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Lançamentos de IA

Rivian acelera plano para virar fornecedora global de tecnologia

Rivian deixa de ser só montadora de elétricos e passa a mirar o papel de fornecedora de tecnologia: IA própria, direção automatizada, chip de 5 nm e joint venture bilionária com a Volkswagen.

Rivian acelera plano para virar fornecedora global de tecnologia

Tecnologia

Rivian expande atuação e investe em IA, direção automatizada e parcerias estratégicas para se tornar fornecedora global.

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A Rivian está redesenhando seu papel no setor automotivo e de mobilidade: de montadora de picapes e SUVs elétricos, a empresa passa a se posicionar como uma fornecedora completa de tecnologia, com inteligência artificial própria, sistema de direção automatizada, chip dedicado e uma joint venture de US$ 5,8 bilhões com o Volkswagen Group focada em arquitetura elétrica e software.

Rivian mira papel de fornecedora tecnológica

Em entrevista nesta semana na conferência TechCrunch Disrupt, o CEO e fundador RJ Scaringe detalhou a estratégia de transformar a Rivian em uma companhia capaz de vender tecnologia embarcada para outras marcas, e não apenas veículos. A empresa desenvolve internamente modelos de IA para seu assistente veicular e constrói uma pilha completa de direção automatizada para carros de passeio e futuros robotaxis.

Essa plataforma de direção automatizada é criada em parceria com a Uber, que aparece como um dos principais clientes potenciais para serviços de robotaxi. A ideia é que a Rivian ofereça não só os veículos, mas também o “cérebro” de autonomia, criando uma base tecnológica que possa ser replicada em diferentes frotas e mercados.

Scaringe afirmou que a ambição é licenciar essa tecnologia – que inclui arquitetura elétrica, software, IA e autonomia – para “muitas marcas diferentes”, abrindo novas fontes de receita e reduzindo a dependência das vendas diretas de veículos.

Processador próprio e parceria com Arm e TSMC

Para sustentar essa virada tecnológica, a Rivian também está investindo em hardware sob medida. A empresa trabalha, em colaboração com Arm e TSMC, no desenvolvimento de um processador de 5 nanômetros, desenhado especificamente para suportar workloads intensivos de IA, visão computacional e direção automatizada dentro dos veículos.

O controle sobre o silício permite à Rivian integrar de ponta a ponta o hardware e o software dos seus sistemas de assistência e autonomia, com promessa de maior eficiência energética, melhor desempenho e atualização contínua por software. Essa integração vertical reforça a independência tecnológica da companhia frente a fornecedores tradicionais de chips automotivos.

Joint venture de US$ 5,8 bilhões com Volkswagen

Outro pilar da estratégia é a joint venture de US$ 5,8 bilhões com o Volkswagen Group, voltada inicialmente para arquitetura elétrica e software. Segundo Scaringe, o plano é ampliar o escopo da parceria para incluir também inteligência artificial e direção automatizada, levando os sistemas desenvolvidos pela Rivian para veículos de marcas do grupo alemão.

Na prática, a joint venture dá escala global às tecnologias da Rivian, ao mesmo tempo em que ajuda o Volkswagen Group a acelerar sua transição para plataformas elétricas e conectadas mais modernas, em um mercado cada vez mais disputado por montadoras e gigantes de tecnologia.

Robótica industrial e micromobilidade entram no radar

Fora da linha direta de veículos de passeio, Scaringe vem montando um ecossistema de negócios relacionados à automação e mobilidade. Ele fundou a Mind Robotics, uma startup de robótica industrial da qual a Rivian detém 31% das ações. A empresa desenvolve robôs para uso em fábricas, incluindo potencialmente plantas da própria Rivian, com perspectiva de venda para outros clientes industriais.

Na mesma entrevista, o executivo revelou um reforço de peso: “Doug Field, ex-executivo da Ford, Apple e Tesla, foi contratado como presidente da Mind Robotics”, disse Scaringe. O movimento sinaliza que a robótica industrial é vista como um eixo estratégico de longo prazo, com potencial de gerar receita e ganhos de eficiência produtiva.

Outro desdobramento é a Also, startup de micromobilidade que nasceu de um programa interno da Rivian e foi transformada em spin-off. A empresa explora veículos menores, como bikes e scooters elétricas, área em que a autonomia e a conectividade também devem ter papel central.

Entenda o contexto

A movimentação da Rivian acontece em meio a uma corrida global por tecnologias de direção automatizada, eletrificação e robótica. Startups como a Bedrock Robotics, que desenvolve soluções autônomas para veículos de construção, levantam rodadas na casa de US$ 600 milhões, enquanto outras, como Evos (US$ 9 milhões) e Mana Battery (US$ 10,15 milhões), miram automação industrial e novas baterias.

Grandes montadoras também intensificam parcerias com empresas de tecnologia. A Volvo, por exemplo, amplia colaboração com uma gigante de chips para oferecer direção automatizada ponto a ponto em rodovias e vias urbanas, mostrando que sistemas avançados de assistência e autonomia deixaram de ser experimentos de nicho para virar peça central na estratégia das marcas.

Como a Rivian quer transformar o carro autônomo pessoal

Scaringe indica que o objetivo não é apenas fornecer tecnologia para frotas de robotaxis. Ele enxerga a autonomia como vetor de mudança no próprio conceito de veículo pessoal. “Onde fica realmente interessante é quando você pensa além do R2 e R3 e começa a imaginar os formatos que você quer construir para um veículo autônomo de propriedade pessoal. Isso abre todo tipo de oportunidades de design. Pode criar experiências dramaticamente diferentes”, afirmou.

Segundo o executivo, a combinação de IA, direção automatizada e novas arquiteturas elétricas deve permitir interiores mais flexíveis, formas inéditas de uso do tempo dentro do carro e serviços conectados que vão além da condução. “Estou extremamente empolgado com o que os próximos 10 anos reservam para o transporte por conta do que isso nos permite sonhar e pensar”, disse.

Impacto no mercado e próximos passos

O desenho dessa nova Rivian como fornecedora tecnológica anima investidores e parceiros, especialmente pela expansão da joint venture com o Volkswagen Group e pelo desenvolvimento da plataforma de robotaxis em conjunto com a Uber. O pacote tecnológico que inclui IA, chip de 5 nm, pilha de direção automatizada e arquitetura elétrica própria coloca a companhia em rota de colisão com fornecedores tradicionais do setor.

Ao mesmo tempo, a estratégia aumenta a exposição da empresa a desafios técnicos e regulatórios, sobretudo em relação à segurança e à certificação de sistemas autônomos em diferentes países. A médio e longo prazo, o desempenho das primeiras implementações — seja em robotaxis, seja em modelos de parceiros — deve indicar se a aposta em integração vertical e licenciamento amplo se traduzirá em liderança tecnológica e novos fluxos relevantes de receita.

Enquanto isso, o setor como um todo acelera. De robótica industrial a micromobilidade, a convergência entre automotivo, software e inteligência artificial avança, e a Rivian tenta ocupar um lugar central nesse novo tabuleiro.

Fonte: matéria original