CEO da Replit diz como GitHub pode virar empresa autônoma com IA
No TechCrunch Disrupt, em San Francisco, Amjad Masad mostrou como a Replit usa agentes de IA para tocar o trabalho operacional e deixar às pessoas decisões estratégicas e criativas.

Tecnologia
Amjad Masad explica como a inteligência artificial pode transformar o GitHub em uma empresa autônoma e inovadora.
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Amjad Masad, CEO e cofundador da Replit, defendeu nesta quinta-feira, no TechCrunch Disrupt em San Francisco, que o futuro do trabalho passa pela ideia de “empresa autônoma”: agentes de inteligência artificial assumem boa parte das tarefas operacionais, enquanto os humanos seguem no centro do julgamento, da criatividade e das decisões estratégicas.
O que Amjad Masad quis dizer com ‘self-driving company’ no futuro do trabalho?
Para Masad, uma “self-driving company” — que ele traduz como uma espécie de empresa autônoma — é aquela em que sistemas de IA conduzem o dia a dia da operação, deixando para as pessoas o papel de direcionar, decidir prioridades e garantir a qualidade do que é entregue.
“Nossa empresa mudou completamente a forma como operamos, e eu diria que a analogia mais próxima é uma ‘empresa autônoma’”, afirmou. Segundo o executivo, a Replit passou o último ano repensando processos à medida que agentes de IA ficaram mais confiáveis. “A realidade é, todos os nossos empregos — talvez todos nesta audiência, especialmente — mudaram no último ano”, disse, ao alertar que boa parte das pessoas ainda não percebeu o tamanho dessa transformação.
Na visão dele, a companhia passa a ser “autoaperfeiçoável”: uma parte crescente do trabalho é iniciada e conduzida por agentes, que rodam em segundo plano, monitoram sistemas, sugerem melhorias e executam correções. O papel humano deixa de ser o de executar tarefas repetitivas e migra para decidir o que vale a pena fazer, definir arquitetura de sistemas e alinhar as ações da IA com a estratégia do negócio.
Masad enfatiza que isso não significa tirar pessoas da equação, mas mudar o foco do trabalho. “Você tem um ciclo inteiro onde agentes fizeram a maior parte do trabalho, mas crucialmente, há julgamento humano no meio, e não pensamos que isso vai desaparecer tão cedo. Você precisa de julgamento humano; você precisa de gosto”, afirmou.
Como a IA atua hoje dentro da Replit
O exemplo mais concreto citado por Masad é o fluxo de suporte ao cliente. Quando um ticket entra, um agente de IA faz a triagem inicial, vasculhando issues abertos no GitHub, o código-fonte e tickets no Linear para montar um dossiê do problema. Só então o caso chega a um atendente humano, já com todo o contexto necessário para decidir o que fazer.
Se a solução exigir um patch de código, o próprio profissional de suporte pode acionar, com um clique, outro agente para sugerir e aplicar a correção. A automação cobre a coleta de dados, a análise preliminar e parte da implementação técnica; o humano escolhe o caminho, valida o resultado e assume a responsabilidade final.
Esse modelo, segundo o CEO, se repete em outras áreas da empresa. Ele relata que, ao circular pelos times, vê menos gente presa a tarefas mecânicas e mais conversas estratégicas: “Estamos passando muito mais tempo descobrindo o que trabalhar”, contou. Quadros brancos, desenhos de arquitetura e discussões sobre como construir produtos ganharam espaço.
Na prática, a Replit tenta usar a IA para tirar o tédio do trabalho e liberar tempo para atividades criativas. Em vez de substituir programadores e equipes de suporte, os agentes reconfiguram o escopo de cada função: menos repetição, mais decisão.
Entenda o contexto
A Replit desenvolve ferramentas baseadas em IA para escrever, revisar e executar código diretamente no navegador, competindo num mercado em que gigantes como GitHub também apostam em assistentes de programação e agentes inteligentes.
Ao adotar internamente a mesma tecnologia que oferece aos clientes, a empresa faz da própria operação um laboratório vivo: testa fluxos totalmente integrados com agentes, ajusta o que não funciona e, a partir daí, leva essas práticas para o produto.
Essa abordagem tem impacto direto no setor de tecnologia, especialmente em desenvolvimento de software e suporte técnico, onde tarefas de análise de logs, leitura de código e busca de bugs consomem muitas horas de trabalho humano. Ao automatizar essas etapas, empresas podem reduzir custos, acelerar entregas e tornar as funções menos monótonas — desde que invistam em treinar equipes para assumir o lado mais estratégico.
Qual o impacto da visão do CEO da Replit para o futuro das empresas de tecnologia?
A proposta de Masad aponta para um modelo em que empresas de tecnologia operam com times menores fazendo escolhas mais complexas, enquanto agentes de IA cuidam da execução granular. Isso tende a aumentar a produtividade, mas também a pressionar profissionais a desenvolver habilidades de produto, visão de negócio e comunicação — e não apenas domínio técnico.
Segundo o CEO, conversas da Replit com outras companhias já se concentram menos em cortes de vagas e mais em como usar a IA para deixar as pessoas “mais produtivas e felizes no trabalho”, reduzindo o caráter repetitivo das tarefas. Setores que acompanharem essa mudança podem ganhar vantagem competitiva; os que ignorarem o movimento correm o risco de ficar para trás em velocidade de inovação.
Masad defende que essa é uma leitura mais otimista do futuro do trabalho com IA, em contraste com previsões apocalípticas sobre demissões em massa. “Há uma visão positiva do mundo que o Vale do Silício não está realmente apresentando, e esperamos fazer isso”, resumiu.
Descontos e próximos passos
O evento em San Francisco, que oferece 50% de desconto na compra de um segundo passe até esta sexta-feira, reúne fundadores e investidores para discutir escala, captação de recursos e os efeitos da inteligência artificial nos negócios.
No caso da Replit, os próximos passos devem incluir ampliar o uso de agentes autônomos para além do suporte e do desenvolvimento, além de investir em treinamento para que colaboradores assumam funções cada vez mais ligadas a estratégia, design de sistemas e relacionamento com clientes. A empresa se posiciona para ser referência em ambientes de trabalho onde IA e humanos dividem o esforço, mas não o mesmo tipo de tarefa.
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