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Datafolha mostra Lula e Flávio empatados no 2º turno

Pesquisa Datafolha divulgada em 8 de outubro indica empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no 2º turno de 2026 e amplia a tensão na reta final.

06/10/2026 21:54 7 min de leitura
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Eleições 2026

Levantamento revela empate técnico entre os candidatos na disputa presidencial, aumentando a expectativa para o segundo turno.

Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam à segunda semana após o primeiro turno em situação de empate técnico, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (8). O levantamento, realizado entre 6 e 8 de outubro, mede a intenção de voto para o segundo turno presidencial marcado para 25 de outubro de 2026.

Polarização se mantém após virada no 1º turno

O novo retrato do Datafolha confirma que o país segue dividido entre lulismo e bolsonarismo, agora encarnado pelo senador Flávio Bolsonaro. No domingo (4), ele termina o primeiro turno na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença é curta, mas simbólica: o petista chega às urnas como favorito nas pesquisas e sai atrás na contagem oficial.

No sábado anterior à votação, o mesmo Datafolha projetava Lula com 45% dos votos válidos no primeiro turno, contra 42% de Flávio. O avanço do candidato do PL em menos de 48 horas, até o resultado de 47,03%, expõe uma transferência de votos de última hora e consolida o crescimento do campo conservador às vésperas da nova rodada de pesquisas.

O Datafolha volta a campo logo após o primeiro turno, agora com foco exclusivo na disputa entre os dois líderes. A pesquisa desta semana entrevista 2.520 eleitores em todo o país e registra margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento está protocolado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02949/2026.

Pesquisa como termômetro, não como previsão

A divulgação do levantamento é acompanhada por uma live da Folha de S.Paulo, com a diretora do Datafolha, Luciana Chong, e os colunistas Bruno Boghossian, Mônica Bergamo e Fábio Zanini. Eles destrincham os números enquanto campanhas e militâncias monitoram cada oscilação em tempo real.

O instituto volta a frisar o caráter limitado do que produz. “Os dados de levantamentos eleitorais não devem ser compreendidos como previsões para o resultado final das eleições. Eles servem de termômetro para a opinião de eleitores no momento em que a pesquisa é feita”, diz o Datafolha na apresentação do estudo.

A mensagem mira tanto os comitês que tentam vender pesquisa como vitória antecipada quanto os grupos que atacam o trabalho dos institutos quando os números não agradam. Em 2026, o ambiente é ainda mais carregado: redes sociais inflamadas, desconfiança institucional e uma sucessão de disputas entre Executivo e Congresso.

Forças conservadoras em alta e Congresso fortalecido

O desempenho de Flávio Bolsonaro no primeiro turno alimenta a leitura de que a direita organizada volta a ganhar terreno, mesmo após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022. As legendas conservadoras aumentam sua presença no Congresso e reforçam o poder de pauta na Câmara e no Senado, qualquer que seja o vencedor no fim do mês.

Uma análise publicada pela revista CartaCapital resume esse clima de tensão: “A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.” O diagnóstico aponta para um tabuleiro em que o presidente eleito, seja Lula, seja Flávio, terá de negociar com um Parlamento mais à direita.

O cenário internacional citado na análise também pressiona o próximo governo. A combinação de guerras, volatilidade econômica e reacomodação geopolítica deve influenciar decisões de política externa e prioridades orçamentárias, em um contexto doméstico de renda apertada, serviços públicos sob estresse e cobrança por resultados rápidos.

Disputa no Distrito Federal espelha confronto nacional

No Distrito Federal, a pesquisa Datafolha acompanha o movimento da disputa presidencial. A governadora Celina Leão (PP) enfrenta o deputado distrital Leandro Grass (PT) na corrida pelo Palácio do Buriti. A campanha local replica, em escala menor, o antagonismo entre o campo conservador e a coalizão de esquerda que sustenta Lula.

O mesmo levantamento mede a avaliação dos governos Lula e Celina. A percepção sobre desempenho administrativo tende a influenciar a escolha dos eleitores na capital federal, onde a máquina pública e o funcionalismo têm peso decisivo. O resultado da eleição distrital funciona ainda como sinal político para o início do próximo mandato presidencial, já que Brasília concentra o núcleo de poder e parte expressiva da burocracia federal.

Em 3 de outubro, antes do primeiro turno, o Datafolha já havia indicado ambiente apertado: em um cenário de segundo turno simulado, Lula aparecia com 47% das intenções de voto contra 46% de Flávio, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. As urnas inverteram a ordem no dia 4. A pesquisa desta semana mostra que nenhum dos dois consegue abrir vantagem confortável às portas da decisão.

Campanhas aceleram, indecisos viram alvo central

Com um país rachado ao meio, cada voto ganha peso desproporcional. As campanhas intensificam comícios, inserções de TV e operações digitais para manter a base mobilizada e conquistar um pedaço do eleitorado que se abstém, vota em branco ou anula. A aposta de Lula passa por recompor parte da vantagem que tinha na véspera do primeiro turno e recuperar terreno no eleitorado popular e no Nordeste. O esforço de Flávio Bolsonaro é consolidar a virada de 4 de outubro e buscar apoios de candidaturas derrotadas, como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema.

Todos juntos somam menos do que os dois líderes, mas seus votos podem definir a margem final em um pleito decidido no detalhe. A experiência recente mostra como mudanças de poucos pontos na reta final alteram o mapa político. Na pesquisa de véspera do Datafolha, no sábado, 4.006 eleitores são ouvidos sob registro BR-01708-2026. Nas urnas, o desfecho se aproxima desse quadro, mas com nuances suficientes para devolver ao segundo turno uma dose extra de imprevisibilidade.

As legendas calculam efeitos de longo prazo. Uma vitória de Flávio Bolsonaro reforça a agenda liberal-conservadora e fortalece a bancada que hoje domina o Congresso. A reeleição de Lula mantém no centro do governo uma plataforma de programas sociais, defesa de direitos e políticas ambientais, em choque frequente com parte do Legislativo. Em qualquer cenário, a relação entre Planalto e Congresso tende a ser de atrito alto e acordos difíceis.

O país entra na segunda metade de outubro suspenso entre dois projetos. Até o dia 25, Datafolha e outros institutos devem voltar a campo e oferecer novos retratos de um eleitorado exausto, mas decisivo. A fotografia desta semana mostra apenas uma coisa com clareza: o resultado do segundo turno permanece em aberto, e a margem de manobra dos candidatos se mede em casas decimais.

Quando será o segundo turno da eleição presidencial de 2026?

O segundo turno da eleição presidencial está marcado pelo Tribunal Superior Eleitoral para 25 de outubro de 2026.

Quantas pessoas o Datafolha ouviu na pesquisa divulgada em 8 de outubro?

O levantamento sobre o segundo turno presidencial ouviu 2.520 eleitores entre os dias 6 e 8 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O que significa dizer que Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados tecnicamente?

Empate técnico ocorre quando a diferença entre os candidatos é menor que a margem de erro da pesquisa, permitindo que ambos estejam numericamente à frente dentro do intervalo estatístico.

A pesquisa Datafolha prevê quem vai ganhar a eleição?

Não. O próprio instituto afirma que seus dados são um termômetro do momento da coleta e não uma previsão definitiva do resultado das eleições.


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