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Brasil

Transição de 2 anos no Bolsa Família opõe Flávio e aliados de Lula

Coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro anuncia regra de transição de 2 anos para beneficiários do Bolsa Família que buscarem emprego ou empreender, e proposta vira munição para aliados de Lula no 2º turno.

Transição de 2 anos no Bolsa Família opõe Flávio e aliados de Lula

Política Social

Nova regra para beneficiários do Bolsa Família gera debate entre grupos políticos no segundo turno.

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Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, anunciou uma regra de transição de 2 anos para beneficiários do Bolsa Família que tentem deixar o programa para trabalhar com carteira assinada ou empreender, com direito a retorno automático ao benefício se a tentativa fracassar. A proposta, detalhada em entrevista à rádio CBN Bahia, passou a ser explorada por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final do 2º turno.

O que propõe a regra de transição de 2 anos

Pela explicação de Daniella, quem está hoje no Bolsa Família teria um período de 24 meses para testar a saída do programa ao aceitar um emprego formal ou abrir um pequeno negócio. Nesse intervalo, se a renda não se sustentar ou o empreendimento não der certo, o beneficiário voltaria automaticamente a receber o valor integral do auxílio.

“Quem está no Bolsa Família vai ter uma regra de transição, como teve na época do governo Bolsonaro, de 2 anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar emprego de carteira assinada, e retorno automático se der errado”, afirmou a coordenadora na entrevista.

Daniella também disse que Caixa Econômica Federal e Banco do Nordeste atuariam como braços financeiros para essa transição, oferecendo linhas de crédito a pequenos empreendedores. Segundo ela, a ideia é combinar benefício social com estímulo à autonomia econômica.

A economista adiantou ainda a intenção de criar um “Ministério da Prosperidade” em eventual governo Flávio Bolsonaro, voltado especificamente para crédito e capacitação de quem queira deixar o Bolsa Família e se manter com renda do trabalho ou de um negócio próprio.

Reação do PT e uso eleitoral da fala

Logo após a divulgação do áudio da entrevista, aliados de Lula passaram a circular o trecho nas redes sociais e em eventos de campanha, dizendo que Flávio Bolsonaro pretende “acabar com o programa em 2 anos”. A crítica se apoia tanto na menção ao prazo de 24 meses quanto em publicações antigas do senador nas quais ele se referia ao Bolsa Família de forma depreciativa, chamando o benefício de “bolsa-farelo” e defendendo que fosse limitado a um período máximo de recebimento.

Esses materiais foram retomados para reforçar a narrativa de que a proposta atual seria uma reedição de ideias antigas de restringir o tempo de permanência no programa social. A discussão ganhou força na disputa do 2º turno, a menos de uma semana do pleito marcado para domingo.

Em resposta, Daniella Marques tentou conter o desgaste. Ela negou que haja planos de cortes e atribuiu ao PT uma campanha de desinformação. “Não iremos cortar programas sociais. Nós iremos cortar os privilégios em Brasília, férias de 60 dias, supersalários, viagens e outros privilégios, desperdícios da máquina pública e fechar o buraco das estatais para que a gente tenha um Estado mais eficiente”, declarou.

Versões diferentes dentro da campanha

Após a repercussão negativa, o próprio Flávio Bolsonaro publicou em sua conta no Instagram uma explicação que difere da fala original de sua coordenadora. Na versão do candidato, o beneficiário do Bolsa Família continuaria recebendo o auxílio por até 2 anos mesmo depois de conseguir um emprego formal ou abrir uma empresa, e não apenas durante a fase de tentativa de transição.

Ao enfatizar a manutenção do pagamento por até 24 meses após a conquista da renda, Flávio procura afastar a imagem de “corte programado” e apresentar a ideia como uma espécie de prêmio para quem ingressar no mercado formal, em vez de uma limitação de tempo no programa.

O plano de governo protocolado pela campanha, porém, não traz menção à regra de transição de 2 anos nem cita o Bolsa Família ou o prometido Ministério da Prosperidade. A ausência alimenta a avaliação de que a proposta ainda está em formulação ou é apresentada prioritariamente no terreno da disputa eleitoral, sem detalhamento formal.

Entenda o contexto

O anúncio da nova regra ocorre em meio a um período em que o Bolsa Família voltou ao centro do debate político. Em setembro, o governo Lula reajustou o piso do programa em cerca de 15%, elevando o valor mínimo pago de R$ 600 para R$ 691, quantia que começou a ser depositada nesta semana.

Hoje, têm direito ao Bolsa Família famílias com renda mensal por pessoa de até R$ 218. A legislação em vigor já prevê um mecanismo de proteção: quando a renda ultrapassa o limite de elegibilidade, o benefício não é cortado de imediato. Nesse caso, a família pode continuar recebendo 50% do valor original por até 18 meses, justamente para reduzir o risco de retorno rápido à extrema pobreza.

A regra proposta pela campanha de Flávio Bolsonaro se somaria a esse desenho. Na prática, criaria uma janela mais longa e com retorno automático ao benefício integral para quem decidir testar o mercado de trabalho ou o empreendedorismo, sem perder a cobertura social de uma vez.

Especialistas ainda devem discutir se a combinação das duas proteções ampliaria a segurança para a saída gradual do programa ou se exigiria ajustes em critérios de renda e tempo de permanência. A forma exata de convivência entre a regra vigente (50% por até 18 meses) e a transição de 24 meses não foi detalhada pela campanha.

Impacto político e próximos passos

A mudança sugerida atinge diretamente o grupo de famílias de baixa renda que concentra parte importante do eleitorado decisivo no 2º turno. De um lado, a campanha de Flávio tenta apresentar a ideia como um incentivo à autonomia financeira, apoiado em crédito e capacitação, com promessas de que ninguém ficará sem proteção se algo der errado no novo emprego ou negócio.

De outro, o PT explora a ambiguidade do prazo de 2 anos e o histórico de declarações do senador sobre o programa social para nutrir o temor de fim ou enfraquecimento do Bolsa Família em eventual gestão do PL. A acusação é de que a “regra de transição” seria, na prática, um limite de tempo disfarçado.

A tendência é que o tema continue no centro da campanha até o dia da votação, pressionando a equipe de Flávio Bolsonaro a detalhar se a proposta entrará oficialmente no programa de governo e como será implementada em relação às normas atuais. Eventual mudança nas regras também teria de passar por debates no Congresso, o que deve mobilizar bancadas governista e de oposição em torno do futuro do principal programa de transferência de renda do país.

Fonte: matéria original

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