Barco jogador resgata iPhones após naufrágio no Estreito de Ormuz
GFS Pride naufraga após atingir mina no Estreito de Ormuz, espalha carga com centenas de iPhones e eleva tensão entre Irã e EUA. No Pantanal, arraia curiosa se aproxima de barco de turistas.

Economia
Após o naufrágio do GFS Pride, centenas de iPhones foram resgatados no Estreito de Ormuz, aumentando a tensão regional.
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O navio de carga GFS Pride afundou no Estreito de Ormuz após atingir uma mina marítima em uma rota classificada pelo Irã como “não autorizada e perigosa”, espalhando pelo mar parte dos mais de 2.500 contêineres que transportava, inclusive centenas de iPhones e outros produtos, recolhidos por barcos de pesca que se arriscam entre os destroços.
Como os pescadores recolheram os iPhones que caíram no Estreito de Ormuz?
Os iPhones foram recolhidos diretamente da água e de contêineres danificados, por pescadores em barcos de pesca que navegaram entre os destroços do GFS Pride. Imagens que circulam nas redes mostram dezenas de pequenas embarcações — muitas delas típicas de barco de pesca e barco de madeira usados por comunidades costeiras — avançando entre contêineres parcialmente submersos no Golfo Pérsico, alguns sendo empurrados ou rebocados.
Homens aparecem puxando caixas para dentro das embarcações, em um trabalho improvisado de “garimpo” em alto-mar. Entre os itens identificados estão aparelhos de celular, caixas de perfumes e outros produtos de alto valor que estavam na carga. Em pelo menos um registro, um barco maior aparece rebocando um contêiner inteiro, como se fosse um barco de trabalho adaptado às pressas para a oportunidade.
A cena, que lembra um barco jogador disputando espaço entre destroços e correntes, levou a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) a emitir alertas públicos. As autoridades iranianas orientaram que pescadores e demais embarcações tenham extremo cuidado ao circular pela área, devido ao risco de choque com contêineres à deriva e com possíveis novos artefatos explosivos, além de vazamentos de combustíveis.
Apesar do potencial ganho imediato com a recuperação de mercadorias, o avanço desordenado de barcos de pesca pela zona do naufrágio aumenta o perigo para as comunidades locais e pode complicar operações de resgate, limpeza e investigação.
Entenda o contexto
O GFS Pride navegava pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, quando atingiu a mina e pegou fogo. O incêndio levou ao naufrágio da embarcação, que se tornou o segundo navio a ir ao fundo em um intervalo de 24 horas na região e o terceiro desde o início da guerra em curso no entorno do Golfo. Antes, em 23 de setembro, o navio Cape Dao, de bandeira de Antígua e Barbuda, já havia sido perdido após um ataque.
Desde o início do conflito, dezenas de embarcações sofreram ataques em Ormuz e áreas próximas, mas poucas chegaram a afundar. O caso do GFS Pride, com a perda de mais de 2.500 contêineres, agrava a percepção de risco entre armadores, seguradoras e operadores de comércio internacional, em uma área por onde passa grande parte das exportações de petróleo do planeta.
Além do prejuízo direto aos donos da carga e da embarcação, o naufrágio levanta preocupação ambiental, pela possibilidade de vazamento de combustível e de substâncias químicas contidas em contêineres. Também pressiona o custo de seguro marítimo e pode forçar companhias a redesenhar rotas, optando por trajetos mais longos e caros para fugir da zona de conflito.
Irã condiciona segurança em Ormuz à saída dos EUA
No rastro do naufrágio do GFS Pride e da escalada de ataques, o governo iraniano passou a vincular a plena reabertura e segurança do Estreito de Ormuz à retirada das forças americanas da região. Em declaração dura, o brigadeiro-general Mohammad Akraminia, porta-voz do Exército Iraniano, afirmou que a presença dos Estados Unidos é o principal fator de instabilidade.
“Se a América deixar a região, o Estreito de Ormuz será aberto, a segurança coletiva será estabelecida com a participação dos Estados regionais e a economia global irá melhorar. E, se não deixar, nós a expulsaremos”, disse Akraminia.
O militar também responsabilizou Washington pela insegurança na porção leste do estreito e orientou proprietários de navios a utilizarem um corredor específico definido pelas Forças Armadas iranianas. Segundo ele, embarcações que seguirem esse caminho, monitorado por forças locais, navegariam com segurança, o que, na prática, amplia o controle de Teerã sobre o tráfego.
A posição iraniana eleva o tom da disputa com os Estados Unidos e alimenta o temor de novos incidentes, bloqueios temporários e aumentos adicionais nos custos logísticos globais. Empresas de transporte e comércio internacional já avaliam cenários de contingência, diante da perspectiva de prolongamento da crise.
Como a arraia se aproximou do barco e encantou turistas no Pantanal?
A arraia se aproximou lentamente do barco guiado por Nadir Silva, o Nadir Ecotour, no Rio Salobra, no Pantanal sul-mato-grossense, atraída pelos movimentos na água que detecta com eletroreceptores. Durante um passeio recente, o animal nadou à vista da superfície e quase “desfilou” ao lado da embarcação, para surpresa dos turistas.
O Rio Salobra é um dos cenários mais procurados por quem quer fazer passeio de barco de madeira em contato direto com a fauna pantaneira. No vídeo compartilhado por Nadir nas redes sociais, a arraia surge próxima ao casco, em águas claras, exibindo o corpo achatado e as ondulações das nadadeiras, em um comportamento incomum para a espécie, que normalmente passa boa parte do tempo semi-enterrada na areia do leito, camuflada à espera de presas.
Especialistas explicam que as arraias usam eletroreceptores — estruturas sensíveis a campos elétricos — para perceber vibrações de peixes e insetos aquáticos, sua principal alimentação. No caso do passeio, a combinação de ruído do motor, sombra do barco e movimentação dos turistas pode ter despertado a curiosidade do animal, que se aproximou sem sinal de agressividade.
Embora sejam conhecidas pela cauda com ferrão venenoso, as arraias de água doce não atacam por iniciativa própria. O ferrão é um mecanismo de defesa e, em geral, só causa acidentes quando alguém pisa sobre o animal ou tenta manuseá-lo. Guias como Nadir orientam que os visitantes permaneçam dentro da embarcação, evitem colocar mãos e pés na água e não tentem tocar os bichos.
O episódio reforça o potencial do turismo ecológico na região, mas também a necessidade de regras claras de conduta para preservar o ecossistema e garantir que barcos de passeio, sejam de turismo de luxo ou simples barco de venda adaptado à atividade, mantenham distância segura da fauna. Operadores locais defendem limites de lotação, rotas definidas e educação ambiental para que encontros como o da arraia curiosa sigam sendo momentos de encantamento — e não de risco — no Pantanal.
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