Nova pesquisa Datafolha testa forças de Lula e Flávio
Datafolha vai às ruas com 2.520 entrevistas presenciais para medir o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, com margem de erro de 2 pontos e foco em rejeição e abstenção.
Eleições 2026
Datafolha realiza levantamento presencial para avaliar intenções de voto e rejeição no segundo turno presidencial.
O Datafolha coloca nas ruas, a partir desta terça-feira, uma nova pesquisa presencial sobre o segundo turno presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, com 2.520 eleitores em todo o país. O levantamento testa intenções de voto, rejeição, avaliação do governo e temas sensíveis da agenda política, e orienta o rumo das campanhas na reta final.
Termômetro do segundo turno e das campanhas
O instituto volta a campo neste segundo turno para medir o impacto de movimentos recentes dos dois lados. De um lado, a campanha de Lula passa por um freio de arrumação e tenta uma guinada na comunicação para conter a rejeição e reorganizar a mensagem. De outro, Flávio Bolsonaro acumula apoios da direita, incluindo o deputado Ratinho Jr., políticos derrotados no primeiro turno e o Centrão.
A pesquisa, encomendada pela Folha de S.Paulo, custa R$ 384,5 mil e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00466/2026. O Datafolha informa nível de confiança de 95% e “a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos”. Os resultados têm divulgação prevista para a noite de quinta-feira.
O questionário começa com a intenção de voto espontânea, sem mostrar nomes. O entrevistador pergunta: “Se o segundo turno da eleição fosse hoje, em quem você pretende votar para presidente da República?”. Em seguida, apresenta o cartão com Lula, Flávio Bolsonaro e a opção de branco, nulo ou nenhum, para medir o voto estimulado.
Rejeição, governo e principais problemas do país
O Datafolha detalha motivações e limites do voto em cada candidato. O entrevistador pergunta por que o eleitor escolhe Lula ou Flávio Bolsonaro, se é por considerá-lo o melhor para governar ou para derrotar o adversário. Na sequência, mede se o voto está decidido ou se ainda pode mudar, além da disposição de votar com certeza, talvez ou de jeito nenhum em cada nome.
Há um bloco específico sobre rejeição, em que o eleitor aponta em quem não votaria de forma alguma. Para as campanhas, esse dado é tão estratégico quanto a própria intenção de voto. Em um cenário polarizado, reduzir a antipatia pode valer mais do que conquistar novos apoios.
A pesquisa também avalia o governo Lula em duas frentes: nota geral, variando de ótimo a péssimo, e aprovação ou desaprovação do trabalho do presidente. A relação entre a imagem do governo e o desempenho de Lula na urna é central para entender até onde o desgaste do Palácio do Planalto contamina a disputa.
O questionário investiga ainda qual é o principal problema do país hoje, segundo o entrevistado. A lista inclui saúde, educação, economia, desemprego, fome e miséria, violência e segurança pública, inflação, salários, habitação, corrupção e questões sociais. Esse recorte ajuda a mostrar se o debate eleitoral se alinha às preocupações reais do eleitorado.
Agenda conservadora e debate institucional em teste
O Datafolha aproveita o campo para aferir o humor do país em relação a propostas em discussão no Congresso e nos bastidores do poder. Entre elas estão a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e a criação de mandato fixo para ministros do Supremo Tribunal Federal, com exigência de decisões colegiadas em temas considerados relevantes.
Outra frente é a redução do foro privilegiado para autoridades e políticos acusados de crimes. Os entrevistados declaram se são favoráveis, contrários ou indiferentes a cada proposta. As respostas podem reforçar a narrativa de Flávio Bolsonaro junto ao eleitorado conservador e pressionar Lula a ajustar o discurso em temas de segurança pública e combate à corrupção.
O estudo também questiona qual modelo de mandato a população prefere para presidentes e governadores: quatro anos com reeleição, como é hoje, quatro anos sem reeleição ou cinco anos sem reeleição. A resposta indica o apetite por mudanças no desenho institucional do poder Executivo.
