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Brasil

Ai 5 o que é: Flávio força mobilização e Lula aposta em segurança

A seis dias do segundo turno, Flávio Bolsonaro convoca apoiadores para ‘mobilização total’ e apresenta o Vira Pix. Lula centra programa em segurança pública e no caso Ana Clara.

Ai 5 o que é: Flávio força mobilização e Lula aposta em segurança

Eleições 2024

Flávio Bolsonaro intensifica mobilização enquanto Lula destaca segurança pública e caso Ana Clara no segundo turno.

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A seis dias do segundo turno da eleição presidencial, os programas eleitorais de Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) exibidos na TV nesta segunda-feira (19) escancararam as estratégias da reta final: o candidato do PL fez um apelo por “mobilização total” de sua base e lançou a proposta econômica “Vira Pix”, enquanto o petista concentrou a propaganda em segurança pública e na atuação do adversário na defesa de um policial acusado de matar a menina Ana Clara Machado, de 5 anos.

Flávio intensifica apelo às ruas e lança ‘Vira Pix’

Na abertura de seu programa, Flávio Bolsonaro falou diretamente ao eleitorado mais fiel e pediu que ninguém relaxe até a votação. “Está chegando a hora. Eleição a gente ganha hoje, ganha amanhã, é todo dia até o dia de votar. É mobilização total, não pode relaxar. Agora é força máxima nas redes, nas ruas, nos grupos. Ou o Brasil vence, ou eles derrotam o Brasil. O jogo só termina quando o juiz apita. E, do outro lado, você já sabe: é só jogo sujo e mentira. Então, bora para cima e vamos confirmar essa vitória. Eu preciso de vocês. O Brasil precisa de vocês”, disse o candidato do PL.

O discurso reforça a orientação da campanha de ocupar ruas, redes sociais e grupos de mensagens na tentativa de ampliar o engajamento dos apoiadores e pressionar o eleitor indeciso na reta final do segundo turno.

Na sequência, a propaganda apresentou o “Vira Pix”, plano de recompensas que, segundo o programa, seria criado em parceria com a Caixa Econômica Federal. A ideia é devolver ao consumidor parte do que ele gasta em despesas do dia a dia pagas via Pix.

“Flávio vai criar, junto com a Caixa, um plano de recompensa para todo mundo no Brasil. É o Vira Pix. Conta de luz, prestação, taxa, tudo o que você pagar, uma parte volta para o seu bolso. Vai virar Pix para você”, afirmou o narrador da peça. O programa encerrou o bloco com o slogan: “Vira Pix. A proposta é do Flávio. A mudança é para você”.

Na prática, a proposta mira diretamente o bolso do eleitor e acena ao setor financeiro, ao atrelar benefícios econômicos a um meio de pagamento já massificado, com promessa de retorno em dinheiro para quem consome.

Entenda o contexto

Com o segundo turno a apenas seis dias, a campanha de Flávio Bolsonaro aposta em uma estratégia de “militância permanente”, estimulando manifestações nas ruas e ação coordenada nas redes. O movimento tende a acentuar a polarização na reta final, com possível aumento de atos públicos e da disputa por narrativa em grupos de mensagem.

Se eleito, o candidato do PL promete tirar o “Vira Pix” do papel em parceria com a Caixa, colocando o banco público no centro de um programa de recompensas voltado a despesas cotidianas pagas digitalmente.

O que Lula propõe para a segurança pública?

No programa de Lula, o eixo foi a segurança pública, com forte componente emocional e ataque direto ao adversário. A propaganda reconstituiu o assassinato de Ana Clara Machado, morta em fevereiro de 2021 por um tiro de fuzil na porta de casa, em uma comunidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

O disparo é atribuído ao cabo da Polícia Militar Bruno Dias Dellaroli, réu por homicídio doloso e que responde em liberdade desde novembro de 2021. Em 2024, Flávio Bolsonaro integrou a equipe de defesa do policial e assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que mandou o caso ao Tribunal do Júri. O pedido foi negado, e o julgamento está marcado para maio de 2027.

Em tom de acusação, a apresentadora do programa de Lula narrou o caso e associou a atuação de Flávio à defesa de um “assassino de criança”. “Ana Clara Machado tinha cinco anos quando foi atingida por um tiro de fuzil na porta de casa. Não era ação da polícia. O PM Bruno Dias Dellaroli disparou de forma consciente na direção de uma casa. Moradores tentaram impedir. Bruno Dellaroli não parou. Ana Clara morreu. Flávio Bolsonaro foi um dos advogados na defesa do policial, o assassino de Ana Clara, uma garota de cinco anos. Você acha que quem defende um assassino de criança vai te defender?”, questionou.

Depois de explorar o caso, Lula apresentou suas propostas para o setor, que ele compara a um “SUS da Segurança Pública” ao falar em integração nacional. O foco é o fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que busca articular polícias federal, civil, militar e guardas municipais.

“Durante muito tempo, a Polícia Federal não falava com a Militar, a Militar não falava com a Civil e ninguém falava com a guarda da tua cidade. Sabe quem adorava isso? O crime. Porque facção não respeita divisa de estado”, afirmou o candidato do PT.

O programa elencou quatro frentes de combate ao crime: integração da inteligência policial; transformação de 1.138 presídios estaduais em unidades com padrão federal de segurança máxima; retomada de territórios dominados por facções; e ampliação das operações financeiras contra o dinheiro do crime organizado.

As propostas miram mudanças estruturais na gestão da segurança, com impacto potencial sobre forças policiais, sistemas de inteligência e a malha prisional do país.

Entenda o contexto

Ao recolocar o caso Ana Clara em evidência, a campanha de Lula busca vincular o adversário a uma defesa considerada eticamente controversa, pressionando Flávio Bolsonaro a responder e tentando falar com eleitores sensíveis a temas como direitos humanos, atuação policial e violência em áreas pobres.

Ao mesmo tempo, o pacote para o Susp procura sinalizar a eleitores preocupados com criminalidade que há um plano de médio e longo prazo para reorganizar a segurança pública, fortalecer a coordenação entre forças e endurecer o combate ao crime organizado.

Com o processo de Bruno Dias Dellaroli ainda em andamento e o júri marcado para 2027, a exposição do caso em plena campanha tende a manter o tema na agenda pública e a influenciar tanto o debate político quanto a percepção da opinião pública sobre justiça e responsabilidade do Estado.

Fonte: matéria original

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