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Datafolha mostra Lula 45% e Flávio 40% na disputa do poder360

Novo Datafolha mostra Lula com 45% e Flávio Bolsonaro com 40% dos votos válidos na eleição presidencial de 2026. Polarização cresce, voto útil ganha força e decisão em 1º turno entra no radar.

03/10/2026 10:00 7 min de leitura
Datafolha mostra Lula 45% e Flávio 40% na disputa do poder360
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Eleições 2026

Pesquisa Datafolha revela cenário apertado entre Lula e Flávio Bolsonaro na corrida presidencial.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a liderança na corrida presidencial, mas vê Flávio Bolsonaro (PL) encostar e tornar real a possibilidade de uma decisão apertada. Novo levantamento do Datafolha mostra o petista com 45% dos votos válidos e o senador com 40%, em um cenário marcado por polarização e pouco espaço para viradas.

Corrida nacional travada e país fatiado por região

No total de votos, incluindo brancos, nulos e indecisos, Lula soma 42% e Flávio Bolsonaro chega a 38%. Os demais candidatos aparecem bem atrás: Augusto Cury (Avante) tem 4%, Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) registram 3% cada. Zema (Novo) e Samara Martins (UP) marcam 1%. Os demais nomes não atingem 1%.

A pesquisa, realizada entre 28 de setembro e 1º de outubro com 2.506 entrevistas em 152 municípios e registrada sob o número BR-08039/2026, expõe um país dividido por regiões e perfis sociais. Lula abre grande vantagem no Nordeste e entre eleitores de menor renda, enquanto Flávio Bolsonaro concentra força no Sul, entre pessoas com renda mais alta e no eleitorado evangélico.

Entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula alcança 50%, contra 28% de Flávio. Na faixa que ganha entre dois e cinco salários, o quadro se inverte: o candidato do PL tem 47%, ante 34% do petista. Acima de cinco salários mínimos, a vantagem do senador se repete, por 47% a 37%.

Estados decisivos e empate técnico em São Paulo

Nos maiores colégios eleitorais, o mapa se mostra ainda mais fragmentado. Em São Paulo, Lula chega a 38% e encosta em Flávio Bolsonaro, que marca 39%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, o que configura empate técnico no maior estado do país.

Em Minas Gerais, Lula abre vantagem de seis pontos: 42% a 36%. No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro mantém liderança folgada, com 45%, contra 38% de Lula. Em Pernambuco, o petista domina com 61%, enquanto o adversário registra 25%. No Distrito Federal, o quadro se inverte outra vez: Flávio aparece com 44%, Lula com 35%.

Os cenários de segundo turno mantêm a disputa em alta temperatura. Em São Paulo, Flávio Bolsonaro tem 48% e Lula 45%. No Rio, o senador amplia a margem para 51% a 42%. Em Minas, Lula lidera por 48% a 44%. Em Pernambuco, o petista dispara: 65% a 29%. Mesmo onde um lado parece confortável, a soma de forças nacionais e o peso do voto útil podem redesenhar fronteiras eleitorais nos próximos dias.

Voto decidido e espaço estreito para reviravoltas

O dado que mais preocupa as campanhas é o grau de cristalização do eleitorado. Segundo o Datafolha, 82% dos entrevistados afirmam estar totalmente decididos sobre o voto no primeiro turno. Os indecisos somam 13% na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados.

Para cientistas políticos, esse alto patamar de decisão reduz a margem para guinadas de última hora, mas não elimina o impacto de movimentos coordenados, como o voto útil. Hilton Fernandes, professor da Fespsp e da Veris, resume a tendência recente: “Na última semana, os dois principais candidatos somaram dois pontos percentuais cada em suas intenções, depois de um longo período de estabilidade, ao mesmo tempo em que os demais candidatos foram perdendo eleitores”.

Lula lidera com folga entre quem tem 60 anos ou mais, escolaridade fundamental, renda de até dois salários e católicos. Flávio Bolsonaro se destaca entre os evangélicos e nos segmentos de renda média e alta. Entre eleitores de 16 a 59 anos, com escolaridade média e superior, no Sudeste e no interior do país, a disputa fica praticamente empatada, o que reforça a importância de disputas locais e segmentadas.

