação no desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageia Lula, investigando se R$ 9,6 milhões em recursos públicos e patrocínios privados configuram propaganda eleitoral irregular em favor da chapa governista.


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