Brasil lidera uso de IA generativa com 54% e prevê mais empregos
Pesquisa global com 21 mil pessoas mostra Brasil à frente da média mundial no uso de IA generativa e mais otimista que outros países sobre emprego, ciência e saúde.

Inteligência Artificial
Pesquisa revela que o Brasil está na vanguarda do uso de IA generativa, superando a média global e mostrando otimismo em empregos e saúde.
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O Brasil desponta entre os países que mais usam inteligência artificial generativa no mundo, com 54% da população dizendo já recorrer à tecnologia, acima da média global de 48%, aponta a pesquisa global “Nossa Vida com IA: Da inovação à aplicação”, feita com 21 mil pessoas em 21 países.
Além de usar mais, os brasileiros também se mostram mais confiantes: 60% acreditam que a IA vai aumentar o número de empregos, contra 49% no conjunto dos outros países ouvidos. A maioria vê a tecnologia como aliada em áreas como ciência, medicina e agricultura, e considera que os benefícios superam os riscos.
Qual a posição do Brasil no uso de inteligência artificial no mundo?
O Brasil está acima da média global no uso de IA generativa, com 54% da população declarando utilizar a tecnologia, frente a 48% dos entrevistados em todos os países do estudo. Na prática, isso coloca o país no grupo de maior adoção entre as 21 nações analisadas, com uma incorporação intensa da IA em rotinas pessoais, estudo e trabalho.
Esse avanço vem acompanhado de otimismo: 65% dos brasileiros veem a IA como promissora por contribuir para diversas áreas da vida, enquanto a média mundial dessa percepção é de 57%. A confiança nas mudanças no mercado de trabalho causadas pela IA também cresce: passou de 62% para 68% em um ano, segundo a pesquisa.
Ao mesmo tempo, o medo de perder o emprego por causa da tecnologia diminui. Entre os trabalhadores que se sentem impactados pela IA, a parcela que acredita precisar buscar um novo emprego caiu de 20% para 15% em um ano, sinal de que mais gente enxerga a tecnologia como ferramenta de apoio, não de substituição imediata.
Quais são os impactos do uso crescente de inteligência artificial no Brasil?
O impacto mais direto aparece na percepção sobre o futuro do trabalho: 60% dos brasileiros acreditam que a IA vai gerar aumento de empregos, bem acima dos 49% da média global. Para 88% dos entrevistados no país, a tecnologia é essencial para lidar com informações complexas e encontrar soluções inovadoras para desafios profissionais, e 78% afirmam já usar IA no trabalho.
No dia a dia, a tecnologia ganha relevância em tarefas corriqueiras. A busca por informações online com apoio de IA é vista como importante por 81% dos brasileiros; 76% valorizam o uso como assistência pessoal, e 74% apontam o apoio aos estudos como um dos grandes benefícios. Ferramentas de escrita apoiadas por IA são consideradas importantes por 85% dos entrevistados, e tradutores automáticos, por 89%.
Setores estratégicos também aparecem como grandes beneficiados. A ciência é citada por 80% dos brasileiros como área em que a IA traz transformação; a medicina, por 77%; a agricultura, por 74%; e a segurança cibernética, por 67%. No total, 64% da população acredita que, na balança, os benefícios da inovação — em especial na ciência e na saúde — superam os riscos associados à tecnologia.
Entenda o contexto
A pesquisa “Nossa Vida com IA: Da inovação à aplicação” foi conduzida pela Ipsos em parceria com o Google, com 21 mil pessoas em 21 países. O objetivo foi medir o grau de uso, o otimismo e as preocupações da população em relação à inteligência artificial generativa, aquela capaz de criar textos, imagens, músicas e outros conteúdos a partir de comandos.
No Brasil, os resultados chamam atenção pelo nível de entusiasmo. Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, diz que o cenário é um incentivo para ampliar o acesso às ferramentas. “Os resultados da pesquisa demonstram a confiança dos brasileiros no potencial da IA para gerar impactos positivos no trabalho, na educação e na vida cotidiana. O Google está comprometido em apoiar essa jornada, oferecendo ferramentas e recursos que ajudem brasileiros de todas as áreas a prosperar nesta nova era”, afirma.
O contraste entre o otimismo e os riscos potenciais abre espaço para novos debates sobre regulação, ética, privacidade e inclusão digital. Especialistas alertam que, sem políticas de qualificação profissional e acesso amplo às tecnologias, parte dos trabalhadores pode ficar para trás, mesmo em um cenário de expansão de oportunidades.
Setores que mais sentem a transformação
Os dados indicam que os brasileiros já associam a IA a ganhos concretos em áreas críticas para o desenvolvimento econômico e social. Na ciência, 80% veem a tecnologia como força transformadora, seja acelerando pesquisas, seja ajudando a analisar grandes volumes de dados.
Na medicina, 77% acreditam que a IA deve impulsionar diagnósticos mais rápidos, tratamentos personalizados e maior eficiência em sistemas de saúde. Na agricultura, 74% reconhecem potencial para melhorias na produtividade, no uso de insumos e no monitoramento de safras, o que é especialmente relevante para um país cuja economia depende fortemente do campo.
A segurança cibernética também aparece com destaque: 67% dos entrevistados no Brasil apontam a IA como peça importante na proteção contra fraudes, ataques digitais e vazamentos de dados. Com mais atividades migrando para o ambiente online, essa percepção tende a ganhar peso em decisões de empresas e governos.
Desafios para incluir mais gente na nova era da IA
Embora o cenário seja de entusiasmo, os dados revelam um risco de aprofundamento das desigualdades. Quem tem acesso a internet de qualidade, dispositivos atualizados e capacitação tende a aproveitar melhor as ferramentas de IA, enquanto trabalhadores menos conectados podem ficar em desvantagem.
O avanço da tecnologia pressiona por políticas de inclusão digital e programas de qualificação profissional, capazes de preparar diferentes perfis de trabalhadores para usar a IA no dia a dia, seja em escritórios, fábricas, escolas ou no campo. Sem essa ponte, o potencial de geração de empregos e aumento de produtividade pode se concentrar em poucos setores e regiões.
O otimismo captado pela pesquisa — com 65% vendo a IA como promissora e 64% acreditando que os benefícios superam os riscos — deve alimentar investimentos privados e decisões de política pública voltadas à inovação. Mas o próprio estudo indica que acompanhar de perto os impactos no mercado de trabalho e na vida cotidiana será decisivo para ajustar rotas e garantir que os ganhos da transformação digital alcancem um número maior de brasileiros.
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