Índice do medo do mercado bate recorde antes do 2º turno
Índice S&P/B3 Ibovespa VIX salta 6,72%, a 45,27 pontos, e renova recorde em meio ao empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula. Ibovespa cai e dólar vai a R$ 5,03.

Mercado Financeiro
Medo e incerteza dominam o mercado com alta histórica do índice VIX antes do segundo turno presidencial.
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O índice S&P/B3 Ibovespa VIX, conhecido como “índice do medo” do mercado brasileiro, disparou 6,72% e fechou em 45,27 pontos nesta quinta-feira, renovando recorde em meio ao empate técnico nas pesquisas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na véspera do segundo turno da eleição presidencial.
Mercado reage a empate técnico entre Flávio e Lula
O salto do VIX Brasil ocorre depois de uma alta de 8% na quarta-feira, em uma sequência de fortes oscilações puxadas pela expectativa de uma disputa voto a voto pelo Palácio do Planalto. O movimento é lido por profissionais de mercado como sinal de nervosismo crescente às vésperas da definição nas urnas.
Levantamento Quaest divulgado na quarta-feira mostrou Flávio Bolsonaro com 45% das intenções de voto no segundo turno, contra 44% de Lula, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Outra pesquisa, do instituto Indexa/Broadcast, apontou o senador com 50,6% dos votos válidos e o petista com 49,4%, também em empate técnico, considerando margem de erro de 2,2 pontos.
No primeiro turno, Flávio havia liderado a disputa com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. Com o novo turno marcado para o dia 25, o mercado acompanha de perto cada pesquisa divulgada e reprecifica ativos a cada sinal de mudança no quadro eleitoral.
Bolsa cai, dólar sobe e risco ganha preço
O aumento da incerteza política se espalhou por outros segmentos. O Ibovespa recuou mais de 1% nesta quinta-feira, refletindo a aversão a risco em ações brasileiras, enquanto o dólar encerrou o dia em alta, cotado a R$ 5,03, num movimento de busca por proteção em moeda forte.
Analistas apontam que setores mais sensíveis a decisões de governo, como bancos, empresas de infraestrutura e companhias ligadas a commodities, tendem a concentrar a pressão nas próximas sessões, até que o resultado das urnas traga maior clareza sobre o rumo da política econômica.
A alta do câmbio, por sua vez, indica saída de recursos de ativos brasileiros e migração para investimentos considerados mais seguros. Esse encarecimento do dólar tende a aumentar custos de empresas dependentes de insumos importados e pode alimentar pressões sobre preços na economia real.
Entenda o contexto
O “índice do medo voltou a bater recorde nesta quinta-feira, às vésperas da decisão do segundo turno e com pesquisas mostrando empate técnico entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva”. O indicador vem de uma série de sessões de forte oscilação desde o início da fase decisiva da campanha.
Calculado a partir das opções sobre o Ibovespa na B3, o VIX Brasil capta quanto o mercado espera que o principal índice de ações oscile nos próximos 30 dias. “O VIX Brasil mede a volatilidade implícita esperada para os próximos 30 dias e funciona como um termômetro da percepção de risco do mercado”, descrevem gestores.
Na prática, quanto mais alto o VIX, maior a disposição de investidores a pagar por proteção contra movimentos bruscos de preços. Isso costuma se traduzir em aumento da compra de opções de venda (que ganham valor quando as ações caem) e em redução de exposição a papéis considerados mais arriscados.
Nesse ambiente, gestores locais e estrangeiros ajustam rapidamente suas carteiras: alguns encurtam prazos e reduzem posições em bolsa, enquanto outros, especialmente os especializados em derivativos, tentam capturar ganhos com as oscilações mais fortes.
O que pode acontecer depois do segundo turno
As próximas pesquisas e, principalmente, o resultado do segundo turno no dia 25 são vistos como gatilhos decisivos para o comportamento do VIX Brasil e dos demais ativos. Caso o desfecho nas urnas seja claro e amplamente aceito, a expectativa é de queda gradual do índice de volatilidade e de algum alívio para bolsa e câmbio.
Se, ao contrário, o resultado mantiver o quadro de incerteza, com contestação ou demora na definição do próximo governo, a volatilidade tende a permanecer elevada, prolongando o clima de cautela. Em qualquer dos cenários, as primeiras sinalizações do presidente eleito sobre equipe econômica, política fiscal e reformas serão determinantes para a confiança dos investidores, a direção do dólar e o apetite por ações brasileiras nos próximos meses.
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