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Lançamentos de IA

EUA mandam remover IA da chinesa DeepSeek de órgãos civis

Departamento de Segurança Interna ordena retirada imediata de produtos de IA da DeepSeek de todas as agências federais civis dos EUA, citando risco de espionagem e vazamento de dados para a China.

EUA mandam remover IA da chinesa DeepSeek de órgãos civis

Segurança

Agências federais dos EUA devem eliminar tecnologia da DeepSeek por preocupações de segurança nacional.

Leia também: Microsoft aposta em modelos de IA menores e mais acessíveis

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos determinou nesta segunda-feira (19) a remoção imediata de todas as tecnologias de inteligência artificial da chinesa DeepSeek Ltd. dos sistemas de tecnologia da informação de agências federais civis, alegando risco de acesso do governo chinês à infraestrutura americana e a dados sensíveis.

Quais agências federais foram afetadas pela proibição do DeepSeek?

A ordem atinge todas as agências federais civis dos EUA, que agora precisam desinstalar e deixar de usar qualquer produto ou serviço baseado na IA da DeepSeek em seus computadores, servidores e sistemas em nuvem. A determinação também vale para soluções terceirizadas: se um fornecedor do governo utilizar modelos da empresa chinesa em seus produtos, esses serviços terão de ser substituídos ou adaptados.

O texto foi publicado no Federal Register e se apoia na Lei de Segurança da Cadeia de Suprimentos de Aquisições Federais de 2018, após revisão do Conselho Federal de Segurança de Aquisições. A ordem proíbe novas compras de softwares, APIs, apps ou serviços que usem a tecnologia da DeepSeek, além de exigir a remoção dos sistemas já em operação.

Embora o foco sejam órgãos civis – como agências reguladoras, departamentos de políticas públicas e autarquias – o movimento consolida uma postura mais ampla do governo americano, que já vinha restringindo o uso da DeepSeek em dispositivos militares e em redes de estados, como Nova York.

Quais são as preocupações de segurança que levaram à proibição do DeepSeek?

Para o Departamento de Segurança Interna, os modelos de IA da DeepSeek representam um risco direto à segurança nacional. Na justificativa oficial, a pasta afirma que as tecnologias da empresa apresentam “multiple threat vectors”, capazes de dar ao Partido Comunista Chinês “extensive authority” para acessar a infraestrutura governamental americana.

Segundo o órgão, a tecnologia pode ser usada para “track or digitally fingerprint” usuários – ou seja, rastrear e criar uma espécie de impressão digital dos perfis que interagem com o sistema – e permitir a “transfer of sensitive data to the People’s Republic of China if used by U.S. government or vendors”, caso seja usada por agências ou seus fornecedores.

O temor é que, ao processar documentos, códigos, comunicações internas e bases de dados oficiais em sistemas de IA hospedados ou controlados por uma empresa sujeita às leis e pressões de Pequim, informações críticas acabem expostas a espionagem, vigilância ou interferência estrangeira.

Especialistas em cibersegurança já vinham alertando para os riscos desde o ano passado, quando o aplicativo gratuito da DeepSeek foi baixado por milhões de americanos. Um desses especialistas classificou a política de privacidade da empresa como não “worth the paper it is written on” – na prática, dizendo que o texto não oferece garantias reais sobre o destino dos dados dos usuários.

Entenda o contexto

A ofensiva contra a DeepSeek é o ápice de uma escalada que começou quando o app da empresa explodiu em popularidade entre usuários comuns e desenvolvedores nos EUA. Em paralelo, a companhia ganhou destaque na indústria ao lançar o modelo R1, um sistema aberto de IA que, mesmo treinado com chips menos potentes e a custo menor, superou concorrentes americanos em testes complexos.

Mais recentemente, a DeepSeek apresentou o modelo V4.1 Flash-1017, prometendo desempenho mais rápido e melhores capacidades de raciocínio e programação, em patamar competitivo com alguns dos sistemas mais avançados do mercado americano.

A evolução tecnológica da empresa chinesa correu em paralelo com uma reação regulatória. O Departamento de Comércio já havia bloqueado o uso dos produtos da DeepSeek em dispositivos governamentais federais, enquanto a Marinha dos EUA orientou que seus integrantes não utilizassem o modelo por risco de segurança. O estado de Nova York baniu a tecnologia de dispositivos e redes governamentais, citando “sérias preocupações” com privacidade e possíveis mecanismos de censura embutidos.

A nova ordem do Departamento de Segurança Interna amplia esse cerco: deixa de ser apenas uma restrição de dispositivos específicos e passa a ser um veto horizontal em toda a estrutura civil federal, incluindo serviços contratados de terceiros.

Como a proibição do DeepSeek impacta o uso de inteligência artificial no governo dos EUA?

Na prática, órgãos federais terão de mapear onde a tecnologia da DeepSeek aparece – seja de forma direta, em aplicativos e bots internos, seja embarcada em plataformas de parceiros – e conduzir uma migração forçada para outros modelos de IA. Isso envolve trabalho técnico de integração, revisão de contratos, auditoria de código e, em muitos casos, treinamento de equipes em novas ferramentas.

Para o setor de tecnologia, a retirada abre espaço imediato para provedores de IA considerados seguros pelo governo americano, em especial empresas domésticas e de países aliados, que tendem a disputar contratos de substituição. A medida também tende a impulsionar investimentos em soluções de IA desenvolvidas dentro dos EUA, como forma de reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros classificados como de alto risco.

Por outro lado, a DeepSeek e seus parceiros comerciais perdem acesso a um mercado estratégico e de alto valor. Startups e times de inovação que vinham usando os modelos da empresa em provas de conceito dentro do governo podem ver projetos atrasarem até que novas bases tecnológicas sejam definidas. Em paralelo, cresce a pressão para que outros serviços de origem chinesa sejam avaliados sob a mesma lente de segurança.

O movimento se insere em uma disputa tecnológica mais ampla entre Estados Unidos e China, em que infraestrutura de nuvem, chips e modelos de IA passaram a ser vistos como ativos críticos de soberania. A nova ordem do Departamento de Segurança Interna funciona como um recado: o governo americano está disposto a intervir diretamente na cadeia de suprimentos digital sempre que enxergar risco de vazamento de dados sensíveis ou de influência estrangeira em seus sistemas centrais.

Fonte: matéria original