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Inteligência Artificial

Meta bloqueia no Instagram vídeo de Flávio Bolsonaro por TSE

Meta remove do Instagram, no Brasil, vídeo do projeto Revelando Brasil sobre Flávio Bolsonaro por suposto uso de IA, com base em regra eleitoral do TSE. Produtores negam IA e falam em censura.

Meta bloqueia no Instagram vídeo de Flávio Bolsonaro por TSE

Inteligência Artificial

Meta retira vídeo de Flávio Bolsonaro no Instagram alegando regras eleitorais do TSE e uso de IA, enquanto produtores contestam a decisão.

Leia também: Falhas em IA da OpenAI e Anthropic provocam ação global inédita

A Meta remove do Instagram, no Brasil, um vídeo do canal Revelando Brasil sobre Flávio Bolsonaro (PL) durante o período de restrição eleitoral para conteúdos com inteligência artificial, e a produção acusa a plataforma de censura e boicote. O mesmo material segue disponível no YouTube e pode ser visto no Instagram por usuários fora do país.

Meta aplica regra do TSE a conteúdo do Revelando Brasil

O vídeo, estrelado por MC Cabelinho e intitulado “Flavinho de Papai”, foi tirado do ar nesta quinta-feira (22) com base na resolução eleitoral n.º 23.755/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que proíbe publicar ou republicar conteúdos criados ou significativamente alterados por IA nas 72 horas antes e 24 horas depois da votação.

Segundo a Meta, sistemas automáticos detectaram, no arquivo postado pelo perfil Revelando Brasil, um “sinal padrão da indústria” que indica uso de recursos de inteligência artificial em imagem, áudio ou vídeo. Ao identificar esse selo em conteúdos eleitorais exibidos no Brasil, a empresa diz que é obrigada a restringir temporariamente o acesso até o fim do período proibitivo.

Na publicação derrubada, passou a aparecer o aviso: “Restringimos temporariamente o acesso a este conteúdo de acordo com as obrigações legais referentes à proibição de conteúdo eleitoral com inteligência artificial (Art. 9-B da Resolução Eleitoral n.º 23.755/2026 do Brasil)”.

Produção nega IA e fala em censura e boicote

O canal Revelando Brasil, projeto do podcast Calma Urgente em parceria com Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Mídia NINJA e 342 Artes, contesta a justificativa da Meta. A equipe afirma que não usou IA nem na produção nem na finalização do vídeo e que o material tem caráter jornalístico, não “eleitoral”.

O ator Gregório Duvivier, integrante do Calma Urgente e um dos nomes à frente do projeto, reagiu nas redes sociais. “Não tem IA nenhuma. Isso é um boicote. O vídeo está muito forte e é por isso que a Meta derrubou ele”, afirmou.

Em nota, o Revelando Brasil reforça o caráter jornalístico da série. “Revelando é uma série jornalística baseada em recortes e imagens de veículos de comunicação profissionais, além de decisões judiciais amplamente noticiadas. A produção é realizada por jornalistas profissionais, pesquisadores e checadores de fatos”, diz o texto.

O grupo acusa a Meta de praticar censura ao aplicar de forma automática a regra do TSE a um conteúdo que, segundo a produção, não foi manipulado por IA e se apoia em documentos e reportagens já publicados.

Imagens de banco de dados são alvo de suspeita

De acordo com o Revelando Brasil, a suspeita da Meta recai sobre uma imagem apontada como criada por inteligência artificial e associada ao banco de imagens Adobe Stock, usado para licenciar materiais audiovisuais ornamentais em todos os vídeos da série.

A produção afirma que essas imagens são “meramente ilustrativas”, não interferem na veracidade da apuração e, no caso específico do episódio sobre Flávio Bolsonaro, estariam presentes apenas na versão completa hospedada no YouTube, não no teaser publicado no Instagram que acabou derrubado.

Outros episódios do Revelando, que utilizam o mesmo padrão visual e o mesmo banco de imagens, seguem no ar na plataforma e não receberam rótulo de uso de IA, o que reforça, para a equipe, a tese de erro ou aplicação desigual das regras.

Entenda o contexto

A resolução n.º 23.755/2026 do TSE criou uma faixa de restrição para conteúdos eleitorais produzidos ou significativamente alterados por inteligência artificial. Nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas seguintes, esse tipo de material não pode ser publicado nem republicado, com o objetivo de reduzir risco de manipulação audiovisual e desinformação em massa na reta final da disputa.

Para cumprir a norma, a Meta passou a usar sistemas que leem automaticamente metadados e marcas digitais em arquivos de imagem, áudio e vídeo. Esses sinais, incorporados por muitos aplicativos de edição que já usam IA em seus filtros e ferramentas, servem como indicativo técnico para moderação acelerada durante o período eleitoral.

Entidades e produtores de conteúdo, porém, alertam para o risco de que esse modelo acabe derrubando também reportagens, investigações e vídeos de interesse público que recorrem a bancos de imagens ou a recursos mínimos de edição automatizada, sem qualquer distorção do conteúdo informativo.

O que diz o vídeo sobre Flávio Bolsonaro

No episódio “Flavinho de Papai”, o Revelando Brasil reconstrói a trajetória de Flávio Bolsonaro desde o primeiro cargo em comissão na Câmara dos Deputados, no início da juventude, passando pelo mandato como deputado estadual até sua chegada ao Senado e à atual candidatura à Presidência.

Com narração de MC Cabelinho, o vídeo mistura relatos, decisões judiciais e manchetes de veículos profissionais para questionar a ascensão política do senador, seu discurso de meritocracia e a origem de seu patrimônio, declarado em mais de R$ 8 milhões. “Ele nunca largou cargos de político, nunca precisou mandar currículo para lugar nenhum, nunca precisou aturar patrão, nunca fez besteira sem ter o papai para limpar. Mora numa mansão com oito vagas de garagem, ficou rico sem mostrar serviço e sem mostrar de onde vem tanta grana. E agora quer te convencer que o problema na sua vida é o governo”, diz o artista em um dos trechos.

Essa não é a primeira vez que conteúdos do Revelando entram na mira dos filtros do Instagram. Um vídeo apresentado por Fábio Porchat, sobre a relação de Jair Bolsonaro com a Igreja Lagoinha e o empresário Daniel Vorcaro, chegou a ser removido por algumas horas e depois foi restabelecido pela Meta, que atribuiu o episódio a um “mal-entendido”.

Agora, o episódio sobre Flávio Bolsonaro permanece restrito apenas ao Brasil no Instagram. A Meta indica que, passado o prazo de 72 horas antes e 24 horas após a votação, o conteúdo deve voltar a ficar acessível no país, enquanto a controvérsia alimenta o debate sobre o alcance das novas regras de IA e o impacto da moderação automática sobre o jornalismo e a liberdade de expressão em período eleitoral.

Fonte: matéria original