O instituto ainda pergunta como o brasileiro enxerga a democracia no país: se vive uma democracia plena, uma democracia com pequenos problemas, uma democracia com grandes problemas ou se o Brasil não é uma democracia. Em outra questão, mede se os entrevistados veem o país como politicamente polarizado ou capaz de abrigar diálogo e respeito entre opiniões diferentes.
Abstenção, histórico de voto e base social em foco
O risco de abstenção no segundo turno entra no radar do levantamento. Ao fim do questionário, o entrevistador pergunta: “No dia 25 de outubro acontecerá o segundo turno das eleições, você diria que pretende ir votar, não pretende ir votar ou ainda não decidiu?”. Para quem admite não ir ou estar em dúvida, há uma questão específica sobre motivos.
A pesquisa resgata o comportamento recente do eleitor. O Datafolha pergunta em quem o entrevistado votou no primeiro turno de 2026 e, para quem tem 20 anos ou mais, em quem votou no segundo turno presidencial de 2022. O objetivo é mapear migrações de voto entre pleitos e entre campos políticos.
Há também perguntas sobre recebimento do Bolsa Família por alguém da residência e sobre o posicionamento político numa escala que vai de bolsonarista a petista. Esses dados permitem cruzar intenção de voto com renda, programas sociais e identidade ideológica, elementos decisivos para a estratégia de segmentação das campanhas.
Os 2.520 eleitores são ouvidos presencialmente em diversas regiões do país, entre terça e quinta-feira. O desenho amostral considera variáveis como região, porte do município e perfil socioeconômico, dentro dos parâmetros informados ao Tribunal Superior Eleitoral. “A pesquisa começa com a pergunta espontânea e segue com estimulada, além de medir rejeição e avaliação do governo”, resume o Datafolha em seu plano de coleta.
Quem ganha com o retrato atualizado e o que vem depois
Os resultados previstos para a noite de quinta tendem a reorganizar o tabuleiro. Se o levantamento confirmar avanço de Flávio Bolsonaro, a avaliação no meio político é que o Centrão pode intensificar o apoio e buscar protagonismo num eventual governo alinhado à direita, pressionando por espaços e cargos-chave.
Uma recuperação de Lula, por outro lado, tende a animar sua base e movimentos sociais, reduzindo o clima de terra arrasada após o primeiro turno. Nesse cenário, a campanha deve explorar a comparação de gestões e focar em temas sociais e econômicos, na tentativa de reconquistar eleitores que migraram ou se afastaram.
A margem de erro de 2 pontos percentuais será usada pelas campanhas para relativizar ou amplificar diferenças. Mesmo assim, o levantamento funciona como bússola para a reta final: direciona programas de TV, discursos, inserções em rádio e internet, além de orientar deslocamentos de candidatos e cabos eleitorais pelo país.
Os dados sobre percepção da democracia, polarização e propostas institucionais também alimentam debates que vão além da eleição de outubro. A depender do humor captado agora, partidos e futuros governos podem se sentir autorizados a avançar em mudanças na legislação penal, no sistema político e na relação entre poderes. O segundo turno ainda não está decidido, mas o retrato que o Datafolha produz nesta semana ajuda a desenhar não só quem governa, como também em que país esse governo vai atuar.
O que mede a nova pesquisa Datafolha para presidente?
A nova pesquisa Datafolha para presidente mede, entre os dias 13 e 15 de outubro, a intenção de voto no segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, rejeição, avaliação do governo Lula, percepção dos principais problemas do país, apoio a propostas como redução da maioridade penal e mandato fixo no STF, além do risco de abstenção.
Qual é a metodologia e a margem de erro do levantamento?
A pesquisa Datafolha para o segundo turno presidencial entrevista presencialmente 2.520 eleitores em todo o país, entre 13 e 15 de outubro, com amostra registrada no TSE sob o número BR-00466/2026 e custo de R$ 384,5 mil; a margem de erro informada é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de confiança.


