Ibovespa queda na semana: avanço de 0,54% não reverte perdas
Ibovespa fecha em alta de 0,54%, aos 205.430 pontos, impulsionado por Petrobras e pela alta do petróleo, em dia de empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula nas pesquisas e dado positivo de atividade do BC.

Mercado
Apesar da alta de 0,54%, o Ibovespa não conseguiu recuperar as perdas acumuladas na semana.
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O Ibovespa encerra a sexta-feira em alta de 0,54%, aos 205.430,33 pontos, em um pregão marcado pelo avanço das ações da Petrobras, pela divulgação de novas pesquisas que mostram empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por dado de atividade econômica melhor do que o esperado.
Ao longo do dia, o principal índice da Bolsa brasileira oscilou entre a mínima de 204.164,17 pontos e a máxima de 206.305,26 pontos, com volume financeiro de R$ 43,39 bilhões. Mesmo com a recuperação desta sessão, o saldo da semana é negativo.
Petrobras reage à alta do petróleo e puxa a Bolsa
A valorização das ações da Petrobras (PETR3, PETR4) acompanha a disparada do preço do petróleo no mercado internacional, movimento que tende a ampliar a receita da estatal e de outras empresas do setor de energia. O bom desempenho do papel ajudou a segurar o Ibovespa em território positivo, apesar do ambiente externo mais pesado.
No mercado americano, os principais índices de Wall Street encerraram no vermelho, com o S&P 500 recuando 1,10%, pressionado por queda em ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial e pela própria alta do petróleo, que acende alerta para a inflação global.
Disputa acirrada entre Flávio e Lula aumenta volatilidade
No campo político, o humor dos investidores é ditado pelas pesquisas de intenção de voto. Levantamento do instituto MDA, encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e divulgado nesta sexta, aponta Flávio Bolsonaro com 46,8% das intenções de voto e Lula com 45,9%. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, o que configura empate técnico.
Os números confirmam a fotografia mostrada pelo Datafolha na noite anterior, que registrou Flávio com 47% e Lula com 45%. A nove dias da votação do segundo turno, as sondagens indicam corrida embolada e alimentam movimentos rápidos na Bolsa e no câmbio.
Parte do mercado vê com bons olhos uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, na expectativa de maior controle das contas públicas, ainda que o candidato e sua equipe econômica não tenham apresentado, até agora, um plano detalhado de ajuste fiscal. Quando as pesquisas apontam redução da vantagem do senador, a leitura é de maior incerteza e a reação dos ativos tende a ser mais contida.
“A nove dias da votação, a volatilidade deve continuar elevada, e o fluxo deve seguir condicionado a novas pesquisas”, afirma Maria Carolina Luchesi, especialista de investimentos do Grupo Hike Capital.
Investidores também monitoram a entrevista de Flávio Bolsonaro no principal telejornal de TV aberta desta sexta-feira e o debate entre ele e Lula marcado para o fim de semana, eventos que podem influenciar indecisos e consolidar tendências de voto na reta final.
Atividade econômica surpreende e reforça tom de otimismo
No front doméstico, o Banco Central informou alta de 0,30% do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) em agosto na comparação com julho, na série com ajuste sazonal. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador avançou 1,2%.
Os números são lidos como sinal de que a economia segue em trajetória de crescimento moderado, mesmo em meio à incerteza eleitoral e a juros ainda elevados. Isso reforça a percepção de resiliência da atividade e ajuda a sustentar a confiança no mercado acionário.
Para Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, a melhora na Bolsa depende de uma combinação de fatores internos e externos. “Para a Bolsa sustentar uma recuperação e os juros recuarem de forma consistente, será importante combinar um exterior favorável com propostas fiscais viáveis. Até o 2º turno, pesquisas podem provocar movimentos rápidos, enquanto os dados de inflação americanos continuarão limitando o espaço para otimismo”, afirma.
BTG eleva exposição ao Brasil e Inter vê Ibovespa mais alto em 2027
Mesmo com a turbulência de curto prazo, casas de investimento começam a ajustar suas apostas para o pós-eleição. O BTG Pactual elevou a recomendação para o Brasil em sua estratégia de ações na América Latina, de neutra para overweight — sinal de que vê espaço para desempenho acima da média regional — e aumentou a exposição e o grau de risco (beta) do portfólio local.
O banco cita a expectativa de redução do custo de capital no país após a definição do segundo turno, o que tende a favorecer empresas listadas e estimular novos investimentos.
O Inter, por sua vez, revisou para cima a projeção para o Ibovespa em 2027, de 204 mil para 240 mil pontos. Segundo Rafael Winalda, analista da instituição, o mercado brasileiro segue barato em relação a pares globais. “Apesar da volatilidade observada após o primeiro turno das eleições, a bolsa brasileira continua descontada e oferece potencial de valorização”, avalia.
Na prática, setores ligados a petróleo e energia colhem os maiores ganhos neste momento, impulsionados pelos preços das commodities, enquanto segmentos mais sensíveis ao cenário político e fiscal, como bancos, consumo e indústria, seguem sob maior cautela até a definição do próximo governo.
Entenda o contexto
O quadro atual combina três vetores principais para os preços dos ativos brasileiros: disputa eleitoral acirrada, economia doméstica em crescimento moderado e ambiente externo instável. O empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula mantém a incerteza alta e pode provocar oscilações bruscas na Bolsa a cada nova pesquisa ou evento de campanha.
Ao mesmo tempo, indicadores como o IBC-Br em alta e a sinalização de grandes casas de investimento, que passam a ver o Brasil com mais apetite, criam espaço para uma visão mais construtiva de médio prazo, sobretudo se o próximo governo apresentar um plano fiscal crível.
Até a votação, a expectativa de gestores e analistas é de sessões marcadas por forte sensibilidade a pesquisas, entrevistas e debates, com investidores ajustando posições à medida que o cenário político ganha contornos mais definidos.
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