Mercados
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Inteligência Artificial

Mercados oscilam com tensão geopolítica e ajuste em tecnologia

Futuros em Wall Street andam de lado, Europa cai com tensão política na França, Ásia fecha mista. Petróleo sobe com ataques na Arábia Saudita e minério de ferro emenda sétima semana de perdas na China.

Mercados oscilam com tensão geopolítica e ajuste em tecnologia
Traders work on the floor at the New York Stock Exchange (NYSE) in New York City, U.S., July 30, 2025. REUTERS/Jeenah Moon

Mercados Globais

Oscilações refletem incertezas políticas e ajustes setoriais, impactando bolsas e commodities mundialmente.

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Os mercados globais operam em rota desigual nesta sexta-feira (23), com futuros em Wall Street sem direção definida, bolsas europeias em baixa por risco político na França e tensões geopolíticas, enquanto a Ásia fechou mista em meio à disparada do petróleo e dados de inflação no Japão acima da meta do banco central.

Wall Street sente ajuste em tecnologia e em IA

Nos Estados Unidos, os futuros dos principais índices refletem a ressaca de uma forte correção em ações de tecnologia, sobretudo em empresas ligadas à inteligência artificial. O Nasdaq futuro sobe 0,4%, em movimento de ajuste após o índice ter registrado sua maior queda diária desde junho. O S&P 500 futuro opera estável e o Dow Jones futuro recua 0,2%.

Na conta da semana, o S&P 500 caminha para um ganho marginal de menos de 0,1%, o Nasdaq acumula queda de 0,5% e o Dow Jones deve avançar 1,7%. Gestores apontam que a retirada parcial de apostas em ações de tecnologia está ligada ao receio de que “o setor de inteligência artificial possa estar perdendo força, pelo menos no curto prazo”, o que leva parte dos investidores a realizar lucros e migrar para papéis considerados mais defensivos.

Além da rotação setorial, o mercado aguarda a divulgação da versão final do relatório de confiança do consumidor da Universidade de Michigan, indicador importante para calibrar expectativas sobre consumo das famílias americanas e, por tabela, sobre o rumo da economia e dos juros.

Europa em queda com foco na França e em segurança

Na Europa, as principais bolsas operam no vermelho, com destaque para a pressão sobre empresas de tecnologia e bancos. Investidores aumentam a aversão ao risco diante de tensões geopolíticas e da instabilidade política na França, que pesa especialmente sobre os títulos soberanos franceses e o setor financeiro do país.

O movimento de busca por proteção se traduz em venda de ações mais sensíveis ao ciclo econômico e maior interesse em ativos vistos como seguros, como alguns papéis de dívida de países centrais e moedas fortes. A incerteza política francesa também alimenta questionamentos sobre a coesão da região e o apetite por risco em toda a zona do euro.

No Reino Unido, dados fracos de atividade reforçam o humor cauteloso. As vendas no varejo britânico caíram 0,4% em setembro na comparação com agosto, queda maior que a esperada, de 0,1%. O recuo sugere demanda interna fragilizada, com impacto direto em redes de varejo, serviços e empresas expostas ao consumo doméstico.

Entenda o contexto

A combinação de correção em tecnologia, tensões políticas europeias, inflação pressionada na Ásia e ataques em um dos maiores produtores de petróleo do mundo cria um ambiente em que cada notícia é reavaliada com lupa. Para gestores globais, o cenário força revisões rápidas de portfólio, encurtando horizontes de investimento e elevando a volatilidade em vários ativos ao mesmo tempo.

Inflação acima da meta pressiona o Japão

Na Ásia-Pacífico, os mercados acionários fecharam em direções opostas, acompanhando parcialmente as perdas recentes de Wall Street. Preocupações com o aumento dos gastos em projetos de inteligência artificial e a alta do petróleo reforçam dúvidas sobre margens de lucro e custos das empresas na região.

No Japão, o dado que mais chamou atenção foi o avanço da inflação subjacente. Segundo autoridades locais, a “inflação subjacente do Japão acelerou para 2,1% em setembro, superando a meta de 2% do Banco do Japão pela primeira vez em nove meses”, após ter ficado em 1,7% em agosto. O salto reflete o encarecimento da energia e a alta dos custos de importação, agravada pela desvalorização do iene.

Com a inflação ligeiramente acima da meta, crescem as apostas de que o Banco do Japão possa, em algum momento, ajustar sua política monetária, historicamente mais acomodatícia que a de outros grandes bancos centrais. Mudanças na taxa de juros japonesa impactam o câmbio global, fluxos de capital e o custo de financiamento em ienes usado por investidores ao redor do mundo.

Petróleo sobe com ataques na Arábia Saudita

No mercado de commodities, o petróleo avança e caminha para a terceira alta semanal consecutiva. Os contratos sobem em reação à intensificação de ataques contra a Arábia Saudita, um dos principais produtores globais da commodity, o que aumenta o risco de interrupções no fornecimento do Oriente Médio.

O encarecimento do barril eleva preocupações com inflação em diversos países, já que o petróleo é insumo-chave para transporte, indústria e geração de energia. Custos de frete mais altos podem pressionar cadeias globais de suprimentos e encarecer produtos ao consumidor, num momento em que vários bancos centrais ainda avaliam quando e quanto podem cortar juros.

Empresas intensivas em energia, como aéreas, químicas e de transporte, tendem a ser as primeiras a sentir o impacto dessa alta, o que se reflete na volatilidade das ações desses setores nas bolsas internacionais.

Minério de ferro tem alta pontual, mas acumula sete semanas de queda

Na China, as cotações do minério de ferro encerraram o dia em alta, apoiadas pela redução dos estoques nos portos chineses. A melhora pontual, no entanto, não muda o quadro de fraqueza: o contrato registra a sétima perda semanal consecutiva, resultado da percepção de demanda ainda fraca por parte da indústria siderúrgica.

O desempenho do minério é acompanhado de perto por produtores globais, inclusive brasileiros, e por setores ligados à construção e à infraestrutura. A queda prolongada dos preços indica ritmo moderado de obras e de atividade imobiliária na China, com reflexos sobre exportações, receitas de grandes mineradoras e investimentos associados à cadeia do aço.

Com tantos vetores em jogo — de tecnologia e inteligência artificial a política europeia, inflação asiática e risco geopolítico no Oriente Médio —, gestores avaliam que a tendência para os próximos dias é de manutenção da cautela, com ajustes finos em carteiras e sensibilidade redobrada a novos dados econômicos e notícias de conflito.

Fonte: matéria original