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Brasil

Lula exige quebra do sigilo de Flávio para debate na Globo

Em ato em Juazeiro (BA), Lula disse que só irá ao debate presidencial na Globo se Flávio Bolsonaro autorizar a quebra de seus sigilos. Pedido está no TSE, com prazo até 21 de outubro.

Lula exige quebra do sigilo de Flávio para debate na Globo

Política

Lula condiciona participação no debate da Globo à liberação dos sigilos de Flávio Bolsonaro, com decisão aguardada até 21 de outubro.

Leia também: Quase 5 mil seções eleitorais mudam até 2º turno em 25/10

Em ato de campanha em Juazeiro, no norte da Bahia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (20) que só participará do debate presidencial na TV Globo se o senador Flávio Bolsonaro autorizar a quebra de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, elevando a tensão política às vésperas do segundo turno.

Condição para o debate na Globo

Ao encerrar o discurso, diante de apoiadores da Bahia e de Petrolina (PE), Lula vinculou diretamente sua presença no estúdio ao gesto do adversário. “Se ele apresentar um documento autorizando a quebrar o sigilo, vai ter debate, porque senão ele não pode ir ao debate, porque o presidente da República não pode debater com ladrão”, disse o petista.

A fala foi combinada com uma ofensiva jurídica. A defesa de Lula protocolou no Tribunal Superior Eleitoral pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente e de familiares, abrangendo os últimos oito anos. A petição condiciona a medida à reciprocidade de Flávio Bolsonaro, e estabelece prazo até esta quarta-feira (21) para resposta, o que pode definir o formato do debate na Globo.

Na prática, Lula tenta transformar o encontro final entre candidatos em um teste público de transparência. Se o senador não aceitar abrir os dados, auxiliares do presidente avaliam que ele tende a manter a decisão de não ir ao estúdio.

Militância pressiona por transparência

O tom do ato em Juazeiro foi de cobrança direta ao senador. Em vários momentos, a militância interrompeu o discurso com gritos de “Abre o sigilo, Flávio” e “Se tá tudo certo, mostra o que há”. Carros de som e jingles repetiam o mote da abertura de sigilos como sinônimo de “cara limpa” diante do eleitor.

Lula estimulou que os apoiadores levem a pressão às ruas e às redes sociais até o dia da votação do segundo turno, no domingo (25). Ele pediu que quem não votou no primeiro turno seja convencido a ir às urnas e fez um apelo específico aos eleitores com mais de 70 anos, cujo voto é facultativo, para que tratem a participação como “questão de honra”.

Entenda o contexto

A iniciativa de Lula é uma resposta direta ao debate presidencial da Band, realizado no domingo (18), marcado por trocas de acusações de corrupção. Na ocasião, Flávio Bolsonaro citou suspeitas envolvendo um dos filhos de Lula. O presidente reagiu questionando o patrimônio do senador e a origem dos recursos usados na compra de um imóvel.

No embate, Lula também mencionou um pedido de R$ 134 milhões ligado ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, atribuído ao senador em tratativas com o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A campanha petista tenta explorar esse episódio para associar o adversário a suspeitas de uso político de recursos privados.

Ao amarrar sua ida ao debate da Globo à abertura de sigilos por Flávio, Lula busca inverter o foco das acusações. Em vez de defender sua família, o presidente tenta colocar o senador na posição de quem precisa provar que não tem nada a esconder.

Impacto político e jurídico

A estratégia mexe com dois tabuleiros ao mesmo tempo. No campo político, a exigência reforça o discurso de campanha de que a transparência e o combate à corrupção são temas centrais da disputa. Governadores aliados, como Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí), além de líderes petistas como Jaques Wagner, Humberto Costa e Rui Costa, estavam ao lado de Lula no palanque e ecoaram a cobrança por explicações do senador.

No campo jurídico, o pedido de quebra de sigilo protocolado no TSE abre uma frente formal de questionamento. A corte terá de se manifestar em curto prazo, sob pressão do calendário eleitoral e da repercussão pública. Mesmo que a autorização de sigilo dependa do próprio Flávio, a tramitação do pedido tende a alimentar novas disputas judiciais entre as campanhas.

Aliados do presidente avaliam que o episódio fortalece sua narrativa especialmente no Nordeste, região em que o ato de Juazeiro buscou consolidar apoios com a presença de nomes como Marília Arraes, João Campos e Teresa Leitão. Já a campanha do senador, pressionada a reagir, terá de decidir se aceita a exigência, arriscando exposição de seus dados, ou se recusa, arcando com o custo político de ser acusado de falta de transparência.

Além do embate com Flávio Bolsonaro, Lula aproveitou o palanque para defender propostas de um eventual novo mandato, como o programa Pé-de-Meia Universitário e a intenção de enviar ao Congresso um projeto que garanta transporte público gratuito nos fins de semana, numa tentativa de equilibrar o discurso de confronto com promessas de política pública.

Fonte: matéria original

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