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Inteligência Artificial

WEG cresce 31% nos EUA com data centers de IA e bate recorde

WEG tem 62,5% da receita fora do Brasil, puxada pelos EUA e pela corrida da inteligência artificial. Empresa investe US$ 165 milhões e planeja multiplicar por cinco produção de geradores até 2030.

WEG cresce 31% nos EUA com data centers de IA e bate recorde

Inteligência Artificial

Empresa expande presença nos EUA impulsionada pela demanda crescente em data centers de IA e investimentos estratégicos.

Leia também: Bancos dos EUA bloqueiam IA em contas para evitar fraudes hoje

A WEG encerra o terceiro trimestre com um novo recorde de internacionalização: 62,5% da receita total de R$ 10,9 bilhões vem do exterior, impulsionada pela explosão de data centers de inteligência artificial nos Estados Unidos, que já respondem por mais da metade das vendas internacionais da companhia.

Na América do Norte, a receita da fabricante catarinense de motores, geradores e transformadores cresce 31% em dólares e atinge US$ 723 milhões no trimestre. Os Estados Unidos sozinhos concentram 55% das vendas externas da WEG, consolidando o país como principal mercado da empresa fora do Brasil.

O avanço vem acompanhado de margens mais apertadas. O lucro líquido sobe só 0,9%, para R$ 1,7 bilhão, enquanto o EBITDA cresce 3,1%, para R$ 2,3 bilhões. A margem EBITDA recua de 22,2% para 21,6%, pressionada pelo encarecimento do cobre, tarifas de importação nos EUA e custos da expansão industrial.

Como a WEG está se posicionando na corrida por inteligência artificial nos EUA?

A WEG se posiciona como fornecedora de infraestrutura crítica para data centers de IA nos EUA, com foco em geradores de reserva, motores elétricos e transformadores.

Na prática, a empresa fornece os geradores que entram em ação quando há falha na rede elétrica, garantindo que os servidores que rodam modelos de inteligência artificial funcionem 24 horas por dia. “A companhia pretende multiplicar por cinco sua capacidade global de fabricação de geradores, passando dos atuais dez para 50 equipamentos por dia até 2030”, afirma a WEG em comunicado.

A WEG também entrega motores elétricos para sistemas de ventilação e refrigeração, essenciais para evitar o superaquecimento dos milhares de equipamentos instalados nos data centers, além de transformadores que ajustam a tensão da energia até chegar às instalações.

O movimento acontece em um momento de salto nos investimentos americanos em infraestrutura digital. “Os Estados Unidos estão construindo data centers em ritmo acelerado para atender à demanda por inteligência artificial”, apontam dados do governo americano. Os gastos com essas construções passam de US$ 20 bilhões em 2023 para quase US$ 50 bilhões em 2025, o que abre espaço para fornecedores de equipamentos elétricos de grande porte, como a WEG.

Quais estratégias a WEG usou para ganhar espaço no mercado americano de IA?

A WEG combina expansão fabril na América do Norte, foco em equipamentos de alta confiabilidade e produção mais próxima dos clientes para ganhar espaço no mercado americano ligado à IA.

Em setembro, a companhia anunciou um investimento de US$ 165 milhões para ampliar a produção de geradores na região. O pacote inclui a expansão de uma fábrica no México e a construção de duas novas unidades na América do Norte, parte do plano para multiplicar por cinco a capacidade global de produção de geradores até 2030.

Ao produzir mais perto dos grandes consumidores de energia e tecnologia, a WEG reduz custos logísticos, mitiga o impacto de tarifas de importação e encurta prazos de entrega, fatores decisivos para empresas que correm contra o tempo para colocar novos data centers em operação.

Ao mesmo tempo, a companhia amplia as fábricas de transformadores nos Estados Unidos, no México e na Colômbia, de olho na modernização da rede elétrica americana. “As companhias privadas de energia americanas projetam investir US$ 1,4 trilhão entre 2026 e 2030 em geração, transmissão, distribuição e modernização do sistema elétrico”, projeta o Edison Electric Institute, associação do setor elétrico do país.

Esse pacote de investimentos em data centers e em rede elétrica coloca a WEG no centro da infraestrutura que sustenta a corrida global pela inteligência artificial, ampliando sua exposição ao ciclo de crescimento tecnológico dos EUA.

Entenda o contexto

O apetite dos Estados Unidos por IA puxa uma cadeia de investimentos que vai além das gigantes de tecnologia. Para que modelos avançados funcionem em escala, é preciso não só construir data centers, mas garantir um sistema elétrico robusto o suficiente para alimentá-los sem interrupções.

É nesse ponto que a WEG ganha relevância. No terceiro trimestre, a receita internacional da divisão de geração, transmissão e distribuição de energia cresce 24% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a quase R$ 2,5 bilhões, impulsionada pelos pedidos de transformadores e outros equipamentos.

Ganha a empresa, que avança em receita e presença global, e ganham também os acionistas, que veem a WEG se firmar como fornecedora-chave da nova infraestrutura digital. Concorrentes com menor escala e capacidade de investimento tendem a perder espaço, enquanto áreas da própria companhia menos ligadas à exportação podem crescer em ritmo menor diante do foco no mercado externo.

O desafio, daqui para frente, será equilibrar o crescimento com rentabilidade em um cenário de custos pressionados por matérias-primas mais caras, tarifas e um ciclo intenso de investimentos industriais, ao mesmo tempo em que a demanda por IA mantém a pressão por prazos curtos e entregas em grande volume.