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Lançamentos de IA

Replit troca Anthropic por OpenAI e mira crescimento de $9 bi

Replit deixa de priorizar a Anthropic e adota ChatGPT, da OpenAI, como modelo padrão na plataforma. Mudança mira custo menor, melhor desempenho e reforço no B2B.

Replit troca Anthropic por OpenAI e mira crescimento de $9 bi

Tech Desk

Replit substitui Anthropic pelo ChatGPT para reduzir custos e ampliar serviços B2B, visando crescimento bilionário.

Leia também: IA Claude desvenda em 30 min mistério de 25 anos do ECDSA

A Replit deixou de tratar a Anthropic como parceira principal e passou a usar a OpenAI como fornecedora preferencial de modelos de inteligência artificial em sua plataforma de desenvolvimento em nuvem. Na prática, o ChatGPT vira o padrão para os usuários, em uma mudança que combina corte de custos, ganho de desempenho e reforço da estratégia focada em clientes empresariais.

O que aconteceu com a parceria entre Replit e Anthropic?

A parceria entre Replit e Anthropic deixou de ser prioritária, mas não foi completamente encerrada: os modelos Claude ainda estão disponíveis, porém em segundo plano, enquanto o ChatGPT, da OpenAI, passa a ser o modelo padrão na plataforma.

O CEO e cofundador Amjad Masad detalhou a mudança no palco do TechCrunch Disrupt e, depois, esclareceu que a Anthropic continua integrada ao serviço. A diferença é que o tráfego principal de IA — incluindo o Replit Agent, assistente que ajuda a escrever e depurar código — agora é direcionado aos modelos da OpenAI.

Antes do acordo com a OpenAI, a Replit rodava basicamente sobre os modelos Claude da Anthropic e chegou a figurar entre os cinco maiores clientes da empresa rival da OpenAI. Materiais recentes no site, no blog e nas redes da Replit ainda mencionam Claude Fable 5, 5.1 e o modelo Opus 5.5 em produção, sinal de que a infraestrutura com a Anthropic segue ativa, mesmo com menor protagonismo.

Por que a Replit decidiu encerrar o trabalho prioritário com a Anthropic?

A Replit reposicionou a OpenAI como parceira preferencial por uma combinação de desempenho técnico, custo mais baixo e qualidade da relação comercial.

Segundo Amjad Masad, a empresa usa benchmarks internos e públicos para avaliar os modelos. Nesses testes, os modelos da OpenAI se saem melhor na tarefa que é o coração do negócio: construir aplicações codificadas do zero dentro do navegador. “Acho que o ChatGPT é melhor agora”, afirmou o executivo.

Masad reforçou que a decisão foi pragmática: a OpenAI entrega mais performance, com economia maior e uma parceria considerada mais forte pela Replit no momento. Como a maioria dos clientes não costuma trocar o modelo padrão, a escolha do ChatGPT como default tende a reduzir de forma significativa o gasto da Replit com a Anthropic.

Ao mesmo tempo, o CEO fez questão de manter o discurso de neutralidade tecnológica. “Replit permanece agnóstica quanto a modelos, nossos usuários podem escolher Claude da Anthropic ou outros modelos suportados… OpenAI é agora nosso parceiro preferencial para alimentar o Replit Agent, baseado em desempenho, economia e força da parceria”, disse.

Entenda o contexto

A Replit se consolidou como uma das principais plataformas de desenvolvimento em nuvem para programadores independentes, startups e empresas que querem construir e rodar aplicações diretamente no navegador, apoiados por ferramentas de IA para escrever código, testar e fazer deploy.

Com a popularização de agentes de IA capazes de criar projetos quase inteiros sozinhos, a disputa entre grandes laboratórios — como OpenAI e Anthropic — se intensificou, e plataformas como a Replit viraram canais estratégicos para ganhar escala e visibilidade entre desenvolvedores.

Nesse cenário, quem controla o modelo padrão de IA de uma grande plataforma de código ganha não só volume de requisições, mas dados de uso, feedback de usuários e vitrine para o mercado corporativo.

Como a saída da Anthropic impacta os planos da Replit?

A mudança para a OpenAI como parceira preferencial reforça o plano da Replit de crescer em cima de ferramentas de IA mais eficientes, reduzir custos de infraestrutura e acelerar a expansão no mercado B2B, que já domina a receita.

De um lado, usuários que deixam o modelo padrão ativado tendem a perceber respostas mais rápidas e melhores na hora de gerar e refinar código, conforme os benchmarks internos citados por Masad. De outro, a empresa gasta menos com chamadas aos modelos da Anthropic, que agora devem responder por uma fatia menor do tráfego.

Para a Anthropic, a perda de um cliente que esteve entre os cinco maiores representa um baque em volume e em visibilidade junto à comunidade de desenvolvedores. A reconfiguração da parceria obriga a companhia a revisar sua estratégia com plataformas de código e possivelmente ajustar preços e roadmap técnico para recuperar espaço.

Já a OpenAI ganha um reforço importante em sua presença em ambientes de desenvolvimento, num momento em que o mercado disputa quem será a camada padrão de IA embarcada em IDEs, serviços de nuvem e agentes autônomos.

Como está a situação financeira da Replit em 2026?

A Replit não divulga publicamente seu ARR (receita recorrente anual), mas indica crescimento acelerado em contratos corporativos e reforça que hoje mais de metade da receita vem de clientes B2B.

No palco do evento, Amjad Masad resumiu a virada recente: “Enterprise era 2% da receita no ano passado, este ano é 15%, e mais de 50% da receita é B2B”. A mensagem ao mercado é de maturidade do modelo de negócios: além da base massiva de desenvolvedores individuais, a empresa passa a depender cada vez mais de contratos com negócios de maior tíquete, incluindo governos.

A projeção de Masad é que, em 2027, mais de metade de toda a receita venha de clientes empresariais e governamentais. Para chegar lá, a Replit aposta em IA generativa de alto desempenho, parcerias fortes — como a atual com a OpenAI — e um pacote de segurança e governança que convença times de TI a adotarem agentes de IA em escala.

IA, agentes e segurança: foco na infraestrutura

Ao comentar o futuro dos agentes de IA, Masad destacou que desempenho de modelo não é tudo: é preciso um “habitat” capaz de garantir segurança, confiabilidade e controle. “Agentes precisam de um habitat para existir e fazer um bom trabalho, com boa orquestração, recuperação de erros, segurança, sandboxing, rede, identidade e autorização”, afirmou.

Segundo o CEO, a Replit investe para oferecer esse ambiente integrado — algo que interessa diretamente a clientes corporativos e governos, mais sensíveis a risco. A OpenAI entra nessa equação como motor principal dos agentes da plataforma, enquanto a Anthropic e outros fornecedores seguem como opções para quem quiser customizar o stack de IA.

Com a guinada, a Replit tenta se posicionar não apenas como editor de código com IA, mas como camada completa de desenvolvimento e operação de agentes, com modelos de ponta, custos mais previsíveis e uma estratégia declaradamente voltada ao mercado empresarial.

Fonte: matéria original