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Messi se despede da seleção argentina com gol e festa histórica

Lionel Messi faz último jogo pela Argentina em amistoso contra Benim, no Monumental de Núñez, com gol, duas assistências, casa cheia e clima de comoção em Buenos Aires.

07/10/2026 07:00 7 min de leitura
Messi se despede da seleção argentina com gol e festa histórica
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Messi encerra sua trajetória na seleção com atuação brilhante e clima emocionante no Monumental de Núñez.

Lionel Messi encerra a trajetória na seleção argentina com gol, duas assistências e um Monumental de Núñez lotado no amistoso contra Benim, em Buenos Aires. A vitória por 3 a 0 transforma a despedida em celebração e ritual de fim de era para o futebol argentino.

Uma noite preparada para um adeus

O jogo que marca o último ato de Messi com a camisa da Argentina é pensado ao detalhe. A seleção organiza toda a Data Fifa em função da despedida, poupa o camisa 10 dos amistosos anteriores e reserva o protagonismo absoluto para o Monumental, tomado por 85 mil torcedores.

Os ingressos esgotam em 1h30min. Máscaras com o rosto de Messi ocupam as arquibancadas, bandeiras azuis e brancas cobrem as cadeiras e o minuto 10 vira um mar de celulares acesos, fogos e aplausos. A cada toque na bola, o estádio reage como se fosse a última vez – porque é.

Messi chega emocionado ao estádio, chora ainda no túnel e volta a se descontrolar durante o hino argentino, cantado por 85 mil vozes. Ao seu lado, a mulher, Antonela Roccuzzo, acompanha dos camarotes uma cena que mistura festa e despedida, com clima de fim de capítulo decisivo de novela esportiva.

Camisa especial, gol de pênalti e duas assistências

A Argentina entra em campo com uma camisa desenhada especialmente para a noite, com referências à bandeira e à trajetória do camisa 10 ao longo de 21 anos de seleção. Os campeões do Mundial de Seleções de 2022 são convidados para reforçar o peso simbólico da partida. Nicolás Otamendi, outro pilar daquela geração, também faz seu último jogo pela equipe nacional.

O primeiro tempo é tenso. A Argentina domina, mas esbarra na marcação pesada de Benim, que encara o amistoso como vitrine internacional. Messi tenta de falta, de longe, de voleio, mas o 0 a 0 persiste até o intervalo. O Monumental vive uma mistura de ansiedade e gratidão a cada arrancada do camisa 10.

A roda começa a girar na etapa final. Após escanteio cobrado por Messi, Otamendi aparece livre para abrir o placar. O zagueiro comemora, se emociona e deixa o campo minutos depois, aplaudido de pé, em sua própria despedida da seleção. O gol escancara a passagem de bastão de uma defesa histórica para um novo ciclo que ainda não tem donos definidos.

O 2 a 0 vem em chute preciso de Nico Paz, que aproveita passe de Messi na entrada da área. O garoto, símbolo da nova geração, corre para abraçar o ídolo, numa imagem que condensa, em poucos segundos, o fim de um reinado e o anúncio de outros protagonistas que ainda buscam espaço.

O momento mais esperado acontece na marca do pênalti. Nico Paz sofre a falta dentro da área, o árbitro aponta a marca e o Monumental prende a respiração. Messi ajeita a bola, corre curto e bate com categoria. O 3 a 0 sela o placar e crava o último gol do maior artilheiro da história da Argentina: 125 bolas na rede em 207 partidas.

O peso de 21 anos de seleção

Messi se despede da seleção com um currículo que redefine o tamanho da Argentina no século 21. São 21 anos com a camisa albiceleste, conquistas da Copa América em duas edições recentes, um título de Mundial de Seleções e uma coleção de finais que marcam gerações.

O caminho até esta noite não é linear. O camisa 10 passa por derrotas traumáticas, vice-campeonatos consecutivos e chega a anunciar que não jogaria mais pela seleção após uma sequência de frustrações. Volta pressionado pela comoção popular e, com a chegada de Lionel Scaloni, encontra o cenário ideal para enfim transformar desempenho individual em títulos pesados.

O ciclo de ouro começa com a conquista da Copa América no Maracanã, contra o Brasil, segue com o título no Mundial de Seleções disputado no Oriente Médio e se consolida com mais uma Copa América, além do vice no torneio global mais recente. A partir daí, a discussão sobre seu lugar na história argentina deixa de ser apenas comparação com Maradona e passa a dialogar com o imaginário do torcedor contemporâneo.

Ao fim do jogo contra Benim, Messi pega o microfone no gramado e repete o tom que o acompanhou desde as primeiras entrevistas pós-títulos. “Foi um orgulho até nos piores momentos”, diz o camisa 10, em referência às fases em que as críticas pareciam sufocar qualquer tentativa de reconstrução.

Fim de ciclo, dilema de futuro

O adeus de Messi obriga a comissão técnica e a cúpula da Associação de Futebol da Argentina a rever a rota. Sem o principal líder técnico e emocional, a seleção perde o plano de emergência que resolvia jogos complicados com uma jogada individual. A partir de agora, o coletivo precisa preencher o espaço deixado pelo craque.

Jovens como Nico Paz, Julián Álvarez e outros nomes emergentes passam a disputar não só vagas no time titular, mas também o protagonismo simbólico. A presença de veteranos como Ángel Di María e Otamendi na despedida expõe a transição de uma geração que conquistou tudo para um elenco ainda em busca de identidade própria.

O impacto ultrapassa as quatro linhas. Patrocinadores, emissoras de TV e plataformas digitais perdem o personagem que mais gerava audiência, cortes virais e engajamento internacional. O “jogo da Argentina” continua produto relevante, mas já não carrega a certeza de ver Messi em campo, o que muda a lógica de venda de direitos e ativações comerciais.

Para o torcedor, a lacuna é afetiva. O maior ídolo de uma era se despede em clima de comoção, mas deixa uma herança de estádios cheios, crianças usando a camisa 10 e um padrão de exigência técnica que redefine a régua da seleção. O desafio, agora, é manter o interesse alto sem depender do magnetismo de um só jogador.

Nos bastidores, Scaloni tenta equilibrar emoção e planejamento. “Foi um sonho ser treinador do maior jogador da história”, afirma o técnico, ainda à beira do choro. Ao mesmo tempo, precisa conduzir a reformulação do elenco que disputará as próximas Eliminatórias e competições continentais, com ajustes táticos profundos para compensar a ausência de Messi.

A Argentina entra em um período de transição inevitável, sujeito a oscilações de desempenho e pressão extra da arquibancada. O legado deixado nesta noite, porém, funciona como colchão emocional: por algum tempo, qualquer tropeço será relativizado diante do que essa geração entregou. A pergunta em aberto é quem, dentro e fora de campo, terá coragem de reivindicar o protagonismo no vácuo deixado pelo camisa 10.

Quantos gols e jogos Messi fez pela seleção argentina?

Lionel Messi encerra a passagem pela seleção argentina com 125 gols marcados em 207 partidas oficiais, números que o consolidam como maior artilheiro da história do país e um dos jogadores mais influentes do futebol mundial, combinando longevidade, regularidade e decisão em torneios continentais e no Mundial de Seleções.

O que muda para a seleção argentina após a saída de Messi?

A saída de Lionel Messi obriga a seleção argentina a reconstruir o modelo de jogo sem sua principal referência técnica e emocional, abrindo espaço para jovens como Nico Paz e Julián Álvarez assumirem protagonismo, enquanto a comissão técnica redesenha estratégias ofensivas e a Associação de Futebol da Argentina reorganiza projetos esportivos e comerciais.


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