Discurso de vitória no 1º turno e aposta no voto útil

Com a diferença de cinco pontos nos votos válidos, os dois líderes tentam transformar números apertados em narrativa de vitória antecipada. Em ato de campanha, Lula afirmou: “Eu sinceramente acho que vou ganhar as eleições em primeiro turno. Acho que as eleições vão ser definidas domingo”. Flávio Bolsonaro respondeu em tom semelhante: “Eu não vou perder essa eleição. Eu digo mais, vou ganhar no primeiro turno”.

A retórica não ignora a matemática, mas aposta na mobilização das bases e na captura dos eleitores dos candidatos menores. Para vencer no primeiro turno, é preciso superar 50% dos votos válidos. Nenhum dos dois atinge esse patamar hoje, mas o encolhimento de terceiros nomes alimenta o cálculo de que parte desses votos pode migrar às pressas para os polos da disputa.

Cila Schulman, cientista política e CEO do Ideia Instituto de Pesquisa, vê um cenário inédito em décadas recentes: “A chance de definição no primeiro turno é a maior desde 1998”. Ela destaca o papel do voto útil entre eleitores que rejeitam o PT: “Temos esse fenômeno que chamo de ‘antipetismo de chegada’, que é quando esse eleitor, que está indeciso ou que está num desses candidatos que a gente chama de terceira via, migra para o candidato que ele julga ser mais forte para vencer o Lula”.

Risco de polarização extrema e impacto na governabilidade

Nos bastidores, campanhas, partidos e setores econômicos medem o custo de uma decisão apertada, qualquer que seja o desfecho. Programas sociais, política econômica, segurança pública e direitos civis estão em disputa direta. Grupos de baixa renda e beneficiários de programas federais se inclinam a preservar políticas atuais, enquanto empresariado e parte das igrejas evangélicas veem em Flávio Bolsonaro a chance de uma agenda mais conservadora em costumes e mais liberal na economia.

Luciana Santana, professora de Ciência Política na Universidade Federal de Alagoas, alerta para o equilíbrio instável do momento: “Apesar de não ser tão provável, não é impossível que aconteça agora uma definição da eleição”. Para ela, mesmo um resultado decidido no primeiro turno não reduz o potencial de conflito político. A divisão observada entre regiões, religiões e classes sociais tende a seguir para o próximo governo, qualquer que seja o vencedor.

A campanha entra nos dias finais com margens estreitas, eleitorado consolidado e um punhado de votos em disputa em estados-chave como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal. Novos levantamentos devem medir se o apelo ao voto útil e a pressão por uma decisão antecipada conseguem empurrar um dos lados além dos 50% dos votos válidos ou se o país caminha para um segundo turno tão ou mais tenso do que a fase atual.

Quem ganha para presidente em 2026 hoje, segundo as pesquisas?

Lula lidera hoje a corrida presidencial de 2026 com 45% dos votos válidos no Datafolha, contra 40% de Flávio Bolsonaro, o que configura vantagem apertada e ainda dentro de um cenário competitivo. Nos votos totais, Lula tem 42%, Flávio soma 38%, e os demais candidatos seguem bem atrás, entre 1% e 4%.

Há chance real de a eleição ser decidida no primeiro turno?

A chance de decisão no primeiro turno em 2026 existe, mas não é o cenário mais provável, porque nenhum candidato ultrapassa hoje 50% dos votos válidos e 82% dos eleitores já declararam voto definido. Especialistas apontam, porém, que o voto útil e o esvaziamento de candidaturas menores podem aproximar Lula ou Flávio desse patamar.

Como a pesquisa Datafolha foi feita e qual é a margem de erro?

A pesquisa Datafolha mais recente foi feita com 2.506 entrevistas presenciais entre 28 de setembro e 1º de outubro de 2026, em 152 municípios de todas as regiões do Brasil, registrada sob o número BR-08039/2026. A margem de erro varia de 2 a 3 pontos percentuais, com nível de confiança declarado de 95%.

O que muda nas campanhas com esses números?

Os números do Datafolha obrigam as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro a concentrar esforços em estados decisivos, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal, e a buscar eleitores dos candidatos menores. Estratégias regionais, apelo ao voto útil e mobilização de bases religiosas e de renda serão intensificadas nos próximos dias.


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